Quando soube que uma mulher de 38 anos, mãe de seis filhos, morrera hoje num hospital da capital francesa na sequência dos ferimentos causados por auto-imolação, fiquei horrorizada.
Uma mãe que procurava alojamento e ateara fogo a si própria, ontem, num edifício municipal de Saint-Denis, a norte de Paris.
Uma mãe que havia sido desalojada. Que procurava um tecto para os seus filhos. Que procurava sobreviver, certamente, como certamente até aí tinha feito.
Matou-se. Matou-se.
Ao ponto que chegámos! Ao ponto que levaram esta mulher, esta mãe!
Não interessam os pormenores. Interessa, sim, que uma pessoa foi levada ao limite do desespero e da revolta, matando-se.
Certamente, desamparada na vida e pela vida. Certamente, desamparada por tudo e por todos. Sobretudo, por todos.
Que mundo este, em que vivemos, que a tal situação faz chegar uma jovem mãe!
Que terror este, em que vivemos, que a cada dia que passa mais vai tirando a quem quase nada de si possui! A dignidade e até a vida!
A imagem, vencedora do mais conceituado prémio de fotojornalismo do mundo, foi capturada pela mão do espanhol Samuel Aranda, durante os confrontos entre civis iemenitas e as forças do governo autocrático de Ali Abdullah Saleh.
Datada de 15 de Outubro, a fotografia foi tirada numa mesquita de Sanaa, capital do Iémen, que na altura fazia a vez de um hospital no acolhimento aos milhares de feridos dos confrontos políticos.
Ao retratar uma mulher vestida de negro a segurar nos braços um ente querido do sexo masculino, a imagem espelha o sentimento geral que cercou as revoltas árabes do último ano.
«Podemos nunca vir a saber quem é esta mulher que toma nos braços um parente ferido, mas estes dois desconhecidos, juntos, tornam-se a imagem viva da coragem dos vulgares cidadãos que protagonizaram um importante capítulo da história do Médio Oriente», justificou o presidente do concurso, Aidan Sullivan.
Sullivan afirmou ainda que a imagem assume contornos «quase bíblicos», notando-se uma certa semelhança com a composição da Pietá de Michelangelo, mas num cenário muçulmano.
«Vale para o Iémen como vale para o Egipto, para a Tunísia, para a Líbia, para a Síria, ou para tudo o que aconteceu durante a Primavera Árabe», acrescentou um dos membros do júri, Koyo Kouoh. «Mas mostra um lado intimista do que aconteceu ou está a acontecer nesses países e mostra o papel que as mulheres têm desempenhado, não só como prestadoras de cuidados mas como pessoas activas nos movimentos revolucionários».
A propósito desta notícia que li logo pela manhã, pensei, relativamente à Grécia:
Estão mal, muito mal, mas com a nobreza e dignidade necessárias para medidas destas tomarem em defesa dos mais vulneráveis.
No meio de mais uma crise do capitalismo que trucida os países mais frágeis e os torna (tornou) cada vez mais dependentes dos grandes centros financeiros e políticos mundiais, a Grécia, apesar de tudo, não tem mostrado a arrogância de muitos dos nossos ministros nem da nossa governação, prepotente, tendenciosa, perversa, bem ao jeito de quem está na Política não com espírito de missão e dedicação ao outro, mas, numa posição de subalternidade que em nada honra o orgulho de um país e que em nada enobrece quem por “nós” delegado foi para nos representar em nome de valores como a democracia e a soberania nacional.
Como lacaios à espera da recompensa, perfeitamente esvaziados do QUERER e do SER, estão estupidamente servis a todas as ordens de comando do grande capital, mesmo com o sacrifício e a morte lenta do seu povo, ao qual tudo se lhe pede e tudo se lhe tira, até a vida ou a dignidade com que a vivem.
Formatados no servilismo que os tem caracterizado, moldado e estupidificado, os nossos governantes levarão bem fundo a nossa indignação mas, também, a nossa miséria, a nossa fome.
Servos e senhores. Senhores e servos.
Não se olha a meios para resolver (mais uma vez) os graves problemas sociais que políticas desastrosas assentes num capitalismo devastador e desumano têm provocado.
Não se tem olhado para a História e há quem interessado esteja que dela nos esqueçamos.
Mas as guerras mundiais, ambas despoletadas pela Europa e iniciadas na Europa jamais se esquecerão, como jamais se esquecerá a prepotência de uma Alemanha dos horrores que, sobretudo a partir dos anos 30 do século XX, para sempre nos perturbou.
E essa, foi também uma Alemanha de incumprimentos – a Alemanha de Hitler -, o monstro nazi que, também em nome da grandeza da nação e da conquista de “espaço vital” deixou atrás de si um lastro de sangue que jamais se esquecerá.
No meio da crise actual e do desespero que a mesma tem causado, ainda há quem sensível seja e sensível se mostre perante o pior dos desesperos, que é dar dignidade a quem nem voz tem para se fazer ouvir.
Mais uma vergonha, o que está a acontecer na Síria! O massacre e a tortura dos que heroicamente, reivindicam a LIBERDADE, mas, sobretudo, a DIGNIDADE como país e como povo.
Que vergonha, a posição da Rússia na ONU! A posição da Rússia e a posição da China.
Vejam a posição do representante da Rússia!
Na O.N.U., os demais membros permanentes - Estados Unidos, França e Reino Unido - tentaram convencer principalmente a Rússia a aceitar a resolução. As negociações duraram toda a semana e continuaram até ao último minuto, ganhando intensidade após a denúncia do massacre em Homs, possivelmente o episódio mais violento desde o início da revolta contra Assad, há 11 meses. "É um dia triste para o Conselho de Segurança, para os sírios e para a democracia", disse o embaixador francês na ONU, Gerard Araud.
Arevés do porta-voz Martin Nesirky, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que o veto sino-russo à resolução "enfraquece o papel das Nações Unidas e da comunidade internacional neste momento em que as autoridades sírias deveriam escutar uma só voz, pedindo o fim imediato da violência contra o povo sírio".
Pouco antes da votação, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que oataque em Homs mostrou a "brutalidade impiedosa" de Assad e fez um apelo para que o Conselho de Segurança aprovasse a resolução.
"Assad deve pôr fim agora à sua campanha de assassinatos e de crimes contra o seu próprio povo. Deve dar um passo atrás e permitir que comece de imediato uma transição democrática", afirmou Obama, em comunicado.
Em Munique, onde líderes participaram de uma conferência sobre segurança, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, teve uma discussão acalorada com o chanceler russo, Sergey Lavrov, tentando convencê-lo a apoiar a medida.
O ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, considerou o massacre em Homs de “crime contra a humanidade” e enviou um recado para a Rússia dizendo que “aqueles que bloqueiam a adoção da resolução da ONU estão a assumir uma responsabilidade grave e histórica”.
Lavrov, porém, afirmou que a Rússia via dois problemas "cruciais" na resolução da ONU: poucas ressalvas à atuação de grupos armados de oposição e o potencial para prejudicar o diálogo nacional entre as forças políticas.
De acordo com o relatório da Amnistia Internacional, os manifestantes internados em hospitais estatais da Síria estão a ser sujeitos a tortura por parte dos médicos e enfermeiros.
Pacientes de, pelo menos, quatro hospitais geridos pelo Governo, foram torturados e mal atendidos por parte do 'staff'.
Tendo estado envolvidos no tratamento de protestantes feridos durante as manifestações, houve trabalhadores desses hospitais que também foram presos e torturados.
O relatório da organização para os direitos humanos revela que o Governo da Síria está a utilizar este método repressivo como forma de esmagar a oposição.
De acordo com o The Guardian, as autoridades sírias parecem ter dado 'carta branca' às forças de segurança para identificarem e torturarem manifestantes feridos e hospitalizados.
Um médico do hospital militar da cidade de Homs garantiu à Amnistia Internacional que viu quatro médicos e mais de vinte enfermeiras a agredir pacientes.
Entrevistada pela AI, uma testemunha - que se encontrava na sala de espera do hospital de Tel Kelakh - conta que viu um homem inconsciente ser entregue no hospital após um confronto com as forças de segurança. Ao acordar «estava rodeado de sete ou oito seguranças e de algumas enfermeiras. Quando abriu os olhos e disse: 'Onde estou?', o grupo que o rodeava começou subitamente a agredi-lo».
Neste momento os feridos evitam os hospitais públicos e procuram tratamento em hospitais privados, caso tenham possibilidades para tal, ou em hospitais de campanha mal equipados e com poucas condições.
O alto-comissário da ONU para os direitos humanos calculou que pelo menos 2.600 pessoas já terão morrido na Síria desde Março, mês em que se iniciaram os protestos contra o regime e a subsequente repressão das forças de Bashar al-Assad, presidente do país.
O número foi revelado por Navi Pillay, alto-comissário da ONU para os direitos humanos que sustenta a informação em «fontes credíveis presentes no terreno», ao memo tempo que classifica a situação síria como «ainda terrível» à medida que as forças do regime prosseguem os seus actos de repressão.
A ONU intensifica o seu alerta pois, defende Pillay, o panorama agravou-se «desde que o Conselho de Direitos Humanos e o Conselho de Segurança aprovaram uma resolução na matéria».
As declarações, proferidas esta segunda-feira a partir de Genebra, sede da organização, surge no mesmo dia em que o seu conselho anunciou que três peritos independentes em direitos humanos vão coordenar uma investigação internacional na Síria incidente sobre os abusos de direitos humanos.
No Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, quero homenagear todos os lutam contra este cobarde invasor e destruidor das suas vidas, e quero homenagear, também, todos os que estudam e tentam travar este temível e terrível adversário, procurando a sua cura através de um trabalho e de um estudo que, em Portugal, é "tão esquecido" e tão pouco divulgado nos media, ao contrário dos golos , dos jogos e vidas privadas de alguns futebolistas, treinadores, de alguns dirigentes de clubes, de alguns models, das novelas, da dita socialité, de certos e certas apresentadoras de TV, de certos e certas cantoras "feitas à pressa", de certos atores e atrizes, de muitos e muitos gestores e banqueiros, de muitos e muitos deputados e ministros, enfim, de um triste país, pequeno país, que se encosta às pequenas coisas de mesquinha gente, esquecendo quem GRANDE O FAZ OU VAI FAZENDO, discretamente, humildemente, quase em silêncio!
Uma palavra de apreço, também, para os médicos e enfermeiros que dedicadamente trabalham nos hospitais e que tornam melhores os dias dos doentes oncológicos e os ajudam a suportar uma dor que breve os levará, com um sorriso, com dignidade, mesmo sabendo que o fim do caminho se avizinha e que sempre deles se abeirou, sem esquecer os que fazem do voluntariado nesta área uma forma, também, de amarem e de se darem a quem mais precisa.
No entanto,tal como disse o Presidente do Colégio de Oncologia (3.2.2012), é lamentável que continue a não haver um plano nacional que identifique necessidades e meios para diagnosticar e tratar o cancro, lembrando que os doentes andam “perdidos" e sem orientações concretas sobre os tratamentos.
Jorge Espírito Santo (JES), chamou a atenção para o facto de, em Portugal, "a doença oncológica ser o parente pobre" da área da saúde, lembrando que “há muita coisa para fazer”, sobretudo numa altura dramática como a que vivemos, na qual serão (e já estão) a ser duramente e desumanamente tratados estes e outros doentes crónicos, sem meios para continuar os tratamentos, sem dinheiro para a compra de medicamentos, para o aluguer de táxis, ambulâncias, para pagamento de exames auxiliares de diagnóstico específicos, sem falar da fome que grassa já nas suas casas e da falta de condições que a invernia vem agravando, estes, estes pobres doentes condenados, são o pior dos rostos da desgraça à qual o capitalismo selvagem os lançou, o pior dos rostos de uma justiça social e de uma política económica e financeira que continua a não olhar a meios para atingir os seus fins, mesmo que esse fim seja o pagamento de uma dívida para a qual nunca contribuíram, desgraçadamente secundarizados que estiveram, sempre, das luzes da ribalta, sempre negadas, sempre vedadas, até no momento em que uma morte digna seria o mínimo que um país decente deveria facultar para quem sempre dedicado lhe foi e até servil.
Este país não está a ser sério nem justo com as políticas de saúde que tem implementado! Sobretudo para com os doentes oncológicos e os doentes crónicos!
No caso dos doentes oncológicos, a Liga Portuguesa Contra o Cancro - Núcleo Regional Norte (LPCC/NRN)e, refere que Portugal gasta muito menos com um doente oncológico do que a média da União Europeia.
Segundo um estudo divulgado em 2009, a verba aplicada em Portugal em doentes de cancro representava 3.9 por cento do orçamento para a saúde, contrastando com os 8.15 por cento que representam os gastos com as doenças cardiovasculares e, de acordo com os números do INE relativos a 2010, os cancros na laringe, brônquios e pulmão são os que provocam mais mortes em Portugal (4.046), seguindo-se o cancro do cólon (2.650 mortes), do estômago (2.323), do tecido linfático (2.009) e da próstata (1.786 casos mortais registados).
«Os recursos que são consumidos no combate ao cancro - desde a prevenção até aos cuidados paliativos - são muito mais baixos do que o impacto que a doença tem na sociedade», defendeu JES.
Lembrando o «bolo global da área da saúde», o especialista critica o facto de a fatia gasta com o cancro ser «muito mais pequena do que o impacto da doença na sociedade».
Recordo que, segundo dados da Liga Portuguesa Cotra o Cancro, em 2010 morreram 42 mil pessoas, mais 20 por cento do que no ano anterior, edeverá «dentro de cinco a seis anos» tornar-se na principal causa de morte no país, ultrapassando as doenças cardiovasculares.
Três anos passados sobre a divulgação da Carta de Princípios de Coimbra e terminada a vigência dos quatro Planos Oncológicos Nacionais, “não temos nada para os substituir”, disse JES, acrescentando que "não se pode intervir numa área tão importante como o combate ao cancro sem envolver todos os atores: a ordem, as sociedades científicas e os doentes”.
E a sensibilização e sensatez dos nossos políticos, digo eu, quando propõem e, sobretudo, quando votam medidas legislativas que continuam a penalizar quem mais penalizado não pode estar – os condenados com esta doença (o cancro) – e o sofrimento horrível e indescritível dos seus familiares que, em silêncio, sufocam a dor e a raiva de uma morte anunciada.