quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Ética e Política

Preliminar

O presente artigo não é um texto académico composto em linguagem de rigor filosófico, mas reflete um propósito que é mais de convocação ao interesse geral sobre um tema tão rico quanto importante para (…) os dias correntes (…).

Ética é um dos grandes capítulos em que se divide o pensar do ser humano desde os primórdios da filosofia, na Grécia Antiga. E desde essa origem a ética teve e tem uma íntima ligação com a política, chegando mesmo a uma quase identificação naquele momento da Antiguidade. É que ética é um conceito Iminentemente ligado ao coletivo seja esse coletivo a corporação (o caso das éticas profissionais), a nação ou a humanidade (onde se colocam todas as questões dos direitos humanos). Assim é que a filosofia política foi sempre tratada dentro do grande capítulo da ética que, com a física (e a metafísica) e a lógica, compunham o quadro geral da filosofia na Antiguidade.

O conceito de ética é também algo estreitamento vinculado ao sentimento dos povos, ao seu modo de viver e aos seus costumes, como indica a raiz grega da palavra (ethos), e tem naturalmente evoluído no seu conteúdo, como evoluem esses costumes ao longo do tempo e da história. As éticas de hoje são em vários aspectos profundamente diferentes das antigas, e a forma de encarar a escravidão é provavelmente o exemplo mais conspícuo dessas diferenças que abrangem muitos outros aspectos relevantes. Os antigos não conheciam, por exemplo, nenhuma ética da humanidade e um dos seus princípios de virtude era o de fazer o mal aos povos inimigos.

Quanto à política, a sua ideia se desdobra em dois conceitos diferentes que convivem quotidianamente na opinião dos cidadãos e na motivação da ação dos políticos: um é o de que a política, a mais nobre das ocupações humanas, é o empenho na realização do bem comum, do bem da coletividade ao qual se aplica como a um propósito final; é a concepção de Platão e de Aristóteles, dos filósofos pregos que a explicitaram na sua polémica de afirmação da filosofia (que se confundia para eles com a política), contra o pragmatismo dos sofistas e dos retóricos que ensinavam a linguagem eficaz para o manejo das assembleias e das funções políticas. O outro é o de que a política é a arte e a sabedoria de conquistar e de manter estável o poder; o fazer o bem; nesta visão, não é propriamente um fim, mas um meio de ganhar o apoio dos cidadãos para a conservação e a estabilização do poder, empregado em paralelo com outros meios também válidos, como o marketing, o controle da mídia, o clientelismo, o populismo e até mesmo a mentira, a violência e a corrupção. Este é o conceito derivado das interpretações mais correntes dos conselhos de Maquiavel e é o que melhor se enquadra nas concepções da ciência política moderna, entendida a ciência como conhecimento neutro, isto é, destacado de qualquer consideração de natureza ética.

Ambos os conceitos são correntes no mundo e nos tempos, tendendo a prevalecer, no geral, o "realismo" do segundo. Assim é que, entre nós, contemporaneamente, a virtude mais popular da política é a esperteza, que a linguagem simples tem chamado de "jogo de cintura", juntamente com a coragem, macheza ou ousadia; qualidade das quais nasce a confiança no político, como alguém capaz de bem dirigir o povo com pulso e habilidade. A ideia do bem, entretanto, estará sempre presente e importante, a fazer a crítica permanente do pragmatismo, impedindo o poder de violar certos limites ditados pela ética e levando-o mesmo a fazer concessões a muitas de suas postulações, ainda que vistas frequentemente como românticas ou quixotescos. E o propósito do bem, a sua busca pela política, tende a ganhar dimensão de hegemonia nos momentos de crise grave que abale os fundamentos éticos da sociedade, gerando verdadeiros momentos revolucionários que operam profundas transformações político-sociais.

As relações da ética com a política se dão principalmente em três vertentes, quais sejam, as relações de conflito, as de convergência ou encontro e aquelas que se desdobram numa dialética de condicionamento ou de iluminação.

Relações de Conflito

Um primeiro campo de relacionamento, que tem sempre suscitado mais interesse nas especulações e nos debates que se travam sobre o tema, é o dos conflitos entre os princípios da ética e a realidade da política.

Formou-se neste campo uma verdadeira dialética do pragmatismo dos fins com o dever dos meios que assumiu formas diversas ao curso da história. Na Antiguidade, a critica pela perspectiva da ética era feita pelos filósofos em nome do ideal da "vida digna" sobre as políticas dos governantes que buscavam a glória e especialmente dos tiranos que exerciam o poder por cima das leis. Na Idade Média, o objetivo do pragmatismo estava ligado a estabilidade dos reinas e à glória dos príncipes, enquanto a critica pela perspectiva ética era feita em nome dos princípios da moral cristã que deviam pautar os "bons governos". Na modernidade, o eixo do pragmatismo transferiu-se para a eficácia vista pela ótica do económico, enquanto a critica ética se fundava nas ideologias da igualdade económica e da justiça social.

Assim, ética e política sempre tiveram uma intensa relação dialética de conflito, na convivência, variando os termos e os temas desse confronto. Entre esses temas, sempre se ressaltou o da mentira política, como uma espécie de agressão mais aceitável aos princípios morais. Platão, por exemplo, dava aos médicos e aos políticos o direito ao uso da "mentira útil", aquela capaz de agir como um fármaco sobre os indivíduos e sobre a pólis em estado de doença. Modernamente, a polémica da mentira e da verdade se tem situado em torno do conceito da "razão de Estado" que se originou nas relações de diplomacia entre os Estados monárquicos e se estendeu às relações governantes-súditos, significando projetos e informações que tinham de ser mentidos em segredo nos círculos mais íntimos do poder. Negar peremptoriamente a existência de um projeto ou dispositivo de defesa que não pode ser conhecido é um caso típico, a manutenção de segredos militares; forjar imagem negativa de uma nação inimiga ou do seu líder é outro. Muito além do uso da mentira, casos bem mais graves de violação de princípios morais, como o assassinato de inimigos perigosos, são cometidos secretamente em nome dessas razões de Estado e, quando revelados posteriormente, podem ser compreendidos e até aceitos por grande parte da opinião corrente, desde que justificados com a apresentação de um fim que possa ser considerado eticamente mais forte, como a defesa da nação ameaçada. Tal aceitação, todavia, nunca é consensual, mesmo nos casos mais leves, e sempre suscita reações e críticas que fazem do conceito de "razões de Estado" motivo de muita polémica e contestação.

O uso da mentira nas ações políticas pode também ultrapassar o conjunto dos casos caracterizadamente decorrentes de "razão de Estado" e continuar tendo aceitação, muitas vezes até mais consensual, sob o ponto de vista da critica feita segundo a ética. Por analogia, poder-se-ia invocar para esses casos uma justificativa reconhecida como "razão de Governo". Exemplo típico é o de um congelamento de preços, ou qualquer outra medida de governo que não possa ser conhecida com antecedência, sob pena de provocar especulações e manobras destruidoras dos efeitos intentados; a negação desses atos pelo governante até o dia em que são decretados é uma mentira política bastante aceitável pelos critérios éticos correntes, desde que explicada imediatamente após pelos próprios fatos.

A dialética da política com a mentira tem ainda outras áreas de contato, a atividade política necessariamente tem uma dimensão que é o "fazer imagem", construir e cultivar a imagem do líder, a imagem do candidato, a imagem do partido, algo que fácil e corretamente escorrega para o "forjar imagem", com o sentido de forçar os limites da verdade, e se confunde frequentemente com a impostura e a mentira útil para o forjador. É sabido que a política lida muito com "versões", e não tanto com verdades científicas, cujo estabelecimento é missão da história, com seus métodos e sua perspectiva de tempo. A versão é um tipo de informação imediata e oportunista, naturalmente sujeita ao erro e ao equívoco, podendo resvalar com frequência para a mentira fazedora de imagem, sem que seja fácil detectar a intenção maldosa. Dentro desta mesma área de contato, colocam-se também os esforços de mobilização para adesões populares de sustentação a posições de governo ou de oposição, que trabalham com versões, com compromissos apenas relativos com a verdade, com promessas sabidamente irrealizáveis, buscando antes a eficácia no que concerne aos objetivos colimados.

O entendimento que compatibiliza esses conflitos da ética com a política é o de que ambos os conceitos tem tudo a ver com a vida humana, com o Ser do homem em sociedade, e este Ser recusa qualquer tipo de enclausuramento dentro de princípios absolutamente rígidos. Se a moral, no âmbito do indivíduo, admite margens de flexibilidade no que respeita aos seus princípios (e só na teoria aceita os imperativos categóricos, não obstante a enorme lucidez de Kant para mostrar que não existe diferença entre teoria e prática), a ética, que preside as ações na perspectiva da coletividade, invoca tantas vezes a razão, atributo essencial desse Ser, a fim de validar margens de tolerância para as ações políticas, sem que tenha de renunciar ou abrir mão de seus princípios, simplesmente flexibilizando-os. Não seria preciso chamar Hegel para compreender a força racional dessas realidades.

Há formas e feições desses conflitos que são específicas do funcionamento da democracia representativa que se vai consolidando como sistema político em todas as partes do mundo. É o caso, por exemplo, da promessa política, usada, larga e genericamente, de maneira mais ou menos ética, como meio de conquista do voto, que é a via de legitimação própria do sistema. A promessa, que o mais das vezes é uma demanda do próprio eleitor (e por isso tão intensamente usada), decorre da necessidade humana de alimentar expectativas existenciais positivas e assume formas extensamente variáveis no que tango à possibilidade de compatibilização com a ética, desde aquelas realistas e lícitas, feitas com o propósito de cumprimento, até as que envolvem favores pessoais particulares e não divulgáveis (mesmo cumpridas), e as falsas promessas, que se enquadram no capítulo da mentira política, mas sem nenhuma relação ou justificação possível sob argumentos de razões de Estado ou de Governo.

A  promessa aqui referida é a que se dirige a indivíduos ou a grupos constitutivos da clientela do candidato, não é a promessa ligada a compromissos programáticos ou de governo, apresentada ao todo da comunidade eleitora. Esta é verdadeiramente uma exigência da representação e da democracia, embora ela também possa frequentemente resvalar para a mentira, pela via da demagogia, e tornar-se incompatível com a ética.

Outras questões do regime democrático dizem respeito à compartimentação de representação política pelo corporativismo e à tendência manifesta nas democracias modernas ao desinteresse crescente da população em relação à esfera das coisas públicas, desinteresse mesmo pelo que concerne ao destino nacional respectivo. Penso que esta é uma questão que também tem a ver com a ética: a constatação de que a preocupação absolutamente predominante em assegurar as franquias e direitos da esfera da sociedade civil, e a exacerbação das disputas típicas das sociedades de mercado, as disputas de interesses legítimas dentro desta esfera (sociedade civil), como que vão amesquinhando a ética eminentemente política, a Ética de Hegel, e gradativamente substituindo-a pela ética do Gerson, para usar o jargão que o nosso povo entende. E a ética não pode ficar contida na esfera da vida privada em seus confrontos, a ética não se separa da política, da esfera da vida pública. A ética é política, é matéria pública, ou não é ética, pode ser moral, conjunto necessário de princípios das ações individuais. Logo adiante voltarei a comentar este ponto tão relevante.

E, ainda nessa abordagem de questões específicas do sistema democrático, há finalmente os que pretendem afirmar a relativa falta de importância de qualquer ética de valores universais (de fundo racionalista ou religioso) no mundo pós-moderno, sustentando, pragmaticamente, que o que é relevante é o respeito às normas positivas da democracia liberal, verdadeira garantia da boa convivência entre os homens em todos os sentidos.

Todavia, o avanço e a consolidação da democracia neste final de século vão produzindo, também, em contrapartida, linhas de pensamento que parecem impor-se progressivamente, constituindo uma tendência a resolver esses conflitos cada vez mais em favor da ética. No que tange à mentira política sob todas as suas formas, incluindo as variantes da promessa, crescem as exigências da chamada "transparência" de todas as ações públicas, políticas e governamentais, sendo cada vez mais o direito à verdade visto como condição necessária à efetivação da liberdade de opinião consagrada em todas as constituições, na medida em que, sem a informação completa e correta, não pode haver opinião no sentido pleno da expressão, no sentido compreendido por essas constituições.

No que toca aos aspectos ligados ao desinteresse pela política e ao menosprezo pelos princípios éticos na dimensão coletiva, a contrapartida vem da crítica ao que se pode chamar de "democracia de resultados" e da conseqüente exigência de novas formas de democracia mais participacionistas e menos "representativas" na acepção clássica do liberalismo.

Entretanto, se é possível inferir ou vislumbrar uma tendência ao encontro da ética com a política na evolução da democracia, este será um encontro a muito longo prazo, um encontro de tipo assintótico (?), não o encontro imediato e historicamente momentâneo, tratado a seguir.

Relações de Reencontro

Assassinos em massa




O presidente do Sudão, al-Bashir, é um dos piores assassinos em massa do mundo.

Denunciado pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio, massacrou durante 20 anos, repetidamente, comunidades inteiras que lutaram para o retirar do poder.

Bombardeou sem dó nem piedade mulheres e crianças nas montanhas Nuba enquanto os seus soldados, de porta em porta, iam degolando famílias inteiras.

O mundo, as grandes potências mundiais, têm tido uma posição demasiado contemplativa face a estes “Hitlers” e às suas políticas altamente repressivas e criminosas. E tudo, mais uma vez, por causa do “ouro negro”, do “sagrado petróleo” controlado pelo governo sudanês.

Têm reservas de petróleo, riqueza, mas um povo faminto e paupérrimo, um povo moribundo.

As imagens que nos chegam destes ditadores e das suas acções contra o próprio povo em nome das oligarquias reinantes, particularmente na África e Médio Oriente, deviam levar-nos a pensar que uma outra diplomacia internacional terá de ser encetada em nome da democracia, da liberdade, do direito a uma vida com paz para todos e a uma existência digna.

Nada deverá impedir que os países com mais capacidade de intervenção e de organização ajudem esta gente no combate a criminosos e ladrões como al-Bashir e tantos al-Bashirs por esse mundo fora.

Um combate para o qual todos devem estar sempre alerta, sob pena de desaprendermos a lição que a História nos ensina todos os dias e que tantas vezes desvalorizamos, seja nos jornais, nas TVs, nas aulas, nos emails que recebemos.

É revoltante ver morrer inocentes às mãos dos seus próprios governantes e das impunidades de que gozam.

Prepotentes, matam o seu próprio povo com armas mas também com a fome, a sede, a falta de investimento e a não exploração sustentada dos seus recursos naturais dos quais só os próprios beneficiam - uma minoria!

Fome de alimentos mas também de justiça.

É impossível imaginar o desespero e o terror que estes povos sofrem nas mãos destes ditadores mas não é impossível combatê-los.

Nazaré Oliveira

FONTES:

Genocídio e limpeza étnica ameaçam Sudão
Exército do Sudão do Norte é acusado de cometer assassinatos étnicos



Sadismo, crueldade, morte... Nada os faz parar


  
 
 




Ovacionam golpes mortais desferidos sem piedade no corpo de quem mal nunca lhes fez e que, ainda que lhes fizesse, em sua defesa seria, certamente.

Ao que leva a fome de sadismo e a crueldade!

Num cenário de dor e martírio ninguém tem compaixão.

Ninguém vê no outro um ser que também sente o medo e o pressentimento de um fim que se aproxima e que traiçoeiramente lhe tinham reservado.

Ninguém ousa ser alguém. Alguém com dignidade.

Embriagados com o sangue quente que borbulha e escorre pelo lombo do animal, a histeria da multidão não deixa que se ouçam os seus urros de dor a cada ferro espetado, fundo, bem fundo, rasgando a carne lentamente, muito lentamente, no seu corpo violentado e cada vez mais enfraquecido por uma luta desigual que lhe rompe as entranhas.

“Touro! Oh touro”, gritam-lhe ao longe.

Fintam-no. Gozam-no. Desesperadamente, investe como quem descobre o quanto enganado e usado foi. Mas é tarde!

O sangue inunda-lhe já os pulmões, a garganta, o peito, as narinas. Fraquejam-lhe as patas. Ajoelha. Mas nada pára os seus carrascos. Nada os faz parar.

Nem os que estão na arena nem os que estão nas bancadas.

O corpo magnífico do animal estremece cada vez mais e enfraquece em cada investida que faz.

Agonizante, olha o carrasco como quem pede clemência.

Busca, aterrorizado, um canto, uma pausa, um momento de paz que não achará.

Parado na imensidão cruel daquele círculo infernal que o aprisiona, cai pesadamente sobre a terra marcada pela dor e pela crueldade.

Ninguém lhe vale.

À sua volta, gente enlouquecida e excitada com a visão de uma tortura que à morte levará.

Resiste, corajosamente resiste, uma e outra vez, enquanto a música estridente acompanha o princípio do seu fim e galvaniza a multidão.

Fraquejam-lhe as patas dianteiras. O seu olhar é já escuridão e do seu peito, ainda, um sopro de vida que a custo sustém.

Contorce-se com dor, prende-se-lhe a saliva, o sangue sufoca-o cada vez mais e tenta desesperadamente soltar “os ferros” que o rasgam por fora e por dentro.

O seu corpo tomba devagar, penosamente devagar, sobre a terra manchada de sangue vivo, vermelho, mas que revoltada negro o tornou. 

Completamente agonizante, perdido no meio da multidão sádica que de pé lhe sorri e lhe acena, já não ouve, não pede, não sente.

O seu olhar já tem o brilho da morte.



Nazaré oliveira

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Florestas - Clima

Spending more on forests could reap enormous benefits – UN report
Ensuring good governance of the world's forest resources is key to combating climate change
5 June 2011

Investing a relatively small amount each year in the forestry sector could halve deforestation, create millions of new jobs and help tackle the devastating effects of climate change, according to a United Nations report released today to mark World Environment Day.
The report, “Forests in a Green Economy: A Synthesis,” finds that an additional $40 billion spent each year in the forestry sector – or just 0.034 per cent of global gross domestic product (GDP) – could result in substantial environmental improvements.
The rate of deforestation could be halved by 2030, the number of trees planted could rise by 140 per cent by 2050 and as many as 30 million new jobs could be created by that same year.
Achim Steiner, Executive Director of the UN Environment Programme (UNEP), which issued the report, said forestry is one of the key sectors capable of helping the world transition to a 'green economy' model that is resource-efficient and low in its use of carbon.
“There are already many encouraging signals; the annual net forest loss since 1990 has fallen from around eight million to around five million hectares and in some regions such as Asia, the Caribbean and Europe forest area has actually increased over those 20 years,” he said.
The area covered by freshly planted forests has also grown from 3.6 million hectares in 1990 to just below five million hectares last year.
Jan McAlpine, the Director of the Secretariat of the UN Forum on Forests, said the capacity of poorer countries to switch to green economies and protect their stocks of forests needs to be strengthened.
“Encouraging a transition to green economies will require a broad range of financial, regulatory, institutional and technological measures,” she said.
Forests and the benefits they provide represent the theme of this year's World Environment Day, which is marked every year on 5 June. This year is also the UN-declared International Year of the Forests.
Celebrations are being held across the globe, including in India, which is this year's designated host.
On Friday Secretary-General Ban Ki-moon described forests as central to economic development, poverty reduction and food security.
“By reducing deforestation and forest degradation we can make significant progress in addressing the combined threats of climate change, biodiversity loss and land degradation,” he said in a message to a forestry conservation meeting held in Brazzaville, Republic of Congo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Portugal, beleza inesgotável!

Um trabalho MUITO BEM FEITO!

“Portugal, the beauty of simplicity”, produzido pela Krypton Films, foi distinguido em Varsóvia com o 2º prémio na categoria “The best film promoting country, region or city”, entre 220 filmes internacionais candidatos. 
O filme conta ainda com a banda sonora do compositor português Nuno Maló, nomeada para os Jerry Goldsmith Awards 2011 na categoria de “Best Promotion Score”.

 Ao longo de quatro minutos apresenta os principais atractivos turísticos de todas as regiões do País  – do mar e da natureza à gastronomia, passando pela oferta cultural, pelo golfe, o surf, as paisagens humanas ou a animação nocturna, num registo entusiasmante.

domingo, 7 de agosto de 2011

Cântico Final - Aparição

 

Dois dos primeiros livros que li, de Virgílio Ferreira, e que marcaram para sempre o meu gosto por este autor. E já lá vão muitos anos!

Os horizontes da interrogação existencial que toda a obra de Vergílio Ferreira visa, anunciam-se já em Cântico Final (1960), uma obra intimista que retrata um personagem cujos contornos se definem à medida que o vaivém da sua memória se envolve em torno de indivíduos e acções dominantes. Foi de tal modo apaixonante que parti de imediato para a leitura do Aparição, que adorei.

João Palma Ferreira, a propósito de Virgílio Ferreira, escreveu: “toca os extremos da riqueza lírica e intimista e os da realidade concreta, não para os tentar fundir num conjunto harmonioso mas para os fazer contrastar”.

O tema essencial de toda a sua obra foi certamente o da procura do sentido da existência num universo sem sentido, fazendo-o navegar no que Eduardo Lourenço chamou um "niilismo criador" e um "humanismo trágico", explorando até à exaustão o tema do "eu", ao mesmo tempo eterno e inscrito na finitude, a mesma finitude que o embrenha na temática da morte, num homem que heroicamente, e também angustiadamente, suporta o desafio da finitude.

"Tenho a corrupção lenta do tempo, tenho a eternidade a executar". Eis, numa breve expressão de Rápida a Sombra, a dimensão trágica do seu pensar, onde se desenrola uma intensa reflexão sobre o corpo e a morte. Há em todo o homem são um impulso para um mais daquilo que se é no presente, e que jamais se alcança, ou que se sabe jamais poder alcançar-se ("um apelo ao máximo" que vem do máximo que o homem é), num processo infindo a que só o absurdo da morte põe termo: "Na profundidade de nós, o nosso eu é eterno, e todavia é justamente o corpo que nos contesta a eternidade".

No entanto, novo conflito deflagra entre essa exaltação divinatória, e a consciência trágica da sua corruptibilidade e da sua objectiva degradação, lançando o homem na angustiante consciência da sua "infinitude limitada", e ao mesmo tempo no plano heróico de saber que a morte o espera, devendo viver "como se ela não contasse", ou, como escreveu em Nítido Nulo: "viver a eternidade e, num momento de distracção, cortarem-lha rente".

Atravessa a sua obra o discurso da solidão, como um dos aspectos mais profundos da condição humana, sempre acompanhado pelo silêncio que advém do abandono da entidade divina. As personagens de Vergílio Ferreira assumem um papel questionador, procurando sentido, uma vez que o mundo aparecia sob a forma de uma absurda estupidez.

Cons.:

CAVALOS AZUIS

Cavalos azuis
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CAVALOS AZUIS (1911), um dos trabalhos fantásticos de Franz Marc (1880-1916) que mais aprecio.
 A adoração pelos animais levou-o a integrá-los com frequência na temática das suas composições, sobretudo os cavalos.
Franz Marc acreditava que os animais estavam em perfeita harmonia com a Criação.
Nesta pintura, encontrou as formas por intermédio de uma pincelada larga, rotunda e rítmica, ao mesmo tempo que libertou as cores da dependência naturalista.  
A cor é assumida num sentido expressivo mas, também simbólico, remetendo para uma certa espiritualidade da pintura.
Por exemplo, o azul seria símbolo de virilidade, o amarelo de suavidade e o vermelho paixão. Assim, apesar das referências figurativas, o pintor pretenderia aproximar-se de registos poéticos nos quais a cor representaria um papel mais lírico que representativo.
“O valor espiritual e a expressão poética distinguem-se de qualquer relação com o mundo visível”.
No caso do trabalho que aqui publico, os cavalos azuis, serviriam de emblema ao movimento “O cavaleiro Azul” que fundou com W. Kandinsky (1866-1944), outro grande pintor. Os artistas que faziam parte deste movimento, estiveram ligados por atitudes comuns relativamente à arte, embora as suas obras não tenham características idênticas. Quiseram ver a Natureza e o Homem “numa grande unidade existencial”, pretendendo construir um quadro a partir das experiências, dos sentimentos subjectivos e das sensações de cada um, mas com um sentido global, de modo a ser compreendido por todos como uma alegoria de construção místico-intimista do mundo, como ele próprio afirmou.

Bibliog. cons.:
NUNES, Paulo S., História da Cultura e das Artes (12). Lisboa: Lisboa Editora, 2006.
VÁRIOS, Histoire de l´Art, Peinture, Sculpture, Architeture, ed. Hachette Éducation, , Paris, 1995.

Para saber mais:
http://en.wikipedia.org/wiki/Der_Blaue_Reiter
http://pt.wikipedia.org/wiki/Franz_Marc

http://www.google.pt/search?q=franz+marc&hl=en&rlz=1R2ADFA_pt-PTPT380&biw=1280&bih=593&prmd=ivnso&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=ArM-Tr-5F8aGhQe666DUBQ&ved=0CDUQsAQ


Neste vídeo, trabalhos de Franz Marc com um fundo musical magnífico de Schuman.