sábado, 18 de agosto de 2012

Pôr finalmente os ricos a pagar


Crise do euro

Der Tagesspiegel Berlim -  17.8.12

Para fazer face à dívida soberana, os governos carregam nos impostos da classe média. No entanto, são maus investimentos feitos pelos mais ricos – banca, imobiliário, dívida soberana – que estão por trás da atual crise. Daí a ideia, que o liberal Der Tagesspiegel apoia, de pôr as grandes fortunas a entrar com dinheiro.


Uma vez mais, este ano, o dirigente do Partido Social-Democrata [alemão], Sigmar Gabriel associou-se aos sindicatos para exigir impostos mais altos para os mais ricos, a fim de distribuir mais equitativamente o fardo da crise. Para ele, trata-se de "patriotismo social". Do outro lado do espetro político, os democratas-cristãos e os liberais apressaram-se a criar uma frente para proteger as famílias mais abastadas, acusando-o de estar a recuperar um velho refrão do socialismo. O debate assume tons cansativos de disputa eleitoral.

Mas é uma interpretação errónea. Há muito tempo que as disparidades na distribuição dos rendimentos e da riqueza, que se acentuaram nos últimos anos, deixaram de ser uma simples questão de igualdade. Na realidade, essas disparidades são uma das principais causas da crise atual.

Com uma riqueza cada vez maior concentrada nas mãos de uma pequena minoria, uma proporção crescente do produto nacional alimenta a procura de investimentos financeiros, e já não de bens e serviços. A população abastada da Europa investe o dinheiro em títulos de bancos, atividades imobiliárias e obrigações estatais, emitidos na Irlanda, Portugal, Grécia ou Espanha, acompanhados de suculentas taxas de juros. E assim, financiou gigantescos maus investimentos – habitações e autoestradas vazias, equipamentos aberrantes [profusão de estádios de futebol, por exemplo] – que esses países nunca poderiam criar por si mesmos.

Salvar o património dos mais ricos na Europa

Basicamente, os empréstimos dos fundos de apoio da zona euro são utilizados para ajudar estes Estados e os seus bancos a permanecer solventes para poderem cumprir a dívida para com maus investidores. Não são os alemães (ou os holandeses, finlandeses, etc.) que estão a apoiar os gregos, irlandeses ou espanhóis, mas os contribuintes da classe média que estão a salvar o património dos mais ricos da Europa.

Para além disso, os detentores de altos rendimentos contribuem pouco para o financiamento dos orçamentos nacionais. Os países da zona euro criaram realmente uma união monetária, mas nunca estabeleceram uma política fiscal comum. Em vez disso, envolvem-se numa corrida a baixas de impostos para atrair capital. Resultado: os impostos sobre rendimentos de capital caíram para os níveis mais baixos de que há registo, enquanto, à escala europeia, as fortunas dos particulares aumentaram para níveis equivalentes a duas ou três vezes as dívidas nacionais.

Assim, pretende-se que os mais ricos contribuam para o pagamento dos maus investimentos. Só que esta questão é demasiado importante para ser tratada no quadro de uma campanha eleitoral nacional. É preciso, finalmente, exigir a alteração da atual política de "salvação", que não é correta.

Até agora, os funcionários dos programas de recuperação da UE apenas exigem dos países em crise uma redução das prestações sociais e uma subida dos impostos, à custa das classes médias. Entretanto, os armadores gregos, os magnatas do imobiliário irlandês e multimilionários espanhóis não pagam praticamente impostos e colocam o seu dinheiro em paraísos fiscais. A prioridade de quem quer salvar o euro devia ser lutar contra estas discrepâncias. Assim, os representantes da impopular "troika" europeia ainda podiam tornar-se heróis.

Tendência

Reação contra os ricos torna-se global

“Nunca é muito bom sinal quando os políticos começam a apelar ao patriotismo dos contribuintes”, escreve Gideon Rachman no Financial Times, depois de o Governo francês ter anunciado, pela voz do ministro Pierre Moscovici, que vai subir a taxa máxima de imposto sobre os rendimentos para 75 por cento.

É um equívoco descrever a administração Hollande como dinossauros socialistas. A verdade é que o novo Governo francês está no extremo de uma nova tendência mundial: uma reação internacional contra a riqueza que está a reformular a política da Europa aos EUA e à China. [...]

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na campanha para as eleições de novembro, tem vindo a capitalizar politicamente as suas promessas de taxar “milionários e multimilionários”, enquanto classifica o seu rival republicano, Mitt Romney, como o representante das elites que não pagam impostos. […]

Assim, esse género de mudança é suscetível de provocar uma reação política. Os políticos ocidentais, de Barack Obama a François Hollande estão a tentar captar e canalizar esse novo estado de espírito... Se este novo clima endurecer, pode marcar o fim de uma era de baixa de impostos, desregulamentação e desigualdade crescente, que começou no final de 1970, com a ascensão de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, no Ocidente e de Deng Xiaoping na China...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O início da CAUSA ANIMAL

A emergência do Direito Natural e consequentemente a consciência dos Direitos do Homem no panorama filosófico e político na segunda metade do século XVIII fizeram surgir nas elites políticas e intelectuais europeias uma sensibilidade, lenta mas progressiva, relativamente a questões consideradas como dogmas ao longo dos séculos, como por exemplo, a questão da limitação e separação de poderes, as liberdades fundamentais, a abolição da escravatura, a abolição da pena de morte, a emancipação das mulheres, a repartição justa da riqueza, a legitimidade da propriedade, etc. No mesmo contexto filosófico-político alguns filantropos problematizaram e questionaram a relação de domínio do Homem em relação aos animais. No espírito de muitas individualidades o recurso à violência para com os animais, fundamentado na suposta superioridade do Homem perante a Natureza era tida como imoral, quer à luz do Cristianismo, quer à luz da Razão. Os maus tratos aplicados aos animais eram considerados cada vez mais como resquícios da barbárie e da incivilização dos antigos tempos do obscurantismo. O Homem entrara numa nova idade da História, a idade da Razão e do progresso moral, e essa evolução tinha necessariamente de se refletir na relação homem - homem e homem - animal. Não tardaram a surgir propostas para que o poder político adotasse medidas de proteção aos animais.

Os primeiros esforços legislativos contemporâneos para proteção animal contra os maus tratos dos humanos surgem no Reino Unido no início do século XIX. Em 1800, Sir William Pulteney tenta introduzir no código jurídico inglês uma lei que proíbe o bull-baiting, projeto-lei recusado pelo Secretário da Guerra William Windham (1750 - 1810) com o argumento de que tal lei era contra o entretenimento das classes populares da sociedade inglesa. No ano seguinte, William Windham rejeita uma outra proposta legislativa de proteção animal, da autoria de William Wilberforce (1759 - 1833) fundamentando que tal lei tinha sido idealizada pelos metodistas e jacobinos com a intenção de destruir o “antigo caráter inglês pela abolição dos desportos rurais”. Mais uma tentativa surge em 1809 pelo Lord Chancellor Thomas Erskine (1750 - 1823), ao propor uma lei de prevenção da crueldade sobre os animais, aprovada na Câmara dos Lordes mas rejeitada na Câmara dos Comuns. Uma vez mais William Windham insurge-se contra tais propostas legislativas, alegando desta vez que eram incompatíveis com os tão populares divertimentos da caça à raposa e a corrida de cavalos.

Após estas tentativas frustradas, finalmente, surge a primeira lei de proteção animal. É a lei Act to prevent the cruel and improper treatment of cattle (Lei de prevenção ao tratamento cruel e impróprio do gado) mais conhecida pelo nome do seu autor, "Martin's Act". Esta lei, da autoria do deputado Richard Martin (1754 - 1834) foi aprovada pelo parlamento britânico em 1822. A designação “gado” no título da lei apenas incluía boi, vaca, ovelha, mula, e burro, deixando de fora outras espécies como o touro e o cão que foram englobadas na lei em atualizações posteriores (leis de 1835, 1849 e 1876).

O primeiro julgamento ao abrigo do Martin’s Act foi o de Bill Burns, vendedor de fruta ambulante, que agrediu o seu burro de carga. O caso na altura ficou famoso em Inglaterra devido ao facto de o próprio Richard Martin ter acusado Bill Burns e durante o julgamento ter levado o burro à sala do tribunal como prova das agressões para espanto dos juízes e público assistente.


"The trial of Bill Burns" (o julgamento de Bill Burns). O deputado do parlamento britânico, Richard Martin, leva o burro do acusado Bill Burns a uma das sessões do julgamento para demonstrar ao juiz os maus tratos infligidos pelo dono, episódio que causou grande sensação na época, nomeadamente nos jornais. Esta pintura (óleo sobre tela) está atualmente na sala da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals.

Richard Martin, Willian Wilberforce e outros estiveram envolvidos na fundação da Society for the Prevention of Cruelty to Animals em 1824, a primeira instituição do mundo dedicada à proteção animal. Esta instituição conseguiu fazer com que o Martin's Act de 1822 fosse alargado no seu âmbito pela Cruelty to Animals Act (lei da crueldade sobre os animais) de 1835, que abrangia cães e outros animais domésticos, abolia o bear-baiting e a luta de galos, assim como impunha melhores condições para os animais nos matadouros. A legislação de proteção animal inglesa foi sendo sucessivamente consolidada e ampliada ao longo do século XIX pelas leis de 1849 (Cruelty to Animals Act 1849 ), e de 1876 ( Cruelty to Animals Act 1876 ) de modo a abranger gradualmente mais espécies animais e modalidades de tratamento cruel ( consultar o site Animal Rights History para ter uma noção da produção legislativa inglesa sobre a proteção animal).
O Reino Unido surge, assim, como o "berço" do movimento da causa animal e da legislação de proteção animal na contemporaneidade, sendo em breve trecho imitado por outros países europeus e americanos.

E em Portugal?
Em Portugal pouco se conhece sobre o estado de consciencialização para o bem-estar animal na primeira metade de oitocentos. Percebe-se no entanto que a problemática da proteção animal está intimamente relacionada com as corridas de touros ou touradas.
Existem referências para este período indicadoras de que as corridas de touros seriam mal vistas por certas pessoas. Sabe-se que um dos governadores do reino na ausência da corte no Brasil, o Principal Sousa (17-- 1817) se esforçou por proibir as touradas entre 1810 e 1817.
Nas cortes constituintes (1821-1822) o deputado Borges Carneiro (1774 - 1833) apresentou à câmara constituinte um moção para a abolição das corridas de touros. No debate parlamentar perguntava ele aos seus colegas deputados:

« Ora qual foi o fim da natureza criando estes animaes [os touros]? foi para que o homem se podesse servir delles, e quando muito que sei servissem para seu sustento; mas não foi de certo para que os martyrizasse, os enchesse de flexas, e se divertisse com elles, destruindo-os pouco a pouco por meio do fogo e do ferro. Taes não forão os fins para que a Divindade pôz os outros animaes debaixo do poder do homem

Apesar da sua retórica e eloquência a moção foi rejeitada.



O deputado Borges Carneiro (1774 - 1833) eleito às cortes constituintes de 1821 -1822. No dia 4 de agosto de 1821 foi discutida nas cortes constituintes a sua moção para a abolição das touradas em Portugal. A moção foi rejeitada sob os mais variados argumentos.
Fonte:http://www.arqnet.pt/dicionario/borgescarneirom.html

Com o advento do Setembrismo, o ministro do Reino Passos Manuel (1801 -1862) governando em ditadura, aboliu a 19 de setembro de 1836 as corridas de touros. Porém esta lei foi revogada no ano seguinte com a Carta de 30 de junho de 1837.

Com a Carta de 21 de agosto de 1837 as receitas das corridas de touros realizadas em Lisboa revertiam para a Casa Pia e as receitas das touradas realizadas nos restantes municípios do território português ficavam afetas às Misericórdias ou a outras instituições pias, associando assim as touradas à caridade, o que deu mais um argumento a favor dos defensores da tauromaquia.


Artigo in 
http://blog-de-historia.blogspot.pt/

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Exames/Acesso ao Ensino Superior





Centenas e centenas de pais, neste momento, olham com confiança mas também com alguma apreensão e angústia, este momento crucial na vida dos seus filhos que é a entrada no ensino superior.

Poucos vão estudar o que verdadeiramente pretendem nas áreas para os quais estão vocacionados e muitos se espalharão por uma panóplia de cursos e universidades que este mundo e o outro oferecem, a troco de bom dinheiro mas nem sempre a troco de qualidade e seriedade, quer na preparação pedagógico-científica quer na forma como entraram ou foram e vão entrando.

Continua a existir a ideia, quer em filhos quer em pais, de que o natural é entrar para um curso superior, uma universidade, obcecados que estão com títulos de doutores ou engenheiros, perfeitamente alheados de uma realidade que as voltas lhes trocará quando no fim das licenciaturas nada de novo ou de bom surgir, apesar das expetativas, apesar de um querer que em nada ser se tornou, nem para eles nem para o país.

De qualquer modo, no nosso país, continua a sentir-se a falta de um ensino técnico-profissional mais alargado, melhor estruturado, que constitua uma séria e eficaz alternativa aos tais cursos superiores do nosso ensino “clássico”.

Considero fundamental que no fim do 3º ciclo os alunos fossem desde logo encaminhados para escolas técnicas/profisssionais, pressupondo, naturalmente, a existência de boa orientação profissional nesse fim de ciclo, com psicólogos residentes em todas elas (coisa que infelizmente e estranhamente não existe, porque o Ministério da Educação não os quer colocar!), de forma a evitar-se o que tanto se vê: alunos sem capacidades para as ditas áreas curriculares tradicionais mas com clara aptidão para disciplinas muito mais práticas e “tecnológicas” e para cursos que lhes permitisse um trajeto muito mais adequado para a sua entrada na vida ativa, evitando-se o flagelo das retenções repetidas e o faz de conta de planos de recuperação ou de planos de apoio que, na prática, mais não são do que o adiar do problema ou da sua (boa) resolução.

Tantos jovens e tão bons alunos que não entraram no curso que verdadeiramente queriam ou que se veem obrigados a parar um caminho jamais sonhado que os levaria à carreira idealizada!

Quantos jovens formidáveis ficam pelo caminho por causa da desorganização a que assistimos na Educação e Ensino em geral, sem uma clara definição de tudo isto?

 Quantos jovens formidáveis ficam pelo caminho por causa da falta de diálogo e de bom senso entre Ministério, Escolas, Associação de Pais e Sindicatos?

Quantos jovens formidáveis ficam pelo caminho por causa de exames mal concebidos ou provas mal corrigidas?

Quantos jovens formidáveis ficam pelo caminho por causa de umas décimas?

Quantos jovens formidáveis ficam pelo caminho por causa da falta de dinheiro dos seus pais?

Quantos jovens formidáveis ficam pelo caminho porque não tiveram hipótese de ter explicadores ou aulas particulares que reforçassem as suas capacidades a certas disciplinas e as melhorassem?

Quantos jovens formidáveis ficam pelo caminho por causa de maus professores, maus encarregados de educação, más escolas e critérios de classificação desadequados e escandalosamente facilitadores em muitas delas?

Quantos jovens formidáveis ficam pelo caminho por causa de notas inflacionadas, falta de profissionalismo, injustiças e favorecimentos?

Quantos? Muitos! Demasiados!

Se verificarmos com que classificações entraram muitos alunos em certos estabelecimentos do ensino superior privado para cursos “iguais“ nas universidades ditas públicas, vemos aqui muitas das consequências nada boas que o sistema atual está e continua a engendrar.

No fim desses cursos, dessas licenciaturas, como todos nós sabemos, nada distinguirá os que entraram com 9.5, 11, 12 … 15, 16, 19 valores… a não ser a sua universidade e a excelência do seu trabalho, e, sobretudo, a forma como essas universidades exigiram a entrada aos alunos que as mesmas escolheram e aos professores que procederam à avaliação dessa mesma entrada (testes/exames).

É óbvio que o Ministério deve ter um papel importante na supervisão de tudo isto, de forma a evitar-se aquilo que todos nós conhecemos, e bem, sobre a entrada dos nossos estudantes no ensino superior.

 “Nem tudo o que luz é ouro”!

Os alunos deviam prestar provas para entrar na(s) universidade(s) que quisessem, isto é, deveria caber a essas universidades a responsabilidade de os aceitar ou não, de acordo com exames específicos definidos pelas mesmas, a partir dos quais pudessem ser aferidos conhecimentos científicos considerados essenciais para a entrada nesses cursos pretendidos mas, também, a componente vocacional.

Os exames nunca são nem serão demais. Claro que contam e devem manter-se, mas com rigor, muito rigor, feitos por equipas muito boas e muito bem supervisionadas.

E os “pesos” exigidos deveriam ser muito maiores para os exames feitos nas próprias faculdades que o aluno escolhe do que nos “pesos” dos exames nacionais, porque, como sabemos, nem sempre os exames nacionais são provas feitas com a qualidade científica a exigir nem com as temáticas naturalmente adequadas a um 12º ano que considero um ano pré-universitário e que, como tal, deveria ser tratado.

O que é demais é a injustiça de ver que muitos vão ser “doutores e engenheiros” à custa da falta de coragem que continua a ver-se e a fazer-se sentir nas entradas para o ensino superior e na sua organização, e que permite que alunos entrem nos mesmos cursos em diferentes faculdades/universidades, com classificações que, pasme-se, “vão do 8 ao 80”. E isto, sem falar dos que tiveram e continuam a ter dinheiro “para tudo e mais alguma coisa”, cunhas e outros esquemas perversos que se manterão e a revolta e injustiça que provocam enquanto não houver da parte do Ministério uma tomada de posição séria e inequívoca para mudar e cortar o mal pela raiz.

 

Nazaré Oliveira

sábado, 11 de agosto de 2012

Gestor ocupou cargos de administração em 73 empresas


1 exemplo entre 1.000!!!
E os que existem mas não conhecemos?
E os que conhecemos mas se puseram "a salvo"?
Tanto amor à Pátria, tanto amor à carteira!
QUE FAZER A ESTA GENTE E À GENTE QUE ISTO PERMITE?
QUE VERGONHOSO PARA UM PAÍS QUE ABRIU AS PORTAS "AO 25 DE ABRIL" E NELE QUIZ REALIZAR O SONHO DE UMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA E JUSTA!
QUE VERGONHOSO PARA UM PAÍS QUE HÁ 38 ANOS VARREU O SALAZARISMO-MARCELISMO!
O NOSSO PAÍS, NOVAMENTE, NAS MÃOS DE MEIA DÚZIA PARA PREJUÍZO DA MAIORIA DO POVO PORTUGUÊS?


Gestor ocupou cargos de administração em 73 empresas em 2010

Dados revelados pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) indicam que houve um conjunto de 17 gestores que ocupavam lugares de administração em 30 ou mais empresas.
É super-homem da gestão. Não está identificado mas no ano de 2010, este gestor tinha lugar na administração de 73 empresas.
Longe deste recorde olímpico, mas com um considerável número de empresas, estão 17 administradores que conseguiam trabalhar em pelo menos 30 empresas.
O Relatório Anual do Governo das Sociedades cotadas, relativo a 2010, revela que os administradores executivos a tempo inteiro acumulavam em média lugares de administração em 12 firmas de dentro e fora do grupo da sociedade onde exerciam funções.
Mas também existem gestores que não se desdobram: 55 apenas tinham um cargo.
Em ordenados, as empresas gastaram no total mais de 125 milhões de euros. Se tivermos em conta apenas os cargos executivos, a remuneração média foi de quase 450 mil euros.
Há 25 administradores que no ano de 2010 levaram para casa mais de um milhão de euros, entre eles cinco gestores não executivos.
Ainda segundo o documento, a gestão de empresas continua a ser um mundo de homens. Há apenas seis mulheres em cada 100 administradores e quando o Relatório se refere apenas a executivos, a média desce para quatro mulheres em 100, sendo que não há uma única presidente da Comissão Executiva.
Já a idade média dos administradores executivos desceu quase um ano, agora têm menos de 23 anos.
A ubiquidade de um administrador não identificado, que trabalhou em 73 empresas, foi revelada no relatório Anual do Governo das Sociedades cotadas, relativo a 2010, divulgado nesta terça-feira pela CMVM.

António Pinto Rodrigues. Publicado a 31 JUL 12 às 22:15


Este foi identificado! Quiseram identificá-lo!Vejam...
Aliás, só não o são TODOS os que assim "funcionam"porque "alguém" os encobre, certo?
E O FMI, NÃO VÊ ISTO?
QUE POLVO GIGANTE, ESTE, COM TENTÁCULOS E VENTOSAS INCONTÁVEIS!

Imprensa revela que gestor de 73 empresas é Miguel Pais do Amaral
A imprensa desta manhã apresenta o retrato do homem que tem assento simultaneamente em 73 empresas. E afinal quem é este "super-gestor"? É Miguel Pais do Amaral.

"Tá-se bem!"


São mais de uma centena, se contarmos com o facto de Pais do Amaral ser também gestor de várias empresas estrangeiras em Espanha, em Angola e no Brasil.
Por cá é acionista em duas empresas cotadas na bolsa: a Media Capital, dona da TVI, e a REDITUS, ligada às tecnologias de informação.
É ainda dono da editora LEYA e tem também investimentos na área dos vinhos, dos supermercados biológicos, do imobiliário e do turismo. Isto só para dar alguns exemplos.
Ao Jornal de Negócios, Pais do Amaral diz que não sabia que era o português que está em mais conselhos de administração, mas acha até alguma piada à ideia, acrescentando que é acionista de todas as empresas.
Questionado sobre como faz a gestão de tantos cargos responde ao Diário Económico que em muitos casos os conselhos de administração não reúnem ou se o fazem é apenas de seis em seis meses.
O relatório da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) é relativo a 2010, por isso Pais do Amaral admite que possa ter havido alguma alteração desde essa altura, mas desvaloriza a questão dizendo que contar o número de conselhos de administração a que pertence, não é a primeira coisa que faz quando acorda.

Sofia Santos. Publicado a 02 AGO 12 às 07:37

O genocídio de Srebrenica




Falar em Srebrenica é lembrar os 520 muçulmanos mortos em 1995 pelas forças sérvio-bósnias, num massacre considerado pela justiça internacional como genocídio, passados que foram 17 anos.
Falar em Srebrenica é, infelizmente, recordar o holocausto nazi e lembrar que o perigo e a ameaça da extrema-direita permanecem nesta Europa falsamente ancorada em princípios e valores unionistas e, sobretudo, constatar que o Mundo continua a não olhar para a História, a História recente escrita com o vermelho do sangue de inocentes e envolvida com a mortalha negra da monstruosidade e do ódio sem limites que um genocídio sempre foi e sempre será.
Aqui, na Europa, como em qualquer parte do mundo, onde ditadores sanguinários continuam a enveredar pelo massacre como forma de limpar e excluir o que diferente lhes parece porque diferenças não admitem, sejam diferenças étnicas, religiosas, políticas, culturais e até sexuais.
Estamos no século XXI, perigosamente iludidos com o brilho efémero de uma civilização tecnológica que no essencial não tem unido, pelo contrário, mas marcado as grandes diferenças que têm tornado o nosso mundo num mundo cada vez mais desigual e desumano.
Coexiste a solidariedade e o sentido humanitário de tanta gente e de tantos países, sim, mas também a crueldade, a perversão e os crimes inimagináveis de gente dita normal que mata inocentes por puro prazer ou diversão.
Estamos muito longe de atingir um estádio civilizacional e um diálogo multicultural do qual nos orgulhemos, estádio esse que marcaria, sem dúvida, a diferença, quando ao olharmos à nossa volta e, em matéria de relações internacionais, não víssemos a desconfiança apoderar-se dos acordos efetuados ou até mesmo das negociações que se fazem, fracassadas quase de imediato num claro desrespeito por palavras e atos, assinaturas e apertos de mão sorridentes.
Cada vez é mais notória a falta de uma cultura humanista, que olhe  o outro de igual para igual e o respeite até na diferença, vendo nessa diferença um meio de enriquecimento cívico e cultural, único, forte e duradouro, e o fortalecimento de verdadeiros acordos diplomáticos firmados com seriedade, inteligência e respeito mútuo.
Continuamos a assistir a ameaças constantes à Paz e aos Direitos Humanos. Aos jogos de guerra, à Diplomacia de ocasião, aos acordos de interesses no papel que fugazmente desaparecem no campo de operações e às mentiras que se forjam no mundo paralelo da corrupção, tráfico de armas e dos nacionalismos que à destruição tem levado gentes e terras por esse mundo fora.
Veja-se a realidade dos campos de refugiados, o horror das mulheres e meninas violadas e perseguidas nesses cenários de medo e terror, o horror da infância roubada às crianças-soldado e os assassinatos impiedosos de velhos para quem a vida mais morte lhes foi.
Pela primeira vez, desde o fim do conflito étnico de 1992-95, o aniversário do genocídio acontece com os principais responsáveis pelo massacre, Ratko Mladic e Radovan Karadzic atrás das grades e que, depois de vários anos foragidos, enfrentam agora a justiça internacional.
Srebrenica é considerada a pior atrocidade cometida na Europa desde a segunda guerra mundial, onde, aproximadamente 8.000 homens e adolescentes foram assassinados em poucos dias. Segundo o jornal ÚltimoSegundo (br), milhares de homens e meninos com idades de 10 a 77 anos foram cercados e assassinados. Aqueles que tentaram esconder-se nas suas casas foram, de acordo com as evidências apresentadas no julgamento do general sérvio Radislav Krstic, em Haia, em 2000, "caçados como cães e massacrados".
"Presenteamos a Srebrenica sérvia ao povo sérvio. Chegou o momento de vingar os 'turcos' (nome depreciativo para os muçulmanos bósnios)", disse Mladic em Srebrenica, aos repórteres de rádio e televisão.
Mais de 60 camiões com os refugiados saíram de Srebrenica para locais de execução onde foram vendados, tiveram as mãos atadas e foram mortos a tiro. Algumas das execuções foram feitas à noite sob a luz de refletores. Posteriormente, escavadoras industriais empurraram os corpos para valas comuns. Alguns foram enterrados vivos, disse em 1996 ao tribunal de Haia o polícia francês. Segundo ele, há provas de que as forças sérvias mataram e torturaram os refugiados à vontade. Muitos cometeram suicídio para evitar que seus narizes, lábios e orelhas fossem cortados e também há relatos de adultos que foram forçados a matar os seus filhos ou a assistir ao assassinato dos mesmos pelos soldados.
Há tantas Srebrenicas pelo mundo fora! Tantas Srebrenicas para combater!

Nazaré Oliveira


Mais informação aqui e neste vídeo (não deixem de ver):

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Parabéns, Universidade do Porto!





A U.Porto entre as 8 melhores da Europa no Webometrics! A única universidade portuguesa no top 100 mundial!

A Universidade do Porto continua a subir nos rankings e, desta feita, surge na 8ª posição entre as 100 universidades com maior popularidade online da Europa, de acordo com o ranking Webometrics.

A lista mundial é liderada pela norte-americana Universidade de Harvard (as universidades norte-americanas dominam o top 50, ocupando 41 destas posições) e a Universidade do Porto surge na 69ª posição. No que concerne às universidades europeias, o ranking é encabeçado pela Universidade de Cambridge.

A U.Porto, que surge no 8º lugar, é a única universidade portuguesa a figurar nos primeiros cinquenta lugares. Ainda neste top 100, surge a Universidade Técnica de Lisboa (61ª posição), a Universidade de Coimbra (74ª), a Universidade de Lisboa (84ª) e, por fim, a Universidade do Minho (98ª).

O Webometrics é um ranking que avalia a presença e o impacto das universidades na internet, incluindo critérios como a presença, o impacto, a abertura ao acesso e a excelência científica.

PARABÉNS À MINHA UNIVERSIDADE, AOS SEUS PROFESSORES E AOS SEUS ALUNOS!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os bancos também são culpados




Questiono-me todos os dias e fico revoltada por continuar a não ver os bancos a ajudar as pessoas mas as empresas, as grandes, os grandes, chegando-se a situações-limite que obrigam as famílias a ficar sem as suas casas, sem o dinheiro que até agora entregaram através das prestações mensais, a ir viver “como calha”, metidas em “quartos alugados” ou numa situação de claro desespero junto de velhos familiares, dependentes das pequenas reformas dos seus pais, sujeitas a tudo e mais alguma coisa para sobreviver à humilhação que é, ao fim de uma vida, ao fim de tantos sacrifícios, verem ser-lhes retiradas as casas que com tanto sacrifício iam pagando para algo aos seus filhos deixar.
Segundo dados oficiais atuais do Banco de Portugal, o número de famílias com dificuldades em pagar os seus empréstimos continuar a aumentar.
Em março, os valores do crédito malparado voltaram a atingir novos recordes e só no primeiro trimestre deste ano 27.800 portugueses entraram em situação de incumprimento, ou seja, por dia, há mais de 300 portugueses que deixam de pagar os seus empréstimos. Que não conseguem, digo eu!
Segundo o PÚBLICO de 6 deste mês, mais de 15% das famílias devedoras à banca estão nessa situação, e a crise, no segundo trimestre, arrastou mais 10 mil famílias para a mesma e há também mais empresas que não conseguem pagar os empréstimos à banca.
De acordo com os dados da Central de Responsabilidade de Crédito, divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal, no final do segundo trimestre havia 708.515 famílias com crédito vencido, o que corresponde a 15,6% do total. É o número mais alto desde que a instituição tem registo dos dados, ou seja, desde o início de 2009.
Depois do aumento recorde de 4,1% no primeiro trimestre do ano, o incumprimento entre particulares voltou a subir no segundo trimestre, mas bem menos – 1,4%. Ou seja, mais 10.093 famílias deixaram de conseguir pagar os seus créditos.
O incumprimento está a aumentar, sobretudo, no crédito ao consumo, onde havia, no final do segundo trimestre, mais 13.525 famílias com crédito vencido do que nos três primeiros meses do ano (um aumento de 2,1%). No total, há mais de 649 mil famílias com este tipo de crédito em atraso, o que corresponde a 17,5% do universo total.
No crédito à habitação, o número de devedores em incumprimento superou os 150 mil, mais 1,1% do que no primeiro trimestre. Cerca de 6% dos devedores com empréstimos para compra de casa apresentam crédito vencido. Nas empresas, o cenário também tem vindo a degradar-se. Segundo os dados do Banco de Portugal, no final de Junho, 27,4% das empresas tinham crédito em atraso, o que é, também, o valor mais alto de sempre. Este valor é superior, não só, ao do trimestre anterior (26,1%), mas também ao do final de 2011 (24,4%).

Embora o crédito ao consumo represente a maior fatia do incumprimento, o crédito à habitação tem vindo a ganhar cada vez mais relevância, uma situação que os especialistas garantem ter um impacto social maior, sobretudo se o cenário continuar a agravar-se.
Do total de famílias com crédito malparado, um terço corresponde a portugueses que deixaram de pagar o empréstimo da casa. Só no período entre janeiro e março deste ano o número total de famílias com crédito vencido na habitação ascendeu a 148.717, o que significa que há mais de 8.800 famílias que entraram em incumprimento com a prestação do crédito à habitação. Por dia, quase 100 famílias deixaram de pagar a casa no primeiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores.
Estes dados refletem sobretudo a subida do desemprego e a perda de rendimentos, já que o crédito à habitação é aquele que as famílias, por norma, só deixam de pagar em última instância.
Os pobres e desgraçados do costume já vêm o crédito “mais do que vencido” e quase vencida a sua força para conseguir sobreviver: grande parte destes vive em más condições de habitabilidade, estão desempregados, têm filhos menores, estudantes, comem mal, fingem que estão bem (repare-se na notícia do PÚBLICO de hoje: “a crise já é causa de doença!”) e ainda vão tendo uma réstia de esperança quando se arrastam até aos Centros de Emprego ou esperam a  ajuda que tarda de um governo  eleito democraticamente e que tudo prometeu menos a miséria em que os/nos colocou.
De facto, por que razão não se penalizam esses bancos e esses gestores, esses primeiros-ministros, esses ministros e esses presidentes da República que durante estes últimos anos consentiram e calaram a escalada mortal que se avizinhava, permitindo a queda brutal acontecida? Que, afinal, venderam o Eldorado aos seus clientes, os assediaram com uma panóplia de serviços e bens apelativos, taxas e spreads, o paraíso… apoiados pelo Governo… até ao golpe final, agora avassalador, deixando-os entregues à sua sorte, criminosamente indiferentes e sadicamente alheados do(s) pedido(s) de ajuda, feito(s) como um grito prestes a soltar-se ou uma raiva mal contida que dos olhos em lágrimas sai?
Entram nos bancos, quase a medo, com esperança, envergonhados, pedindo a renegociação da sua dívida, pedindo dignidade, mas saem vazios e voltam a mergulhar no horror de mais um “não” que os despedaça.
Choca esta contínua falta de responsabilidade que deveria ser assacada aos bancos e a quem os autorizou a chegar a este ponto, pois foi a banca que criou este monstro que, atualmente, aos pobres tem engolido o que de pouco e confiante lhes haviam prometido e facilitado.
Não é correto culpabilizar os cidadãos que a eles recorreram, quando esses mesmos bancos, de forma terrivelmente agressiva, lhes facultavam este mundo e o outro, com facilidades de pagamento e taxas apelativas. Não! Qualquer pessoa sonha e quer bem-estar e é legítimo que o tenha quando para tal trabalhava. O que não é correto é esta cobardia dos bancos, do governo, a demarcarem-se escandalosamente do seu papel de Estado Social, como se não ouvissem o clamor do povo e a sua indignação pela crise gerada e pela democracia corrompida. É criminosa, esta atitude. Desleal.
Chocam-me as impunidades no nosso país, as exceções, as desigualdades sociais cada vez mais visíveis, os jogos de bastidores, o espírito oligárquico (de má memória!) na História de Portugal!
Os bancos criaram isto e sabiam que isto ia acontecer. Aos outros, claro! Inclusivamente, a "nossa" banca cooperou, com conhecimento e aval do estado português em negociações com a finança mundial, estabelecidas pelos bancos norte-americanos que, como sabemos, foram o cerne desta crise.
Dando crédito às grandes empresas vai animar uma economia que vive de uma vasta rede de médias, pequenas e microempresas ou vai contribuir para a queda da produção e a perda de postos de trabalho?
nazaré oliveira

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nada justifica a crueldade

Haja respeito pelos animais! Respeito e dignidade ao longo da sua existência, sejam humanos ou não humanos.

A realidade que este vídeo da PETA apresenta é mesmo REALIDADE. É horrível, remexe-nos as entranhas, revolta-nos, enoja-nos, faz-nos chorar, gritar e pensar que nada disto faz sentido porque nunca a crueldade sentido fará. A crueldade e a tortura.

As pessoas que comem carne, que não conseguem (ainda) prescindir da carne, devem ver o vídeo até ao fim, pois só assim ficarão a saber o que se passa nestes lugares aterradores que são os matadouros (no vídeo abatedouros) e, sobretudo, constatar como é dolorosa a falta de compaixão para com aqueles seres que sentem profunda e dolorosamente a morte, que são golpeados e esquartejados ainda vivos, perante o olhar frio e impiedoso de mãos que prendem, atam, esfaqueiam, golpe a seguir a golpe, num cenário impiedoso que ao lucro e gula servirão.

Compreendo não ser fácil as pessoas deixarem de comer carne "de um dia para o outro" mas, também não considero impossível que essas pessoas o deixem de fazer, pois tudo passa pelo esforço e a vontade que cada um de nós tem em mudar este estado de coisas, de uma nova postura perante a Natureza, o Ambiente e até a própria Vida.

Querer é poder.

Nada justifica a crueldade, a humilhação e o sadismo. Nada nem ninguém.





 No vídeo "Glass Walls" (Paredes de Vidro), produzido pela PETA, Paul McCartney expõe de forma detalhada e contundente a indústria de carnes, ovos e leite. Legendado por Aline Caliman e Guilherme Carvalho.

domingo, 5 de agosto de 2012

A dissolução da Europa


Esta semana, o primeiro-ministro italiano alertava a Alemanha para o risco de "dissolução da Europa". É perturbador ler isto mas não me surpreendeu.

De facto, numa União Europeia que deveria cumprir aquilo a que se destinou e que tanto apregoou, isto é, aproximar a Europa dos seus cidadãos e os povos da União entre si, e que considera primordial assegurar a paz, prosperidade e estabilidade às suas populações, consolidar a reunificação do continente, garantir a segurança dos cidadãos, promover um desenvolvimento económico e social equilibrado, vencer os desafios da globalização e preservar a diversidade dos povos europeus, e ainda, fomentar o desenvolvimento sustentável, a qualidade do ambiente, os direitos humanos e a economia social de mercado, a União Europeia está a falhar na política de solidariedade e de coesão que deveria ser, sempre, a prioridade das prioridades.

A Europa não conseguirá viver unida nem sobreviverá como UE se mantiver a posição atual de subordinação aos interesses dos poderosos que a integram, caso da Alemanha e da França. Afinal, não foi com este espírito que esta União foi criada nem assim se justifica a posição dos que nela sonharam concretizar a formação de um espaço territorial forte, próspero e solidário, económica mas também socialmente.

Nunca o económico deveria impor-se ao social como temos visto, com a clara opressão e dependência dos mais fracos, dos de menos recursos ou dos que maiores adversidades sofrem.

Nesta contabilidade da desgraça, aquilo a que assistimos atualmente é à afirmação nada desejável e até preocupante de países como a Alemanha com um acentuado nacionalismo de má memória, que mais imperialismo parece querer voltar a ser, esquecida que está do mal que fez e dos males que deixou quando também permitiu lideranças de gente obcecada pelo poder a qualquer preço. E esse mal foi o nazismo - o pior dos fascismos -, foi a aceitação de um monstro ao qual serviram e ao qual nunca se opuseram, inebriados pela ideia de um mundo ariano omnipotente assente numa Mein Kamft de horror, sangue e morte e na crença de um mundo que humilhasse (como humilhou) e que escravizasse (como escravizou), agindo pela força das armas mas também pela força da ignomínia e do genocídio que ao desespero e à “solução final” milhões levou.

A Alemanha não tem moral para ter a arrogância que tem tido relativamente aos outros países da UE. A Alemanha (e não só!) deve rever os compromissos a que é obrigada por via das disposições comunitárias e rever, sobretudo, os objetivos dessa união.

A Alemanha atual que é a Alemanha da arrogância e do nacionalismo de pendor ditatorial, nunca cumpriu os seus compromissos desde a 1ª guerra mundial sendo exatamente os seus incumprimentos a razão principal do deflagrar das duas guerras mundiais iniciadas na nossa Europa.

Quando a própria UE diz e reforça a necessidade que os países que a compõem continuem a trabalhar em conjunto, para assegurarem o seu crescimento económico e serem capazes de concorrer a nível mundial com outras grandes economias, quando afirma que isoladamente nenhum país da União tem dimensão suficiente para fazer valer os seus interesses na arena do comércio mundial, quando pretende que o mercado interno europeu proporcione às empresas uma plataforma essencial para uma concorrência eficaz nos mercados mundiais, quando defende que este grande espaço de livre concorrência tem de ter como corolário uma política de solidariedade de dimensão europeia que beneficie de forma clara e concreta os cidadãos europeus, e que os fundos estruturais, geridos pela Comissão Europeia incentivem e complementem os esforços das autoridades nacionais e regionais da União para reduzirem as desigualdades existentes entre as diferentes partes da Europa… Olhamos para a atualidade e que vemos?  

Vemos o servilismo da Europa face à Alemanha, a exigir e a regulamentar financeira e despoticamente todos os outros, esquecida que está da vertente fundamental que a União Europeia jamais deveria secundarizar, e muito menos, alhear-se, que é a da SOLIDARIEDADE entre os seus estados.

A aplicação dos fundos estruturais e dos fundos de coesão é cada vez mais urgente e, numa fase de depressão mundial como a que vivemos, a transferências de fundos dos países ricos para os países pobres é cada vez mais pertinente, sem que isso leve à humilhação de uns países sobre os outros ou de políticas financeiras suicidas, como o que se passa com a Alemanha face à Europa em geral e à do sul em particular.

Robert Schuman, Konrad Adenauer, Alcide de Gasperi e Winston Churchill, quiseram uma nova era para os europeus libertando-os de totalitarismos que desgraçadamente separaram e dizimaram gentes e valores.

Recentemente,  o primeiro-ministro italiano Mario Monti alertou a Alemanha para o risco de um "confronto entre Norte e Sul" na Europa, numa entrevista hoje publicada pela revista alemã Der Spiegel. Este estadista falava em tensões que "contêm "a semente da dissolução psicológica da Europa", considerando "muito preocupante" o aumento das tendências nacionalistas que cada vez se fazem sentir mais. E nós também vemos e sentimos isso. Monti chega a referir que, mais do que financiamento, o sul da Europa precisa de solidariedade, apoio moral. E é verdade, sim.

 Segundo a Lusa desta semana, Draghi, presidente do Banco Central Europeu, afirmou que o "conselho de governadores desse Banco poderá aplicar mais medidas não convencionais para restaurar a transmissão de política monetária”, uma referência à possibilidade de o BCE voltar a comprar títulos de dívida europeia e assim reduzir as taxas de juro pagas por países como a Espanha e a Itália. Acrescentou que qualquer nova compra de obrigações pelo BCE terá de ser precedida por um pedido de ajuda a um dos fundos de estabilidade financeira. No entanto, a ideia de o BCE financiar diretamente os Estados da zona euro não agrada a todos os membros do Banco, particularmente à Alemanha.

"Essas preocupações são infundadas", disse Monti ao Spiegel. "É exatamente essa desconfiança que nos impediu de encontrar uma solução clara para esta crise. Temos que a superar e voltar a confiar uns nos outros."

Só a união fará a força da UNIÃO. Mas uma união séria, onde o compromisso e  a ética por todos seja assumida e não só por alguns, como aconteceu com as disposições do Tratado de Versalhes, lembram-se?


Nazaré Oliveira