quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O que falta a israelitas e palestinianos





Entrevista exclusiva do repórter Henrique Cymerman a Mahmoud Abbas, o líder que, ao pedir diretamente na ONU o reconhecimento do Estado Palestiniano, transformou as relações de poder na região e recolocou a diplomacia em primeiro plano.

Nesta entrevista, Abbas analisa o que ainda é necessário para resolver o conflito e afirma que uma negociação pacífica é imprescindível.

“Estou a lutar por um direito nas Nações Unidas que o Sudão do Sul conseguiu em apenas meia hora. Por que é que este direito tem que ser protelado e sofrer obstáculos e restrições?
Não há lógica”, questiona Abbas.


A Palestina apresentou oficialmente o seu pedido para ser membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas (ONU), há duas semanas em Nova Iorque. Um momento histórico porque pode mudar a geografia da zona mais problemática dos conflitos mundiais.
O porta-voz desse pedido, que divide o Mundo, foi naturalmente o actual líder da Palestina, Mahmoud Abbas.

Excelente trabalho jornalístico num momento de grande apreensão para o mundo.
Excelente trabalho em prol da Paz e da Harmonia entre estes dois povos.

Nelson Mandela


Há pessoas que nunca se esquecem e imagens que nos ficam para sempre.

Era pequenita, sim, mas ainda me lembro de ver lá em casa, no jornal, a foto de Mandela no dia em que entrara na prisão - jovem, muito jovem - com outra ao lado, já mais envelhecido, mas com o mesmo olhar, o mesmo sorriso.

E chocou-me ter sabido que esse fora o preço da sua luta pela liberdade e dignidade do povo sul-africano, dos negros sul-africanos, sistematicamente humilhados e violentados pelo terrível e monstruoso regime do apartheid.

Foi nesse dia que conheci e passei a admirar Nelson Mandela para sempre. A admirar a sua coragem e determinação, a sua inteligência, a sua bondade, a sua capacidade de entrega à luta pela liberdade e pelos direitos cívicos e políticos, sempre negados e roubados ao seu povo, de forma vil e desonesta, desumana e criminosa.

A 26 de Junho de 1961, o Dia da Liberdade dos opositores ao apartheid, Mandela, dirigindo-se à imprensa londrina, dizia aos seus compatriotas:

“Lutarei contra o governo, lado a lado convosco, metro após metro, milha após milha, até que seja alcançada a vitória. O que querem fazer? (…) Da minha parte, a decisão está tomada. Nem deixarei a África do Sul nem me renderei. A liberdade só pode ser alcançada através de sofrimento, sacrifício e acção militante. A luta é a minha vida. Lutarei pela liberdade até ao fim dos meus dias”.

Que palavras e que força, a deste homem, que cumpriu 10.000 dias de cativeiro!

O livro NELSON MANDELA, de Albrecht Hageman, editado pelo Expresso este ano e com prefácio do jornalista Mário Crespo, é um livro fabuloso e riquíssimo, quer para a história da vida de Mandela quer para a história do apartheid e da África do Sul.

E que ensinamentos dele retiramos!

No ano passado, no dia do seu aniversário, Mandela decidiu convidar antigos guardas prisionais da cadeia de alta segurança de Robben Island, onde esteve preso, sendo o seu carcereiro um dos convidados de honra.
É extraordinário este gesto de Nelson Mandela!

Quem conhece a minúscula cela onde viveu e sofreu longas penas diz que a sua capacidade de perdão é inesgotável.

Um grande ser humano que um dia dissera que em lutas e jogos com os da sua idade reconhecia que humilhar outra pessoa significaria submetê-la a um destino desnecessariamente cruel, e que aprendera desde pequeno a vencer o seu adversário sem o desonrar.

Mandela, que o teu exemplo permaneça para sempre! Como o dos meus pais, que, ainda pequenita, me falaram de ti.


Nazaré Oliveira



Obs.: Vale a pena ler, também, Um Longo Caminho Para a Liberdade, a autobiografia em que Nelson Mandela relata episódios incríveis da sua vida.

Jurrasic Park

Jurassic Park - Grande filme, grande realização, excelente banda sonora!

Liberdade - Ensaio sobre um novo compromisso social pela Educação

Com a devida vénia, um excelente artigo do Sr. Dr. Guilherme d`Oliveira Martins, publicado no blogue do Centro Nacional de Cultura no dia 3.10.2011.

«Liberdade– Ensaio sobre um novo compromisso social pela Educação» de Joaquim Azevedo (Fundação Manuel Leão, 2011) é um conjunto de reflexões sobre a educação e a aprendizagem de alguém que conhece bem esse mundo e que nos propõe, com seriedade, pistas de ação, para além dos lugares comuns e das simplificações que tantas vezes são ouvidas quando se trata destes temas.

DIGNIDADE E AUTORIA

Começo por referir um amigo comum, que nos deixou não há muito e que Joaquim Azevedo cita no início deste seu livro – falo de Joaquim Pinto Machado, cidadão exemplar, homem bom, que ao longo da vida nunca se poupou na tarefa de pôr a dignidade e a liberdade no primeiro lugar das preocupações da sociedade portuguesa. Disse ele, um dia, «a dignidade do ser humano é ser autor». Esta referência é fundamental e está ligada à ideia de «autoridade moral», já que etimologicamente vem da autoria, da criatividade, da responsabilidade, da afirmação prática da dignidade. Ao longo da vida, ouvi sempre Joaquim Pinto Machado a falar dos valores éticos enraizados na vida, ligados ao facto de a pessoa humana ter de ser colocada no centro da história e da sociedade. E quando falamos de educação é essa centralidade que tem de ser afirmada (como no-lo ensinou, por exemplo, Henri Marrou). Tenho encontrado, porém, uma grande dificuldade em debater seriamente os temas da educação, há demasiados preconceitos e grandes resistências a pôr na mesa o que realmente está em causa. Há muitas pessoas convencidas de que têm soluções, mas assentam em pressupostos tantas vezes errados que prejudicam seriamente a apresentação de pistas viáveis no sentido de melhorar a educação e a aprendizagem e de as tornar um fator de exigência e de qualidade. Este livro de Joaquim Azevedo é um contributo sereno para o debate. Contém uma análise correta, fundamentada e recusa a demagogia simplificadora.

UM CAMINHO DE PROGRESSOS

Ao falarmos de Educação temos de começar por dizer, como faz o autor desta obra, que vivemos em Portugal nos últimos quarenta anos um caminho longo de progressos, mas também de perplexidades, de avanços e recuos. Em 1974, havia vinte cinco por cento de analfabetos, que era a taxa mais elevada da Europa, a grande distância dos demais Estados. Apesar dos esforços efetivos, sobretudo depois do final dos anos sessenta, em razão da internacionalização e do fim da autarcia, a democratização ocorreu como consequência direta da nova ordem constitucional iniciada em 1974, consolidada a partir de 1976 e 1982, e que deu lugar à Lei de Bases do Sistema Educativo de 1986. No entanto, houve desde o início hesitações e erros com consequências irreversíveis, em especial a prevalência de uma via única no ensino secundário, ao invés da diversidade prevista na reforma não concretizada de Veiga Simão. E importa reconhecer que desde muito cedo o autor deste livro teve a exata compreensão do papel crucial que o ensino secundário desempenha – como resultou da sua ação no âmbito das escolas profissionais, experiência fundamental para romper a velha inércia da indiferenciação de vias. De facto, como nos diz Joaquim Azevedo: «não podemos oferecer o mesmo tipo de formação a todos, pensando que estamos a oferecer o melhor percurso a cada um» (p.55). E o certo é que «o sistema escolar continua muito ineficaz e ineficiente, sobretudo nas transições entre ciclos de estudo e no ensino secundário» (id.). Impõe-se, assim, inscrever a educação no espaço público. Se o «santuário ruiu» (porque o saber deixou de ser administrado isoladamente do mundo, acessível a poucos, passando a apontar-se para uma escola de qualidade para todos) é fundamental empenharmo-nos em superar os bloqueamentos perante os quais estamos: a educação não é um problema técnico, mas político e de cidadania; exige o apoio às famílias; a diferenciação das aprendizagens; a mobilização dos professores para as tarefas que lhes cabem; o estabelecimento de um clima de confiança com as escolas, de modo a favorecer a autonomia; o primado da responsabilização; a superação da dicotomia Estado / mercado; e a recusa do populismo, do cinismo e da demagogia. Em vez da desconfiança e da irresponsabilidade, do que se trata é de pôr a autonomia como ideia e prática no centro do funcionamento das escolas.

LEMBRAR CELESTIANO…

O velho Celestiano, de Mia Couto, acusa a facilidade quando diz «onde é sempre meio-dia, tudo é noturno». De facto, a facilidade na escola, a festa e a tentação de deixar tudo pela rama, tem consequências dramáticas. O que distingue o progresso do atraso é a capacidade de aprender. Não basta investir em Educação, importa traduzir as apostas em qualidade, exigência, avaliação e prestação de contas (no sentido da responsabilidade cidadã). E quando se discute se o objetivo da educação é a preparação para o mercado trabalho – temos de contrapor, com coragem e determinação, que formamos pessoas, que queremos criar cidadãos livres e responsáveis – os bons profissionais virão por acréscimo. Daí que a autonomia seja pedagogicamente ativa – exerce-se em nome da cidadania responsável, por contraponto à irresponsabilidade. Por isso a autonomia assenta: na pessoa humana, no centro da escola, na solidariedade como método de entreajuda e cooperação e na subsidiariedade, resolvendo os problemas o mais próximo possível das pessoas. Mas exercer a autonomia, tornando a escola central e não periférica, obriga ao gradualismo, ao aperfeiçoamento permanente, e ao exercício das tarefas cometidas a cada um. O triângulo escola / família / comunidade tem de ser levado a sério. Os pais devem participar na escola, mas não confundir o seu papel com o dos professores - têm de interagir com a escola. Infelizmente, ou chegam tarde demais ou invadem territórios dos profissionais. O equilíbrio é fundamental – nem tarde demais nem para além do desejável.

O SERVIÇO PÚBLICO DE EDUCAÇÃO

Como defendi com Eduardo Marçal Grilo, o serviço público de educação não pode resumir-se à iniciativa estatal. Estamos perante a necessária complementaridade de iniciativas, uma rede de escolas com estatutos diferentes, exercendo cada vez mais a sua autonomia, com um objetivo comum. E a verdade é que as escolas devem ser mais autónomas e ativas, como lugares de trabalho, de liberdade e de democracia. Eis por que razão concordo com Joaquim Azevedo sobre a necessidade de uma visão antimonopolística, policêntrica, com uma autêntica regulação responsabilizadora nas escolas. Assim, a interação entre a pessoa e a comunidade, a vivência da laicidade (por contraponto ao laicismo), a sociedade providência e a solidariedade voluntária (ou a importância crescente da responsabilidade social) tornam a rede escolar como ponto de encontro de diversas iniciativas, que tem de valorizar a aprendizagem. A ideia de compromisso surge, assim, com naturalidade: a partir do empenhamento pessoal e cívico (engagement), do exercício da autonomia, do acordo e da cooperação em nome do bem comum e de uma auto-avaliação praticada por escolas que aprendem. «Escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem» (Obama). Trabalho, disciplina, profissionalismo – eis o que tem de estar presente quando falamos de educação de qualidade para todos. E em nome da esperança e do aperfeiçoamento gradual, melhor educação terá de significar: ensinar a pensar, favorecer a responsabilidade pública, ter amor à aprendizagem e ao sentido crítico, garantir oportunidades para todos, incentivar a qualidade, a confiança, a inclusão e a cooperação. No fundo, «a educação é essa “arte” de promover o desenvolvimento humano de cada pessoa, que só se des-envolve verdadeiramente na medida em que é acolhida pelo outro, que lhe dá em si um lugar; o outro des-oculta-me solidariamente, convocando toda a comunidade indizível que me habita» (p.124). Jorge de Sena diria: «uma pequena luz bruxuleante / brilhando incerta mas brilhando».

Guilherme d'Oliveira Martins

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Reflexão sobre o erro

Toda a minha obra pode ser entendida como uma reflexão sobre o erro. Sim, sobre o erro como verdade instalada e por isso suspeitosa, sobre o erro como deturpação intencional de factos, sobre o erro como ilusão dos sentidos e da mente, mas também sobre o erro como ponto necessário para chegar ao conhecimento.

«Nesta compilação (...) oferece-se um amplo repertório de palavras suas [de José Saramago] extraídas exclusivamente de jornais, revistas e livros de entrevistas (...) num leque cronológico que abrange a segunda metade dos anos setenta e vai até Março de 2009. Os extractos seleccionados foram obtidos a partir de um vasto corpus de declarações publicadas em países muito diversos: Portugal, Espanha, Brasil, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Argentina, Cuba, Colômbia, Peru... (...). Este é, enfim, um livro dos muitos possíveis que se poderiam apresentar sob a orientação que o anima e é, ainda assim, uma obra aberta, que não se esgota na literalidade que aqui é adoptada, com a vontade, não obstante, de esboçar uma arquitectura ideológico-social saramaguiana idónea, de dar consistência a uma identidade precisa.»


Soy un grito de dolor e indignación”, ABC (Suplemento El Semanal), Madrid, 7-13 de Janeiro de 2001. In José Saramago nas Suas Palavras, Fundação José Saramago.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

The Feynman Series


No De Rerum Natura! Que maravilha!

Já conhecíamos a The Sagan Series, o soberbo projecto multimédia que ilustra com imagens notáveis o pensamento e a voz de Carl Sagan (sobretudo retirados do livro "O Ponto Azul Claro" que, em boa hora, a Gradiva decidiu reeditar). Eis que agora surge, da mesma equipa, o The Feynman Series - Richard P. Feynman -, exactamente com a mesma receita. Já vai em 3 vídeos, deixo-vos o primeiro...


Posted by Miguel Gonçalves

A lição afegã



A guerra no Afeganistão tornou-se na mais longa e mais cara na história dos Estados Unidos. O amplo apoio internacional após o 11 de Setembro deu-lhe rumo: intervenção punitiva ao santuário da Al-Qaeda ao abrigo da legítima defesa apoiada pelas Nações Unidas. Mas à medida que o Iraque se impôs, o Afeganistão foi votado ao esquecimento e as baterias foram centradas em Bagdad. Depois das trapalhadas do início e perante os interesses regionais em disputa, a responsabilidade de Washington na frente iraquiana subiu em flecha. Só depois do sucesso desta surge (2007- -2008) é que o Afeganistão voltou a estar na agenda. Primeiro, porque quase tudo corria mal. Segundo, porque era difícil justificar aos eleitorados como é que uma guerra punitiva levava dez anos. Terceiro, porque Washington entendeu apontar um fim a esta história: Iraque em 2011, Afeganistão em 2014. Barack Obama, sabendo que não tem margem para anunciar vitórias, prefere uma não derrota a eternizar duas frentes que secaram os cofres do Tesouro e que exigem soluções económicas rápidas. Só que ninguém está disponível para as pagar. A grande reflexão sobre o Afeganistão está na inexequibilidade de guerras duradouras com o objectivo (assumido ou escondido) de erguer nações ou estados. Punir é uma coisa; construir um país é outra. E não é aos exércitos que cabe esta tarefa.
Sem solução à vista, resta a estratégia de pequenos passos. Retirar sem ser expulso; eliminar talibãs e terroristas da Al-Qaeda e da Haqqani; trazer Islamabad para as soluções (o acordo com Cabul de comércio e trânsito é bom sinal); aumentar os salários dos militares e dos polícias afegãos; dinamizar as economias locais reduzindo a dependência do comércio do ópio; encontrar substituto para Hamid Karzai até terminar a missão NATO. É preferível conquistar pequenos passos a tentar enfiar utopias revolucionárias no Hindu Kush. Dez anos depois, fica a lição.

Bernardo P. de Lima in DN de 6.10.11

Mais informação:
http://www.clickescolar.com.br/os-conflitos-no-afeganistao.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%A3o_sovi%C3%A9tica_do_Afeganist%C3%A3o