domingo, 18 de março de 2012

A Internet = arma contra as ditaduras

 



A Internet, hoje em dia, é a melhor arma contra as ditaduras e um dos meios mais rápidos e mais eficazes para o exercício de uma cidadania ativa!

Sem dúvida, se tivermos em conta, por exemplo, o passado recente da já considerada Primavera Árabe, particularmente, dos movimentos espontâneos de rua, com milhares e milhares de cidadãos, muitos e muitos jovens a aderirem à mobilização e às convocatórias feitas pela Internet e que, indiscutivelmente, têm abalado o mundo de hoje e continuarão a abalar, em defesa da democracia e dos valores da liberdade e da justiça social.

Têm derrubado os ditadores e os seus acólitos, as suas políticas repressivas e despóticas e têm, embora com muita dificuldade, restituído alguma dignidade aos povos que há muito clamavam contra regimes autocráticos que do povo sempre se serviram mas que ao povo jamais serviriam.

E essa onda vinda da Net teve uma grande visibilidade, sobretudo, dese a Praça Tahir, o Egito, sendo até agora imparável e indiscutíveis os seus efeitos, quer no Médio Oriente quer mesmo na Europa.
E isso é fantástico!

Em segundos, contatamos com dezenas, centenas, milhares, convocamos amigos, amigos de amigos, divulgamos notícias, alertas, passamos informação e pedimos colaboração, enviamos imagens, entrevistas, vídeos, no Facebook, blogues, por e-mails... É fantástico o papel da Internet na defesa dos Direitos Humanos e até na Defesa dos Direitos dos Não Humanos (os nossos amigos animais).

À distância de um click, falamos uns com os outros, pedimos ajuda, abrimo-nos ao Mundo e dele sabemos muito mais e muito mais depressa o sabemos.

Não há desculpa para não se saber que todos estamos, agora, muito mais perto de ser atores da mudança que há muito clamamos.

Não há desculpa para se dizer que não se sabia aquilo que, simplesmente, não se quis saber ou não se quis ver ou ouvir, ou, até, que se fingiu não ter sido visto quando afinal visto foi.

Não há desculpa para a nossa inação nem para a nossa acomodação quando o que está em causa é a manutenção de governos com ditadores, corruptos, ladrões … leis e gente sem o mínimo de respeito por nada nem ninguém.

Um relatório dos Repórteres sem Fronteiras referia que o papel da Internet na luta contra os regimes não democráticos crescera em 2011 mas que também haviam crescido as tentativas de controlar a mesma, obviamente, por parte dos governos contestados, que não se inibem, agora, de tomar medidas ainda mais repressivas para combater os cibernautas que conseguem apanhar. Há casos de perseguições ferozes, mortos, prisões e até o estabelecimento de ciber-censura nesses países!

O número de presos aumentou 30% em relação a 2010, sendo que 120 dos detidos, considerados «ciber-dissidentes», continuam presos.

Mas nem só as ditaduras estão debaixo de fogo neste relatório. Também os países ditos democráticos não ficam bem na fotografia, devido, principalmente, às medidas tomadas para proteger os direitos de autor, que são consideradas «desproporcionadas».
Como países inimigos da Internet contam-se a Arábia Saudita, Bahrein, Bielorrússia, Birmânia, Coreia do Norte, Cuba, Irão, Uzbequistão, Síria, Turquemenistão e Vietname.

E muitos mais, certamente, se acrescentarão, porque o papel da Net neste combate urgente e imparável contra estes ditadores continuará a ser cada vez mais preciso.

E nós continuaremos a ter de travá-lo, não é verdade?

Sob vigilância, e em vias de entrar para esta lista, estão, segundo os Repórteres sem Fronteiras, vários países, entre eles alguns dos considerados mais democráticos do Mundo, como a Austrália e a França. Desta lista fazem ainda parte a Coreia do Sul, os Emiratos Árabes Unidos, o Egipto, a Eritreia, a Malásia, a Rússia, o Sri Lanka, a Turquia, a Índia e o Cazaquistão.

Não há desculpa para o que desculpa nunca terá: a cumplicidade com os usurpadores do poder e para com a barbárie.

Nazaré Oliveira

sexta-feira, 16 de março de 2012

Há homens lindos...



... homens lindos mas não só "por fora"!

Na página do seu F. Book, a jornalista Clara de Sousa publicou hoje que o actor George Clooney e o seu pai, o jornalista Nick Clooney, de 78 anos, acabavam de ser detidos num protesto à porta da embaixada do Sudão, em Washington.
Estavam entre os manifestantes que acusam o presidente sudanês de estar a provocar uma tragédia humanitária ao bloquear a entrada de comida e ajuda às populações.
O ano passado, apresentei aos meus alunos um trabalho sobre o Darfur e, praticamente, há sempre conteúdos programáticos que permitem abordagens  neste âmbito, quer seja os desastres humanitários e a vergonha que é continuarmos a assistir a genocídios, à fome de milhares e milhares de pessoas, à falta de água potável e até para rega, de medicamentos tão simples quanto um simples analgésico, um antipirético, soro, desinfetantes, vacinas, enfim, o horror dos campos de refugiados, sem falar da morte lenta dos que esperam ajuda que tarda e que muitas vezes chega tarde demais.
Como lhes digo sempre, considero que os Professores e os Jornalistas são cada vez mais as peças importantes para a informação séria e a tomada de consciência que à tomada de posição levará, e que, certamente, contribuirá para MUDAR O MUNDO, este mundo de vergonha, de injustiça social, de desigualdades e contrastes gritantes, mas também de gente abnegada que se dedica a ajudar e a gritar bem alto que ISTO NÃO PODE CONTINUAR.
Sim, é urgente uma nova ordem internacional, um novo paradigma!
Uma nova forma de pensar o mundo em matéria de Direitos Humanos, com SERIEDADE e EXIGÊNCIA, de igual para igual, seja onde for.
Defender VERDADEIRAMENTE quem indefeso sempre esteve e estará, abandonado (s) à (maldita) sorte de uma vida que mais morte parece, entregues a um destino traçado às mãos de ditadores que impunemente sorvem o sangue de corações inocentes, tal a sua sede de poder e a sua fome de glória.
Como digo tantas vezes, a indiferença também mata. Sobretudo, a indiferença daqueles que até podiam marcar a diferença, quer pelo poder económico que têm, quer, também, pelo destaque mediático que o público e a imprensa sempre lhes deu, como é o caso de atores, futebolistas, entre outros.
Felizmente, temos mais um ator, desta vez, George Clooney, um homem com uma enorme visibilidade internacional.
Felizmente que não é só um homem lindo "por fora". É um ativista dos Direitos Humanos e faz o que muitos podiam fazer mas não querem: DAR A CARA!
É um grande exemplo.
Cheios de fúteis e de teóricos estamos nós!
Bem hajas, G. Clooney, tu e milhares de pessoas anónimas por esse mundo fora que nunca se esquecem que há quem sofre e de ajuda precisa. E que ajudam, mesmo que essa ajuda se traduza, pura e simplesmente, na divulgação destes horrores nas redes sociais, redes indispensáveis para o esclarecimento e tomada de posição de todos nós.
Em matéria de Direitos Humanos, isto é, a na defesa da dignidade humana, não há lugar para a neutralidade, quer se trate de países, pessoas ou organizações.
A neutralidade, meus amigos, ao longo da História, tem servido os ditadores.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Hoje - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Para todas as Mulheres, o primeiro lírio que nasceu este ano no meu jardim.


Muitas mulheres e muitos homens "não aprovam" este DIA COMEMORATIVO.

Pela minha parte, faço dele o que fiz sempre: um dia de trabalho, de estudo, de reflexão e até de luta EM NOME DAS MULHERES. UMA HOMENAGEM.

Mulheres-mães, mulheres-tias, mulheres-irmãs, mulheres-amigas, solteiras, casadas, divorciadas, juristas, professoras, médicas, domésticas, empregadas, desempregadas, sós ou acompanhadas, a sorrir, a chorar, felizes, infelizes… Parabéns, MULHERES!

Um abraço fraterno para todas aquelas que, diariamente, com convicção, força, coragem, muito trabalho, muitas privações e até muita humildade, sentem e sabem que o seu papel na sociedade e na família, por muito discreto que seja, É FUNDAMENTAL para o mundo actual.

YES, WE CAN!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Zeca Afonso, até sempre!



Quem o ouviu e viu neste concerto, neste tema, neste momento, ainda o lembra mais.

O homem que sempre resistiu ao fascismo e lutou contra ele, vê-se e sente-se aqui, também, a lutar contra a doença, com um dos temas mais fantásticos que nos perturba os sentidos, a alma, tal a força que da sua voz brota e do seu peito sai.

É um dos trabalhos que mais me toca, talvez por isso.

O Zeca despedia-se de nós, não se despedindo, e nós dizíamos-lhe adeus como se um até amanhã fosse.

E foi, Zeca! E assim será, Zeca Afonso!



"Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia, procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for", escreveu ele já na fase final da sua vida.


Para saber mais: http://esquerda.net/dossier/dossier-zeca-afonso

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O ovo da serpente

    

Foi fantástica a intervenção de António Esteves Martins, um dos melhores jornalistas que a RTP tem, quando ontem, em direto, entrou no programa Prós e Contras.
    
E a sua intervenção, lúcida, inteligente e de uma enorme sensibilidade, levou-me mais uma vez a uma reflexão sobre o momento terrível que vivemos, quer económico quer, sobretudo, social, lançando um olhar à História e, particularmente, à História recente de uma Europa que foi o palco principal das duas guerras mundiais.
   
Uma Europa dos mais fracos que se revê na Grécia, na Grécia do desespero, que afinal nosso desespero também é. Mas, o que mais dói e mais revolta é a prepotência e a arrogância de governos e de países, caso da Alemanha, para quem a dignidade deste povo, a sua História e a herança cultural da qual todos somos herdeiros não tem contado nem nunca, pelos vistos, vai contar.
   
Que decepção e que vergonha que é sentir que, afinal, a solidariedade tão apregoada, o mercado comum, a “união europeia”… nunca existiram e estão longe de um dia existir, porque, se é verdade que os verdadeiros amigos se vêem sobretudo nas más ocasiões, também está a ser verdade que “a Europa dos grandes” cada vez se aproxima mais daquilo que, ainda no século XIX a levou a um europocentrismo cada vez mais nocivo à paz mundial, agigantando-se depois no princípio do século XX com a pretensa superioridade não só económica como, sobretudo, cultural, que a levou a retalhar o mundo e a dividi-lo entre si, à custa de muito sofrimento, devastação e humilhação, como só o colonialismo europeu soube fazer, tornando-se um inferno para si e para os outros, desencadeando, inclusívé, a primeira guerra mundial.
   
A fome e sede de poder europeias não parara, nem mesmo a disputa que se fazia já entre os “grandes” países europeus, afinal, os que mais equipados estavam para roubar, explorar e humilhar os mais fracos, os mais pobres e os mais vulneráveis.
   
Tudo serviu para que a escalada para o poder se concretizasse e tudo serviu para que a jogada no xadrez político internacional pós-Conferência de Berlim pudesse fazer o que afinal foi feito: assumir uma hegemonia que pela força das armas se foi consolidando, impondo-se como “grandes” quem da paz armada à grande viveu, até ao dia em que, pelas rivalidades económicas, pelos nacionalismos, pela ganância e pelo poder, no ano de 1914, uma guerra mundial fazia eclodir no Velho Continente que ensombrava mas não surpreendia o Mundo.
   
E a Europa sofria. Sofria o Mundo.
   
O mundo “dos pequenos”. Os “pequenos” da Europa.
   
Arrasados pela 1ª Guerra Mundial (1914 a 1918) que os velhos impérios centrais provocaram, nos quais se inclui, claro, o Império Alemão, o Mundo, a Europa, voltam a sentir os horrores da guerra quando, em 1939, desta vez de uma forma ainda mais trágica e hedionda, assistimos ao reforço do pior dos fascismos – o nazismo - animado pelos ideais de um monstro para quem a conquista de espaço vital e a crença na sua superioridade rácica também serviram para a afirmação da Alemanha face aos outros países e aos outros povos, nem que para isso se desprezassem os mais elementares direitos humanos, como o direito à dignidade e à vida, como, aliás, veio a acontecer.
   
Até onde vai a arrogância e prepotência de países como a Alemanha face às dificuldades económicas e financeiras de uma Grécia (e de nós próprios!) e à asfixia social e política que as suas exigências estão a provocar?
   
Este é o preço da hipocrisia.
   
O preço a pagar por uma Europa que, afinal, unida não tem sido, unida não tem querido ser e à mercê de vampiros continua.
   
Essa Europa seguidista, essa Europa servil à Alemanha e à sua líder, ao BCE, ao FMI, que aguardam o momento para desferir o golpe de misericórdia a quem tanto às suas mãos já sofreu, sobretudo desde a 2ª Guerra Mundial, e a quem tanto ainda devem mas vergonhosamente continuam a não pagar e a fingir desconhecer.
   
A Alemanha ainda não pagou a totalidade da sua dívida aos países que destruiu e pilhou durante a 2ª Guerra Mundial! E, no caso da Grécia, ascende a mais de 80 mil milhões de euros o valor da sua dívida ao Banco Central da Grécia, precisamente desde 1940!
   
E que falta de ética e de gratidão ter-se “esquecido” de quem a ajudou no derrube do “muro da vergonha”! De quem a ajudou na reunificação!


 De quem a ajudou a ser o que hoje é!   

 
Quando os ministros das Finanças da zona euro saudaram os significativos esforços já feitos pelos cidadãos gregos como consequência das medidas de austeridade, referindo, no entanto, que são necessários muitos mais para o país retomar o crescimento económico, revolto-me e pergunto:
   
Mais esforços? Até onde vai a resistência de um povo?
   
«O Eurogrupo está plenamente consciente dos significativos esforços já feitos pelos cidadãos gregos mas salienta também que são necessários mais esforços por parte da sociedade grega para fazer regressar a economia ao crescimento», declararam os ministros em nota divulgada em Bruxelas no final de uma longa reunião de mais de 13 horas.
   
Que cinismo! É esta a União Europeia que queremos?
   
O “ovo da serpente”em gestação?
   
Nazaré Oliveira

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Verão de 42

"VERÃO DE 42" - Dos filmes mais fantásticos que vi!
Um filme que marcou a minha adolescência, a minha juventude, o meu grupo de amigos.
Excelente em tudo, até na banda sonora que aqui vos deixo.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Que horror!

O Grito, de Edvard Munch

Quando soube que uma mulher de 38 anos, mãe de seis filhos, morrera hoje num hospital da capital francesa na sequência dos ferimentos causados por auto-imolação, fiquei horrorizada.
Uma mãe que procurava alojamento e ateara fogo a si própria, ontem, num edifício municipal de Saint-Denis, a norte de Paris.

Uma mãe que havia sido desalojada. Que procurava um tecto para os seus filhos. Que procurava sobreviver, certamente, como certamente até aí tinha feito.

Matou-se. Matou-se.

Ao ponto que chegámos! Ao ponto que levaram esta mulher, esta mãe!

Não interessam os pormenores. Interessa, sim, que uma pessoa foi levada ao limite do desespero e da revolta, matando-se.

Certamente, desamparada na vida e pela vida. Certamente, desamparada por tudo e por todos. Sobretudo, por todos.

Que mundo este, em que vivemos, que a tal situação faz chegar uma jovem mãe!

Que terror este, em que vivemos, que a cada dia que passa mais vai tirando a quem quase nada de si possui! A dignidade e até a vida!