terça-feira, 5 de julho de 2011

Erradicar a fome





Quando li a notícia sobre a eleição do brasileiro José Graziano da Silva,  61 anos, como novo director-geral da Organização das Nações Unidas para a FAO -  Agricultura e Alimentação,  em 2012, para quem "erradicar a fome no mundo não é a missão impossível que muitos acreditam ser”, fiquei feliz e senti mais uma vez uma esperança renovada no Homem e na sua capacidade de bem-fazer. Esperança e confiança na política e em políticos como este.
Assim os países que mais podem possam apoiá-lo nesta missão gigantesca, tão importante e tão urgente. Apoiá-lo de facto, não só com palavras mas sobretudo com meios. Assim o queiram, porque impossível não é. O próprio J. Graziano da Silva acrescenta que se existe consenso mundial em alguma coisa que diga respeito à FAO,  é de que a existência de 925 milhões de pessoas com fome no mundo não é razoável, sustentável nem admissível, e simultaneamente, de que o funcionamento da FAO não é eficiente, transparente e racional.
De facto, vivemos num mundo onde cada vez mais o desenvolvimento técnico e científico se vê e sente, nem sempre ao serviço do bem comum e nem sempre ao serviço do lado certo e justo da vida.  Um mundo onde cada vez mais assistimos à escalada do poder de certas nações e à sua afirmação no contexto internacional, através dos seus arsenais militares e nucleares ou do petróleo e diamantes que enriquecem as elites no poder, com o sacrifício do seu próprio povo, irremediavelmente condenado à morte pela fome,  pela guerra,  pela escravização, e perfeitamente subjugados ao primitivismo cultural de práticas altamente ofensivas aos direitos humanos.
Muitos destes países, numa estratégica diplomática claramente tendenciosa e perversa, trocam vidas por poder e fazem da ganância a sua bandeira.
Os países democráticos não podem continuar a pactuar com governos e políticos que promovem a corrupção e a injustiça, o genocídio e o terror.
A luta contra a fome é um dos 25 Objectivos do Milénio definidos pelas Nações Unidas e a meta é reduzir para metade o número de pessoas subnutridas até ao ano de 2015.
Em 2010,  a subnutrição no mundo caiu pela primeira vez em 15 anos, de 1,02 mil milhões de pessoas para 925 milhões, cerca de 13% da população mundial. De qualquer modo, nunca nos poderemos dar por satisfeitos enquanto soubermos que milhões e milhões morrem de fome enquanto outros,  esbanjando, sucumbem face ao consumismo obsceno e aterrador de um mercado selvagem que os torna cada vez mais presa fácil do capitalismo.
Para se cumprir o objectivo, o valor referido terá de ser reduzido até aos 400 milhões de pessoas nos próximos três anos.
Homem experiente e com trabalho feito no Brasil durante o governo de Lula,  Graziano da Silva, considera que erradicar a fome é uma meta razoável e alcançável. Para ele,  a actual alta do preço dos alimentos não é apenas uma situação pontual que inevitavelmente continuará a ter efeitos muito adversos nas nações mais pobres e mais dependentes da importação de bens alimentares. "A questão dos preços dos alimentos é uma das mais urgentes e à qual devemos dar atenção particular pois este não é um desequilíbrio temporário". "É preciso chegar a uma estabilização dos mercados financeiros internacionais, caso contrário haverá reflexos sobre as cotações das matérias-primas".
Quanta instabilidade e cenários de morte todos os dias se observam nas TVs, jornais, revistas, provocados pela falta de alimentos ou pela carestia dos mesmos!
Alastra assustadoramente a geografia da fome no mundo inteiro!
Segundo as estimativas do Banco Mundial,  44 milhões de pessoas entraram na pobreza desde Junho de 2010.
Numa altura em que sistematicamente se fala dos biocombustíveis ou do monopólio das multinacionais sobre as sementes, que ele  considera (e bem)  um bem da humanidade, convém não perder de vista que a utilização de colheitas agrícolas na produção de combustíveis alternativos deve ser urgentemente analisada para não redundar em injustiças cada vez maiores e com consequências muito mais perversas.
Impõe-se a ponderação séria e rigorosa na busca da equidade e sustentabilidade do planeta. E os países mais ricos e os mais pobres devem encetar diálogos e programas inequívocos nesse combate à fome implementando-os com a seriedade que se exige na defesa dos mais desfavorecidos pela sorte e pela sociedade.
"Pretendo agir de forma transparente e democrática para tentar conseguir um consenso mínimo para gerir de modo participativo esta organização e evitar a paralisia", declarou Graziano da Silva imediatamente após a sua eleição. "De forma mais diplomática",  reconhecendo no seu programa eleitoral que a FAO experimentara "um longo período de negligência com a agricultura, a pesca, as florestas, o desenvolvimento rural e a segurança alimentar no mundo".
Força, amigo!

"Um por todos e todos por um"

sábado, 2 de julho de 2011

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cântico negro

José Régio, um dos meus poetas preferidos, nascido em Vila do Conde, terra que adoro e da qual tenho saudades.
O seu livro "Poemas de Deus e do Diabo" foi dos primeiros que li na minha adolescência.
Aqui, um dos seus extraordinários trabalhos: Cântico Negro.


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"? Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou.
Sei que não vou por aí!





Pequena biografia:

José Régio, pseudónimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras, em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença" e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

Voltar à terra para superar a crise

(artigo que publiquei em O Comércio da Póvoa, edição de 2 de Fevereiro de 2011)

 

 1. Numa intervenção pública que fiz em Maio de 2005 (1) referi-me aos espaços de floresta, que têm de ser ordenados correctamente, e à importância da agricultura que ocupa a maior extensão territorial do concelho onde vivo. Já então me era óbvia como actividade de inúmeras pequenas empresas familiares e objecto de algumas associações de produtores com importância regional e até nacional. E por isso, defendi que era urgente potenciar a Agricultura e o mundo rural criando um Departamento Municipal do Desenvolvimento Rural. Os objectivos e a acção de uma tal estrutura teriam como objectivo o correcto ordenamento do território, a defesa dos recursos naturais e a sustentabilidade dos ecossistemas e da paisagem, a contribuição para a criação de um banco de terras destinado aos novos agricultores, a formação e o aconselhamento técnico, a promoção da agricultura biológica, a valorização e divulgação dos produtos de cultura mediterrânica, a canalização de apoios à agricultura familiar, o estímulo ao sector cooperativo agrícola e a criação de condições para o estabelecimento local de unidades ligadas à indústria agro-alimentar. Nesse desiderato caberia fazer a ligação entre a agricultura e a educação, criando uma Quinta Pedagógica, mas também, a ligação entra a Agricultura e a Saúde, porque, como alguém disse, “nenhuma actividade humana, nem mesmo a medicina, tem tanta importância para a saúde como a agricultura”. Nesse contexto esse Departamento Municipal do Desenvolvimento Rural teria um especial cuidado no acompanhamento e apoio à implementação de sistemas de Análise de Riscos e Controlo de Pontos Críticos nos locais de produção, com vista a contribuir para a segurança alimentar.
2. Nessa altura era a leitura de uma realidade local, das suas fragilidades, mas também das suas potencialidades que me motivavam. A seguir a leitura alargou-se, olhando para o país e para o nosso quotidiano e fez-me perceber com maior clareza a importância do regresso á terra como condição de desenvolvimento!
Ao ler uma reportagem de José Manuel Rocha, no jornal Público, a par de algumas escassas boas notícias, confirmou-se a tendência preocupante do abandono da terra que se traduz na perda de 500.000 hectares de espaço arável e no desaparecimento de 112.000 empresas agrícolas, no período compreendido entre 1999 e o ano passado!
Não é de estranhar por isso a nossa insuportável dependência alimentar no estrangeiro: o défice da balança alimentar cresceu 23,7 % na mesma década.
A conclusão é óbvia: sem independência alimentar não há independência nacional. Pedro Queiroz, director-geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), reconhece que este é um problema de soberania alimentar (que decorre das opções feitas ao tempo dos governos de Cavaco Silva e seguidas em grande parte pelos governos seguintes, digo eu) e que se materializou em “anos e anos de uma política agrícola comum que nos fez desinvestir na produção".
A situação é preocupante mas na sua resolução pode estar uma parte importante da superação da crise que vivemos.
3. Em Junho de 2003, o Presidente Lula foi à Cimeira do G8, em Evian, sugerir a criação de um fundo mundial de combate à fome, prioridade do seu programa político interno, depois de ter levado o projecto ao Fórum Mundial de Porto Alegre e ao Fórum Económico Mundial de Davos. O objectivo era reunir num fundo global todos os recursos de ajuda ao desenvolvimento dispersos em vários projectos.
Depois disso, Lula manteve a coerência no discurso e na prática. Entretanto, no passado dia 10 de Maio, o presidente do Brasil voltou a afirmar que a pobreza só será vencida se a agenda política lhe der prioridade na elaboração do orçamento de cada país. Lula argumenta com a evidência: “Se a gente espera sobrar dinheiro do orçamento para cuidar da fome, nunca vai sobrar, porque os que têm acesso ao orçamento são gananciosos, querem todo o dinheiro para eles e não fica nada para os pobres”. Neste sentido, “se os dirigentes políticos do mundo não estiverem, quotidianamente, comprometidos com as pessoas que estão em pior situação, fica mais difícil tomar decisão em benefício dos mais pobres”. “Somos eleitos pelos mais pobres”, afirmou o presidente, “mas quando ganhamos as eleições, quem tem acesso aos gabinetes dos dirigentes não são os mais pobres – são os mais ricos”.
Estas declarações foram feitas na abertura da reunião Diálogo Brasil/África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, no Palácio do Itamaraty, na qual participam representantes dos países africanos, ministros e especialistas. O encontro teve por objectivo debater alternativas para promover a agricultura, a segurança alimentar e o desenvolvimento rural, de modo a intensificar a cooperação entre o Brasil e os países africanos.
Lula insiste que “Precisamos garantir o café da manhã, o almoço e a janta porque quem tem fome não pensa. A dor no estômago é maior do que muita gente imagina, e a pessoa que tem fome não vira revolucionário, vira submisso, pedinte, dependente. A fome não faz o guerreiro que gostaríamos que fizesse. A fome faz um ser humano subser-viente e humilhado, sem força para brigar contra seus algozes, que são responsáveis pela fome”.
4. Em Portugal, onde a pobreza vai silenciosamente mordendo cada vez mais pessoas, é triste ver que, apesar das excepcionais características físicas e climáticas do território, depois de cedermos a políticas que, ao contrário de levar à superação dos diversos condicionalismos que atrasavam o desenvolvimento da agricultura e das indústrias agro-alimentares (ao nível das mentalidades, da propriedade fundiária desadaptada do interesse comum, da inexistência de instrumentos legais eficientes, das erradas políticas de subsídio que destruíram o sector produtivo primário…), para ceder aos interesses de outros países da União, Portugal depende hoje, de forma assustadora e insustentável, do estrangeiro.
Há muito que é para mim incontornável voltar à terra. Será mesmo, não apenas um caminho indispensável do desenvolvimento sustentável, mas uma condição de sobrevivência. E talvez se encontre aí, se quisermos, uma oportunidade para um projecto mobilizador, um desígnio nacional, neste tempo de falta de esperança e de tristeza colectiva. (2)
Se os Governos se dispõem a empregar fartas verbas do erário público na construção de auto-estradas, aeroportos e transportes de alta velocidade, porque não reorganizar as prioridades do investimento público e dedicar uma parte desse esforço para criação de unidades de produção agrícola piloto, disseminadas por todo o território nacional de acordo com as características e as vocações dos lugares, aproveitando o conhecimento e a tecnologia existentes, e estimulando deste modo o regresso à terra? Estou convicto de que um tal movimento poderia dar o impulso necessário ao aproveitamento dos recursos nacionais, físicos e humanos, criando uma fonte sustentável e estrutural de riqueza colectiva.
5. Uma das razões do sucesso do Brasil contemporâneo está em não descuidar as potencialidades internas, a qualidade de vida das suas populações e as actividades relacionadas não apenas com o comércio, a indústria e os serviços, mas também com os negócios agrícolas. Nesse sentido vem apostando na agro-indústria, voltada para o mercado internacional e para o fornecimento local, prossegue a Reforma Agrária e cuida da agricultura familiar como instrumento ao serviço da inclusão social de milhões de brasilei-ros.
Por cá, depois de termos desprezado as nossas potencialidades e arrastado para as periferias urbanas tantas pessoas vindas do campo, levados estupidamente por subsídios ao abandono da terra, na lógica de uma política agrícola desenhada à medida dos interesses dos grandes produtores dos países ricos, estamos perdidos numa insustentável dependência alimentar em relação ao exterior. Por isso, não há tempo a perder se queremos reduzir o deficit e relançar a economia em bases sólidas. Um dos caminhos é fazer com a agricultura e as pescas, por exemplo, o que se está a fazer, com previsível vantagem, no sector da produção de energia, desenvolvendo as energias renováveis, eólica, hídrica e solar (térmica e fotovoltaica), num país dotado pela Natureza de excelentes condições de vento, de rios e de tempo e quantidade de radiação solar, elementos gratuitos que, devidamente aproveitados, reduzem o consumo de recursos, contribuem para a qualidade ambiental e ajudam-nos a diminuir a actual dependência energética do estrangeiro, fazendo-nos colectivamente menos pobres.

Arquitº Silva Garcia


(1) J.J.Silva Garcia, in Discurso de Apresentação da Candidatura à Presidência da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim Auditório Municipal da Póvoa de Varzim . 13 de Maio de 2005;
(2) J.J.Silva Garcia, in Discurso de apresentação do livro HORIZONTES . Reflexões políticas, de José Luís Carneiro), Póvoa de Varzim, 19 de Maio de 2010.

Obrigada, querido amigo, pela partilha  http://ca-70.blogspot.com/

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Hipocrisia, barbaridade e negociatas.


A propósito do que vi e li na página do FB dos Unidos Contra as Touradas:

“(…) "festas do Montijo em honra do santo padroeiro desta cidade, S.Pedro. E como em todos os anos mais feridos, mortos e incapacitados para o resto da vida. Cultura e tradições de arrogância, ignorância e desrespeito pela vida” 

"Um blog apresenta mesmo uma filmagem de turistas estrangeiras (nos Açores), que saíram da praça de touros a chorar, afirmando que se tratou de “um espectáculo horrível”(...)"

"Cavalo morre em plena tourada. (...) Nas últimas Sanjoaninas, em que um cavalo morreu e um touro perdeu um corno. As imagens, que foram lançadas há dois dias no youtube, são dramáticas (...)"


Hipocrisia, barbaridade e negociatas. Parece que vale tudo em nome da Igreja, da doutrina da Igreja e do culto da Igreja católica! Festas religiosas com touradas como principal atracção! Vale tudo. Tudo, até faltar descaradamente aos valores que apregoa e os católicos dizem cumprir, incluindo o respeito pelo OUTRO e pela VIDA, “reassumindo” grande parte deles, socialmente mas não espiritualmente, todos os domingos, quando vão à missa ou mesmo quando rezam, palavras e uma fé que não engana ninguém e até nos envergonha.  
Cada vez mais apostada no lado profano e não no sagrado, a Igreja Católica, tirando as devidas excepções e gente fantástica que sempre admirei e continuo a admirar, caso dos (verdadeiros) missionários e dos que se sacrificam mesmo pelos outros, assumindo inequivocamente os seus votos de pobreza e humildade e a sua entrega à comunidade e aos valores cristãos e não à vida social e às páginas coloridas dos jornais e revistas, com reformas estranhamente milionárias… aos párocos que, pela sua coerência, formação moral, cívica e intelectual são um exemplo para os seus fiéis…tirando estes, que sobra?
Educa-se pelo exemplo!
Não basta dizer mas provar na sua prática diária que se faz aquilo em que se acredita.
Seguiremos  “o mestre” pelo exemplo do mestre.
E que exemplo vem destas iniciativas “religiosas” ou com a bênção da Igreja católica, caso da TVI, das Santas Casas da Misericórdia & Cª Lda?
Que tem feito a Igreja católica para acabar com este massacre? Por que razão não toma posição relativamente a isto?
Com as suas abençoadas e santas touradas, gulosos do dinheiro e do poder mediatizado, embriagados pela ideia de riqueza a qualquer  preço, esta Igreja tem sido sempre cúmplice dos lobbys tauromáquicos e também tem as mãos sujas de sangue. Sangue inocente. De seres inocentes.
Pecado? O que é isso?  
Tal como os cavaleiros, armados em desportistas, como se fosse alguma vez possível alguém equiparar hipismo com esta espectáculo degradante… com o seu cheiro a naftalina e bazófia...marialvismo... arrogantemente montados nos cavalos que sacrificam...mascarados com o ridículo barroquismo das fatiotas que envergam, com gestos ensaiados que tresandam a cobardia e pedantismo... Tal como os valentões que, a pé mas armados e protegidos, desafiam o touro em patéticas poses de falsa virilidade… Tal como os forcados, numa atitude pretensiosamente corajosa, acagaçados numa fila ridícula de provocação, uns atrás dos outros, chamando pelo nobre animal depois de horas e horas de violência sobre o mesmo, ferido, enfraquecido pela tortura e perdas de sangue … tortura aplicada MUITOS DIAS ANTES E NÃO SÓ AGORA, NA ARENA.
E as pessoas a assistir, cínicas, brutais, excitadas com a visão de uma morte anunciada e com o cheiro do sangue quente e inocente que escorre do pobre animal, num cenário macabro e aterrador.
Dos pobres animais, incluindo os cavalos, também eles sacrificados em praça pública e humilhados.
 Sou contra as touradas do mesmo modo que sou a favor da dignidade e respeito incondicional para todos os animais, humanos e não humanos.
 Estive e estarei sempre do lado dos que sofrem, neste caso, do touro, como estive e estarei sempre ao lado dos que mais precisam.
 Ao lado da RAZÃO. Contra o SADISMO, a BARBÁRIE e as tradições desumanas.  
Contra os que pagam para ver sofrimento e injustiças e as defendem em nome de uma superioridade do Homem que arrotam sistematicamente. Com boçalidade.

Nazaré Oliveira

terça-feira, 28 de junho de 2011

Em 2008-2009 fiz este poema!


Para os meus queridos alunos do 12ºF da Escola Secundária de Bocage (antigo Liceu de Setúbal), que comigo estiveram desde o 10º Ano (2006 a 2009), uma recordação da sua Professora de História e Directora de Turma.





Pela beleza dos vossos corações

Sorrindo

Num doce e terno olhar




Pela serenidade dos vossos rostos

Brilhando

Com as palavras tecidas de luz




Guardados ficareis

Para sempre

Florindo nos meus gestos




Como o puro amanhecer na Serra

Para sempre

Abraçando o mar





 Nazaré Oliveira

Entre la razón y el corazón: La importancia de la emoción en la toma de decisiones.



La razón y la emoción, por separado, se convierten en procesos que pueden perjudicar nuestro futuro por medio de decisiones desacertadas. Somos capaces de valorar una decisión, a pesar de su racionalidad, como inadecuada (“matar a uno para salvar a muchos”). También somos capaces de advertir decisiones inadecuadas por lo exagerado de las razones que las motivan (“no viajar por el miedo a volar”). En definitiva, nos valemos de un equilibrio entre lo racional y lo emocional para decidir de manera correcta, proceso éste que se ha ido conformando gracias a nuestra experiencia vital.





¿Qué es una decisión acertada? En principio la respuesta parece fácil: es aquélla que mayor beneficio nos aporta. Pero esta cuestión no siempre está clara. Cuando nos enamoramos las emociones toman el mando y dirigen nuestras decisiones, y una vez hemos salido de este estado de ensimismamiento nos preguntamos cómo es posible que actuáramos así, sin tener en cuenta más opciones que las que dicta el corazón, incluso desatendiendo los consejos de personas que apreciamos y tenemos en alta estima. Frases populares como “el amor es ciego” nos advierten del poder que las emociones tienen sobre estas cuestiones, pero no ha sido hasta fechas recientes que la emoción se ha considerado un elemento determinante en los procesos racionales.
En el libro “El error de Descartes” (Damasio, 1994), se retoma el caso de Phineas P. Gage, un obrero de ferrocarriles, quien en 1848 estaba trabajando en la construcción de una línea en Vermont, Nueva Inglaterra. Tras una explosión, una barra de hierro le atravesó la mejilla izquierda lesionando la zona frontal de la cabeza (véase la Figura 1). Esta terrible herida afectaba, entre otras, a la corteza orbitofrontal. Phineas sobrevivió milagrosamente sin deterioros físicos evidentes, pero su personalidad cambió de manera drástica. Su comportamiento social se desinhibió, y pasó a ser un individuo de dudosa moral.
 
Figura 1
Figura 1.- Localización de las lesiones producidas a Phineas P. Gage: la barra de hierro entró a su cráneo por la mejilla izquierda, justo bajo el pómulo, y salió por la parte superior despúes de atravesar el cortex frontal, siguiendo el trayecto indicado por la flecha (adaptación realizada sobre fotografía de protocolsnow, (cc) Algunos derechos reservados).


 Precisamente las decisiones basadas en juicios morales evidencian de manera muy clara el papel de la emoción dentro del contexto social. En algunos lesionados en la corteza orbitofrontal las emociones parecen haber dejado de interactuar correctamente con la razón. Esta región modula el funcionamiento de la amígdala, que es el origen más primitivo de nuestros impulsos y emociones más ingobernables. Estos pacientes pueden explicar las normas sociales, pero no dudan en quebrantarlas si creen poder obtener beneficios. En un reciente trabajo se planteó una serie de preguntas a sujetos con lesiones en la corteza prefrontal ventromedial. Estas preguntas estaban referidas a dilemas morales como “dejar morir” a un individuo con la finalidad de salvar a un grupo mayor de personas (Koenigs y cols., 2007). Los resultados evidenciaron respuestas muy racionales en las que se prefería salvar a la mayoría mediante el sacrificio de uno.
¿Qué pensaríamos de alguien que es capaz de tomar una decisión de este tipo sin apenas dudar? Seguramente que es poco de fiar, y esto resulta paradójico, ya que la racionalidad en una persona es, en principio, un rasgo que todos esperamos de alguien confiable. Pero lo cierto es que nuestra capacidad de percibir la emoción en los demás como un motivador de la conducta humana nos hace ser más confiados ante las personas que son empáticas, ante aquéllos que son capaces de sonreírnos o emocionarse frente a nuestro dolor.
Volviendo al principio, ¿quiere decir todo esto que enamorarse es como si te atravesara una barra de hierro por el cráneo? Muchas veces resulta igual de doloroso, pero no es exactamente eso. Cuando nos enamoramos las emociones adquieren un peso mayor, lo que sin duda, condiciona nuestras decisiones. Diversos autores (p.ej., Adolphs, 2004) proponen que las emociones se pueden controlar, pero esta autorregulación depende de la maduración de la corteza prefrontal, lugar donde se ubica la mencionada corteza orbitofrontal. Esta región madura de manera tardía (Gogtay y cols., 2004), y en la adolescencia todavía no se habría conformado totalmente, lo que estaría explicando el comportamiento propio de esta etapa de la vida (Oliva, 2007), donde la toma de decisiones es un proceso muy complicado y de especial preocupación para los padres. El proceso de maduración de esta región se basa principalmente en la interacción que el sujeto tiene con su entorno, que se almacena como experiencias que nos permiten afrontar las dificultades futuras.
Pero ¿qué papel juega la emoción en este proceso de aprendizaje, y en concreto a la hora de tomar una decisión? No siempre las opciones están claras, y en este caso, el concepto de Marcador Somático (Damasio, 1994) nos permite, por fin, dar entidad a la emoción como guía de nuestra decisiones. Los marcadores somáticos son sentimientos que pueden presentarse a modo de intuiciones cuando nos sentimos indecisos (p.ej., no sabes por qué, pero tienes una “sensación” extraña justo antes de pasar por una calle y decides tomar la siguiente), y que nos ayudan a decidir qué opción será la más beneficiosa para nuestros intereses. Esta intuición se ha generado a partir de situaciones similares acontecidas en el pasado y de su conexión, no siempre de manera consciente, con las consecuencias que nos depararon, y que ahora afloran para “advertirnos“ del camino a seguir (quizá hace unos años sufriste un atraco en una calle parecida a esa, pero apenas lo recordabas ya, salvo por la sensación o intuición que te sobrevino justo al verla).
Es tranquilizador pensar que disponemos de un mecanismo que en último término nos “advertirá” de lo que es más adecuado para nosotros. Pero no siempre es fiable esta advertencia, e incluso hay trastornos psiquiátricos en los que se ha desvirtuado tal función hasta el punto de advertirnos de peligros inexistentes, como en fobias y ansiedad. Por suerte, junto a esta intuición siempre hay un proceso racional que nos permite sopesar los pros y los contras, y en esta dualidad es en la que nos movemos a diario, entre lo que dice el corazón y lo que dice la mente. Quizá sea esto lo que hace la vida interesante y lo que convierte al ser humano en dueño de su propio destino, capaz de equivocarse y, aun con todo, seguir adelante y mantener la esperanza.

Fernando Gordillo (a), José M. Arana (a), Lilia Mestas (b) y Judith Salvador (b)
(a) Dept. de Psicología Básica, Psicobiología y Metodología, Universidad de Salamanca, España
(b) Facultad de Estudios Superiores Zaragoza, Universidad Nacional Autónoma de México, México

Referencias
Adolphs, R. (2004). Emotion, social cognition, and the human brain. En J. T. Cacioppo y G. G. Berntson (Eds.) Essays in Social Neuroscience. Cambridge, MA: MIT Press.
Damasio, A. R. (1994). Descartes’ error: Emotion, rationality and the human brain. New York: Putnam (Grosset Books).
Gogtay, N., Giedd, J. N., Lusk, L., Hayashi, K. M., Greenstein, D., Vaituzis, C., Nugent, T. F., Herman, D. H., Classen, L., Toga, A. W., Rapoport, J. L. y Thompson, P. M. (2004). Dynamic mapping of human cortical development during childhood through early adulthood. Proceedings of the National Academy of Sciences, 101, 8174-8179.
Koenigs, M., Young, L., Adolphs, R., Tranel, D., Cushman, F., Hauser, M., y Damasio, A. (2007). Damage to the prefrontal cortex increases utilitarian moral judgements. Nature, 446, 908-911.
Oliva, A. (2007). Desarrollo cerebral y asunción de riesgos durante la adolescencia. Apuntes de Psicología, 25, 239-254.