quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Contra as touradas, Barrancos, e outros que tais... Boicote!



A s pessoas que são contra as touradas, sabendo como sabem quais as terras onde esta crueldade e tortura é apoiada e aprovada pelas Câmaras Municipais, com o caso vergonhoso de Barrancos no topo do rankink sanguinário, para quem a lei abriu uma excepção, apadrinhada por políticos e figuras públicas que há muito perderam a minha consideração… quem é contra as touradas e conhece gente que publicamente as promove e defende, tudo fazendo para sair nas capas das revistas cor-de-rosa ou nos pasquins habituais, mesmo diários nacionais, em poses e sorrisos de um cinismo inqualificável, a troco de borlas, sempre as borlas e a publicidade que desesperadamente procuram seja onde for, para dar nas vistas, para se tornarem aquilo que pensam ser mas que nunca o serão: pessoas com classe, carácter e postura cívica...

BOICOTEM! BOICOTEM!

NÃO COMPREM PRODUTOS DE BARRANCOS NEM DE OUTRAS TERRAS ONDE SE PROMOVEM E FAZEM TOURADAS!

NÃO VISITEM TERRAS ONDE A TOURADA É APOIADA DESCARADAMENTE E UTILIZADA “PARA O TURISMO”!

NÃO COMPREM LIVROS DOS ESCRITORES/ESCRITORAS QUE SORRIEM MARAVILHADOS E EXCITADOS NO CAMPO PEQUENO E EM TANTOS OUTROS CAMPOS PEQUENOS ESPALHADOS PELO NOSSO PAÍS!

NÃO COMPREM REVISTECAS BALOFAS COM AQUELAS CARAS QUE NÓS CONHECEMOS, DE GENTINHA DECADENTE, PRESUNÇOSA, BALOFA POR DENTRO E POR FORA!

NÃO COMPREM JORNAIS QUE PATROCINAM AS CORRIDAS DA MORTE!

NÃO VÃO A TEATROS OU OUTROS ESPECTÁCULOS ONDE OS ACTORES/ACTRIZES SEJAM PUBLICAMENTE CONHECIDOS PELA SUA AFICCION À TAUROMAQUIA!

NÃO VEJAM CERTOS CANAIS DE TV NOS DIAS EM QUE TÊM AGENDADAS TRANSMISSÕES DE TOURADAS!

NÃO ASSISTAM A PROGRAMAS CUJOS APRESENTADORES ASSUMEM, DESCARADAMENTE E OFENSIVAMENTE, O SEU AMOR ÀS TOURADAS!

NÃO COMPREM CERVEJAS DE MARCAS QUE PATROCINAM OSTENSIVAMENTE ESTA BARBARIDADE!

UTILIZEM AS REDES SOCIAIS E A FACILIDADE E RAPIDEZ QUE ELAS PERMITEM, SOBRETUDO EM FÉRIAS, PARA DIVULGAR AS CRUELDADES QUE SE COMETEM CONTRA TOUROS E ANIMAIS EM GERAL!

DENUNCIEM OS CRIMINOSOS E COBARDOLAS QUE COMETEM ATROCIDADES CONTRA OS ANIMAIS, LIGANDO DE IMEDIATO PARA A GNR, PSP, SEPNA...

COMENTEM ARTIGOS NOS JORNAIS, FACEBOOK E OUTROS! TODO O ANO!

DIFUNDAM, DIFUNDAM E ASSINEM AS PETIÇÕES QUE VOS CHEGAM PARA A DEFESA DOS ANIMAIS, PARTICULARMENTE, CONTRA AS TOURADAS E PARA QUE HAJA, URGENTEMENTE, LEGISLAÇÃO QUE DEFENDA OS ANIMAIS E PUNA EXEMPLARMENTE OS SEUS AGRESSORES E ASSASSINOS!

COMPAREÇAM NAS ACÇÕES DE RUA QUE AS ORGANIZAÇÕES DE DEFESA ANIMAL ORGANIZAM, MESMO QUE ISSO VOS CUSTE!

FAÇAM-SE SÓCIOS DE UMA DESSAS ORGANIZAÇÕES PAGANDO UMA QUOTA SIMBÓLICA MAS QUE MUITO PODE AJUDAR!

SEJAM UNIDOS E PARTILHEM AMIZADES (NO FB, POR EXEMPLO!) COM PESSOAS QUE ESTÃO NESTA LUTA PELA DIGNIDADE PARA TODOS OS ANIMAIS, PARA QUE HAJA MAIS MOTIVAÇÃO ENTRE NÓS E MAIS FORÇA PARA A VITÓRIA!

NÃO TENHAM VERGONHA NEM MEDO DE DEFENDER QUEM SÓ DE NÓS DEPENDE!


Por algum lado temos que começar a endurecer a luta, não acham? E quem é contra as touradas não pode ficar-se "pelo sofá", pelas palavras e intenções!

Tem que dar, deve dar também testemunho público, inequívoco da sua posição, seja no seu local de trabalho, no seu bairro, no seu grupo de amigos, no seu blogue, no Facebook…

"Querer é poder", sim, mas AGIR é que é preciso. E depressa!

Em torno das organizações de defesa dos animais que existem por esse país fora, com um trabalho notável e que muito admiro.

RAZÃO JÁ ATEMOS, MAS, SÓ A UNIÃO TRARÁ O QUE DESEJAMOS!

Custa? Sim, muito, como todas as lutas contra a estupidez e os mentecaptos.

No caso da luta contra as touradas não pode haver meio-termo: ou somos ou não somos a favor. Se somos contra, lutemos, caso contrário, também esperaremos 48 anos que alguém faça alguma coisa por nós, quer dizer, pelos pobres animais barbaramente torturados muitas e muitas vezes e muitos e muitos meses antes da “lide” e barbaramente humilhados e lentamente assassinados no dia do terror, no principal mês do terror – Agosto - com carrascos cujo sorriso prenuncia o sacrifício e a imolação de inocentes.


Nazaré Oliveira

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Terra de Lobos


A chacina de lobos desencadeada pelos conquistadores do Oeste Americano ainda permanecia viva na memória daquela pequena cidade de Montana. Buck Calder, o impiedoso rancheiro que a dominava, alimentava aliás o ódio dos habitantes para com aqueles animais. Protegida pelo sistema legal, a bióloga Helen Ross chega à cidade empenhada em defender aquela espécie agora em vias de extinção. Para isso, vai ter de enfrentar uma população revoltosa e assustada e de gerir a forte paixão que irá nascer entre ela e o filho do seu maior inimigo.

Um romance épico acerca do amor redentor e do inquietante confronto entre o homem e a natureza.

Livro que recomendo vivamente. Magnífico! Desde a primeira à última página!

Nicholas Evans, Terra de Lobos. Editorial Presença, colecção Grandes Narrativas, nº 87, 1ª ed., Lisboa, 1999.


Baseado noutra obra deste autor - O encantador de Cavalos -  o  excelente filme (1995) com o mesmo título e interpretações brilhantes de Robert Redford (que também é o realizador), Kristin Scott Thomas, Sam Neill e Dianne Wiest (género drama).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Linha do Tâmega, Linha do Corgo, Linha do Tua, Linha do Douro…






  






Quem como eu, desde a minha infância, fazia viagens pela Linha do Tâmega, Linha do Corgo, Linha do Tua, Linha do Douro…viagens de sonho que poucos portugueses conheceram, certamente se recorda das paisagens únicas que do comboio se viam.

De Chaves, Vidago… a Vila Real… de Vila Real até ao Porto…Que saudades!

Por montes e vales, aqui e além salpicados pelo brilho dos rios que preguiçosamente serpenteavam por entre a pedernia, eu tive o privilégio de ver e sentir o trabalho do Homem, contra a dureza da terra, o sol abrasador, pelo pão e pelo vinho, pela Vida.
Num cenário mágico de linhas ondulantes, os socalcos percorriam em espiral os declives das serras num abraço fraterno entre o céu e a terra, numa mística única que nos arrebatava e extasiava para sempre.

Eu via e sempre vi com os olhos e com o coração.

Menina curiosa, que tudo olhava, sentindo, estendia o meu olhar até ao fundo dos vales e aí me prendia, numa geometria mais-que-perfeita da Natureza, como se nada de mais belo pudesse existir ou voltar a ver.

Perdia o meu olhar no verde dos pinheiros, das urzes e das flores silvestres, tantas, à nossa passagem e ao nosso olhar, vagarosamente acompanhado pela máquina que subia, subia, seguia, seguia, puxando, puxando, carruagens felizes com gente como eu.

Numa tela colorida pelo sol quente, muito quente, e que uma pequena aragem perfumava, chegava até mim aquele aroma magnífico de pinheiros, giestas e urzes em flor, como uma saudação ou abraço.

Parar nas estações da CP ao longo destas linhas, era uma lição de História. História de Arte. História da Vida e de vidas.
E o meu olhar prendia-se cada vez mais a tudo isto, tal a beleza e a diversidade de cores, sons, cheiros e emoções!

Nesta altura, ainda pequenita, não tinha máquina fotográfica, não tinha dinheiro nem mesada, ainda não havia televisão na minha terra, não tinha bicicleta, não sabia o que significava passar férias "fora", sabia que era duro viver em Trás-os-Montes, que havia uma capital que era Lisboa, que conhecia o mar e que o mar era lindo, sim, mas era longe, na terra da avó. Sabia que os meus pais eram os meus heróis e iam continuar a sê-lo, pela luta que travavam e pelo esforço que faziam para sermos crianças felizes, ainda que para isso sentissem no corpo e na alma a dureza de um regime que lhes negou sempre uma vida sem inquietações, a paz e o sossego. Conseguiram fazer de nós  crianças deslumbradas com as maravilhas da mãe-terra, encantados que ficávamos com as coisas simples, puras, vibrando com a Natureza como quem sorve a última gota de vida, abraçando-a com os olhos e guardando-a na alma. 
Vidago, Chaves, Vila Real, Porto – as terras que me viram crescer até aos 10 anos, altura em que foi preciso sair, partir, fugir.

Mas estas imagens mantiveram-se e mantêm-se vivas. Estas paisagens, estas cores, o aroma intenso que do verde se soltava… e o vento a sussurrar aos pinheiros… o cinzento matizado do granito, o azul brilhante dos rios onde o sol poisava, sorrindo, os azulejos das estações, os comboios, a fagulha que teimosamente entrava nos olhitos, o carvão que enfarruscava o rosto… Oh, máquinas a carvão! O “Texas” e não só!

No fundo, fui uma menina com uma infância feliz.

Enchi o coração com a beleza das serras e dos montes, brinquei na rua, a cantar, saltar à corda, à bilharda, à macaca, com amiguinhos, cães, gatos, burros, cavalos, pintainhos, bois e boizinhos, sem horas, sem medos, sem fome, no riacho que a cantar me encantava e onde barcos de folhas pousava com risos e sonhos pequeninos da minha enorme alegria!

E que bom que era ir até lá, sobretudo ao fim da tarde, das tardes quentes de Verão!

Que bom que era o cheirinho a terra molhada quando as regas começavam nas hortas e, num manto de trevos e erva fresca, sentar-me para ver os sapos, as rãs, peixes cintilantes, melros, andorinhas, pardais, lagartos, lagartixas, abelhas, borboletas multicores, pequenos insectos... e vê-los livres, livres, iguais a mim.

As lavadeiras apanhavam já a roupa que corara, brilhara e secara  no cimo de pedras e arbustos!

Ao longe, na pequena ponte, passava o comboio.

Eu acenava-lhe e dizia "Até amanhã!”.


Nazaré Oliveira





Para conhecer mais:

Fotos de:

1ª República, uma aurora de esperança

Revoltosos nas barricadas da Rotunda (Lisboa) 1910


Os historiadores dizem, com razão, que a 1ª República durou escassos dezasseis anos, de 1910 a 1926, mas criou no nosso País uma aurora de esperança.
Abriu-se, depois, um largo e doloroso período, em que as liberdades públicas e os direitos humanos foram suprimidos, de 1926 a 1974, intitulado, sucessivamente: Ditadura Militar, Ditadura Nacional, Estado Novo e Estado Social. Mas foi sempre e só, Ditadura, apoiada na repressão policial, na censura, nos tribunais plenários e na polícia política (Polícia de Informações, PVDE, PIDE e DGS), inimiga das liberdades, com a supressão das garantias individuais e dos Partidos e dos Sindicatos.
O regime ditatorial, nas suas diversas formas, bloqueou Portugal, por quase 48 anos. Foi responsável pelas guerras coloniais – contrárias à tradição portuguesa, cujo melhor exemplo de auto-determinação é o Brasil – pelo isolamento internacional, pela miséria do Povo, forçado a abandonar Portugal em vagas sucessivas de emigração, e pela mordaça permanente da liberdade de expressão e da repressão dos que pensavam diferente.
A libertação chegou com a Revolução dos Cravos, pioneira na Europa e na Ibero-América, legal e democraticamente instituída, com as primeiras eleições livres de 1975 e a elaboração da Constituição de 1976.
(…) Como é conhecido, a 1ª República criou um Estado Laico (não confessional) e foi pluralista e pluripartidária, garantindo a liberdade, nos seus diversos aspectos, apostando na instrução dos portugueses, no civismo, no associativismo e no progresso.
Mas, foi perturbada, no curto espaço da sua vigência, pelas incursões monárquicas, vindas de Espanha, pelo norte, por duas tentativas ditatoriais – Pimenta de Castro e Sidónio Pais – por contra-revoluções e sucessivos actos de violência.
Cometeu também alguns erros graves, que devem ser estudados, para não serem repetidos na nossa 2ª República. Dou como exemplos: as perseguições à Igreja Católica, que não foram compreendidas pela maioria dos portugueses, o tratamento demasiado severo contra os sindicatos e o operariado em geral, a falta de igualdade no tratamento dos dois sexos, apesar da plêiade de mulheres republicanas que se destacaram e, talvez, a própria intervenção de Portugal na guerra, apesar dos argumentos patrióticos com que os líderes republicanos a justificaram. Contudo, a guerra prolongou-se muito mais do que os republicanos julgavam e, as consequências negativas que dela resultaram foram muito pesadas...
No entanto, o legado que a 1ª República nos deixou foi enorme, bem como o exemplo de ética republicana dos seus grandes líderes, que marcaram os portugueses de sucessivas gerações e se manteve até hoje.
Com efeito, não podemos esquecer a gesta heróica da resistência ao fascismo de tipo salazarista, com gerações e gerações de sacrificados, de todos os Partidos e ideologias: desde os republicanos do chamado revira lho, aos maçons, aos anarquistas, aos católicos progressistas, aos comunistas, aos socialistas, e até a alguns monárquicos como o próprio Paiva Couceiro, Afonso Lopes Vieira, Rocha Martins e os integralistas como Pequito Rebelo, Hipólito Raposo e Rolão Preto, entre tantos outros.
Realmente, a resistência à Ditadura sempre se reclamou dos ideais de tolerância e liberdade da 1ª República, cujos valores nos continuam a orientar, no quadro político e ideológico muito diverso da nossa 2ª República.
(…)

Lisboa, 10 de Fevereiro de 2010

[Mário Soares] in site da Fundação Mário Soares

De Amor e de Sombra


Que livro fantástico! Que história tão bela, esta, do amor entre dois jovens, Francisco e Irene, apesar de ameaçada pela sombra da ditadura de Augusto Pinochet.

Irene, jovem jornalista aristocrata, que vive à margem da política, completamente alheia às atrocidades cometidas pela ditadura militar; Francisco, fotojornalista oriundo de uma família da baixa burguesia, de esquerda, que sobrevive com dificuldades.

Uma história de amor intemporal. Uma sensibilidade incrível que Isabel Allende mostra mais uma vez e, como sempre, a sua posição contra a ditadura, contra os regimes ditatoriais, sanguinários, neste caso, o de Pinochet, com dezassete anos de brutalidade e crueldade sobre o povo chileno - os pobres, os perseguidos por razões políticas, os torturados, os exilados, os que lutam pela liberdade e justiça social.

É simplesmente magistral a forma como Isabel Allende enlaça a História nos seus romances e nos reaviva a memória colectiva e a consciência histórica.

"De amor e de Sombra" é, também, a luta dos que acreditam que outra sociedade é possível, onde a ética política e os direitos humanos sejam a realidade há tanto desejada e justamente reivindicada.

A propósito deste seu livro, diz Isabel Allende:

Esta é a história de uma mulher e de um homem que se amaram plenamente, salvando-se assim de uma existência vulgar. Trouxe-a na memória conservando-a para que o tempo não a desgastasse e é só agora, nas noites silenciosas deste lugar, que finalmente posso contá-la. Fá-lo-ei por eles e por outros que me confiaram as suas vidas, dizendo: toma, escreve, para que o tempo não o apague.

Nazaré Oliveira

Isabel Allende. De amor e de Sombra. Difel, Difusão Editorial, S.A., 11ª edição, 1997.


Para saber mais: