quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Capitalismo versus Socialismo

A grande crise em que o mundo parece ter mergulhado, aprofunda-se todos os dias e atinge todos os Continentes. É uma crise verdadeiramente global cujo remédio não surge claro, para ninguém.

Durante os anos de esperança que se viveram nas décadas "gloriosas", após a hecatombe da II grande guerra, os comunistas anunciavam a crise geral do capitalismo que não deixaria de aí vir, segundo as análises marxistas. Houve, de facto, pequenas crises mas nada que se comparasse com a grande crise de 1929, que parecia ser a máxima referência maligna.
O capitalismo reformulou-se. Surgiram as sociedades de bem-estar, a segurança social para todos, o new deal de Roosevelt, o trabalhismo inglês e as nacionalizações do post-guerra e o socialismo democrático dos nórdicos, e a pouco e pouco, com nuances, do resto dos países europeus que pareciam assegurar a paz, o bem-estar e uma certa harmonia social. Tanto mais que se generalizaram a quase toda a Europa Ocidental, com as excepções negras - até à Revolução dos Cravos de 1974 - da Península Ibérica e da Grécia, as únicas três ditaduras fascistoides que sobreviveram na Europa dita Ocidental, à vitória dos Aliados.

O comunismo soviético consolidou-se, influenciou, com crises várias, as Repúblicas Populares do Leste Europeu, comunicou-se à China - que em breve se tornaria um comunismo rival da URSS - à Coreia do Norte, ao Vietname e com algumas outras pequenas experiências frustradas, a Cuba.
Contudo, o capitalismo ocidental manteve-se, próspero, superou as chamadas "crises do petróleo" e, entretanto, deu-se a magnífica surpresa, totalmente inesperada, da implosão pacífica do universo comunista, com a queda do Muro de Berlim, da Cortina de Ferro, da URSS, transformada em Confederação Russa, da integração das Repúblicas Populares na União Europeia e a grande transformação da China, com Deng Xiao Ping, que tentou conciliar o regime comunista de partido único com a economia de mercado e o pior dos capitalismos, o mais selvagem...

O chamado Ocidente - e, em especial, a América do Norte - exultaram com a implosão do Universo Comunista e cometeram o erro fatal de se considerar "donos do Mundo", com Bush tentando marginalizar as Nações Unidas, procurando generalizar a chamada "democracia liberal", a globalização sem regras éticas, o "capitalismo de casino", o unilateralismo ao universo inteiro, caindo com a sua sobranceria de "vencedores" - sem remédio - nos atoleiros das guerras do Afeganistão e do Iraque, verdadeiros sorvedouros de recursos, e dando luz verde a Israel para atacar o Líbano e a Faixa de Gaza, dois outros erros imperdoáveis.
Veio a crise financeira e económica global - com os subprime, as roubalheiras em larguíssima escala, feitas secretamente em offshores, as falências escandalosas de Bancos, Companhias Seguradoras, Grandes Empresas e de especuladores criminosos, como Madoff, que foi um exemplo maior. O neo-liberalismo, como sistema económico afundou-se com o mesmo espanto público e rapidez, com que se tinha afundado, quase vinte anos antes, o universo comunista. E, as pessoas perguntam-se, legítima e angustiosamente: e agora?

A crise - note-se - não foi uma novidade. Tinha sido anunciada por politicólogos, economistas, sociólogos e alguns comentadores mais avisados. Mas ninguém ligou. Tanto que chegou com pés de lã e começou por ser um espanto - uma enorme surpresa - para os banqueiros, gestores, políticos, economistas, empresários e especuladores envolvidos. Apesar dos múltiplos avisos, nunca lhes passou pela cabeça que lhes pudesse acontecer ou melhor: que lhes caísse em cima da cabeça, com a brutalidade que tem acontecido...
E agora, repito? O Presidente Obama disse que "é preciso mudar o modelo económico". É evidente! Claro, o capitalismo financeiro especulativo faliu, como o neo-liberalismo, que o tornou possível. Quanto a isso não há qualquer dúvida. Embora as mentalidades de políticos, economistas, empresários e especuladores, na maior parte dos casos, ainda não tenham mudado. Por mais paradoxal que seja, as mesmas ideias e comportamentos persistem. E, por isso, insisto: mas mudar, como? Respondo: buscando gente jovem, novos rostos de políticos, economistas e empresários, novas ideias, novos comportamentos. Sobretudo, com respeito pelos valores éticos, sociais e ambientais e habituando-se a uma estrita moralidade pública.

Passar do capitalismo para o socialismo? Como alguns sugerem, regressando às velhas utopias do século vinte, em que tantas pessoas excelentes persistem em acreditar, neste início conturbado do século XXI? Contudo, o socialismo totalitário - não o esqueçamos - faliu, tanto de tipo soviético como maoista ou de Deng Xiao Ping, para não falar do fidelismo. Sem mercado não há cidadãos livres: há funcionários e escravos de um outro tipo, aprendemos isso com o colapso do universo comunista e, alguns de nós, em décadas antes, quando conhecemos a realidade dos goulags e os crimes de Estaline, através do relatório de Kruchev ao XX Congresso...
O que fica então? Uma economia de mercado, mas com regras éticas e políticas estritas.

Estados de Direito capazes de controlar os mercados e de assegurar sociedades de cidadãos livres, pluralistas e participantes, democracias não oligárquicas como era o caso, mas sociais, preocupadas com o bem-estar de todos, com uma justiça independente, acima dos media, e com a defesa do ambiente, indispensável à sobrevivência da Humanidade e da biodiversidade. Claro que isso, nas suas grandes linhas, é o que, durante décadas, se chamou na Europa, social-democracia ou socialismo democrático. Ou, se quiserem, um capitalismo avançado ou progressista onde o superior valor, são as pessoas e não o dinheiro ou a pura especulação financeira...
Não creio que, de momento, se possa inventar nada de melhor, para conseguirmos sair da crise e conceder à Humanidade uns anos de paz e de bem-estar, sob a égide da Lei e dos grandes valores universais. Um modo de conciliar dois valores antinómicos da Grande Revolução Francesa: a liberdade com a igualdade possível e também com a fraternidade, dado que, como humanos, pertencemos todos à mesma Casa Comum.

Contudo, é importante, direi mesmo, indispensável, regulamentar a globalização, sem o que, também, não venceremos a crise. Ora se a globalização económica é um facto irreversível e
global, como está à vista, importa que se estabeleça uma regularização política global, mediante a reforma das instituições financeiras internacionais (Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional) e a sua integração nas Nações Unidas, reformuladas segundo os Objectivos do Milénio. O que implica uma nova Ordem Mundial, com um esquema de governação mundial, que não seja um directório de países ricos mas a consequência multilateral e democrática do mundo de hoje, com os países emergentes e blocos regionais que representam todos os Continentes. Não vai ser fácil. Mas é o caminho que teremos de percorrer, abolindo as guerras e construindo um mundo melhor e mais humano.

Lisboa, 10 de Fevereiro de 2009
Textos de Mário Soares in FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES

sábado, 19 de novembro de 2011

Imagina uma caverna subterrânea


Imagina uma caverna subterrânea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a infância, de tal modo que não possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido às cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo tão-só ver aquilo que se encontra diante deles. Nas suas costas, a certa distância e a certa altura, existe um fogo cujo fulgor os ilumina, e entre esse fogo e os prisioneiros depara-se um caminho dificilmente acessível.
Ao lado desse caminho, imagina uma parede semelhante a esses tapumes que os charlatães de feira colocam entre si e os espectadores para esconder destes o jogo e os truques secretos das maravilhas que exibem.
Que julgas tu que responderia se lhe dissessem que até então apenas vira fantasmas e que agora tem ante os olhos objectos mais reais e mais próximos da verdade? Se lhe mostrarem imediatamente as coisas à medida que se forem apresentando, e se for obrigado, à força de perguntas, a dizer o que é cada uma delas, não ficará perplexo e não julgará que aquilo que dantes via era mais real do que aquilo que agora se lhe apresenta?
Pois, meu querido Glauco, é essa, precisamente, a imagem da condição humana. A caverna subterrânea é este mundo visível; o fogo que a ilumina, a luz do Sol; o prisioneiro que ascende à região superior e a contempla é a alma que se eleva até à esfera do inteligível.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Avaliação de Professores e Currículo Nacional...

... ou a árvore que tapa a vista!

Como mais uma árvore surpreendida em pleno acto de obstrução da vista da floresta, o debate sobre a avaliação de professores interpôs-se entre milhares de observadores e o decreto-lei 75/2010, de 23 de Junho, prejudicando a compreensão dos estragos que a legislação tem vindo a provocar no ensino público — foram sucessivas investidas organizadas por sucessivos ministérios, culminando no presente diploma. O 75/2010 é a revisão mais recente, nova etapa de um caminho que vem lá dos anos 1990, era ministro da educação Roberto Carneiro e presidente da República Mário Soares.

O 75/2010 funciona, dado o processo de gestação, como um carro «kitado»: tem custos quase semelhantes aos de um Aston Martin usado, mas nunca deixará de ser um carro «kitado»: tem um ar barato, mas saiu-nos caro; contém erros de base, que não são corrigíveis por adaptações; começa a acumular as imperfeições e incoerências naturais a um processo de 20 anos de corte e costura, de colagem, de remendo, de expediente legislativo. Está aí, em boa medida, uma das principais fontes de disparate educativo. E no entanto, alguém questiona o 75/2010? Nah!

Olhemos de perto algumas afirmações (podemos pegar quase por qualquer lado) que constam do mais recente decreto-lei que altera o estatuto da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos Básico e Secundário:

Tem o pessoal docente «o direito à autonomia técnica e científica e à liberdade de escolha dos métodos de ensino, das tecnologias e técnicas de educação e dos tipos de meios auxiliares de ensino mais adequados, no respeito pelo currículo nacional, pelos programas e pelas orientações programáticas curriculares ou pedagógicas em vigor» (alínea c) do art.º 5.º). Esta disposição tem a ver com a liberdade do professor num quadro laico, republicano e democrático, e está muito bem, quase até ao fim. Aí, a menção das orientações pedagógicas em vigor é ao arrepio de tudo o que vem dito antes. O que são as orientações pedagógicas em vigor? Constam de alguma disposição legislativa, com aplicação nacional? Então o pedagogo não é um docente autónomo, obrigado a respeitar um programa nacional? Mais: está obrigado ao dever profissional de «orientar o exercício das suas funções por critérios de qualidade, procurando o seu permanente aperfeiçoamento e tendo como objectivo a excelência» (alínea b) do art.º 10.º). Por enquanto, muito bem, também.

Mas, logo a seguir, em matéria de deveres para com os alunos, já se reza assim: Constitui dever específico «organizar e gerir o processo ensino-aprendizagem, adoptando estratégias de diferenciação pedagógica susceptíveis de responder às necessidades individuais dos alunos» (alínea d), art.º 10.º-A, introduzida pelo 15/2007). Ora isto pode ser lido numa perspectiva de diminuição da liberdade de escolha dos métodos de ensino; já explicarei porquê.

Um pouco mais adiante, no capítulo dos deveres para com a escola, deve o professor «cumprir os regulamentos, desenvolver e executar os projectos educativos e planos de actividades e observar as orientações dos órgãos de direcção executiva e das estruturas de gestão pedagógica da escola» (alínea b), art.º 10.º-B). Isto pode ir na mesma linha de diminuição do princípio de liberdade pedagógica… preconizado lá atrás, no art.º 5.º.

Mais uns passos e fala-se de conteúdo funcional da carreira docente nestes termos «o docente desenvolve a sua actividade profissional de acordo com as orientações de política educativa e observando as exigências do currículo nacional, dos programas e das orientações programáticas ou curriculares em vigor, bem como do projecto educativo da escola.» (art.º 35.º n.º 2). Bom, é o sobressalto. Porquê? Basta reproduzir, aqui, a título de exemplo, um excerto de um projecto educativo:

«[...] As capacidades e as competências dos alunos são desenvolvidas de forma holística, procurando-se que eles se tornem co-construtores dos seus próprios currículos, de acordo com os seguintes princípios:

• Afirmação e aprofundamento dos saberes (capacidades, conhecimentos, competências e valores) de cada aluno que promovam o seu desenvolvimento.

• Criação de situações de aprendizagem que permitam a livre expressão de ideias, a reflexão, o desenvolvimento do espírito crítico e da cidadania, a capacidade de resolução de problemas e a cooperação. Procura-se igualmente tornar as aprendizagens úteis e significativas e reforçar o sentimento de pertença a uma comunidade, atribuindo visibilidade às produções dos alunos e socializando-as. […]»

É por demais evidente que este tipo de frase é tão fluido de contornos que permite todas as interpretações que a imaginação nos queira sugerir. No entanto, só quem não conheça os desenvolvimentos do ensino público nacional não entende logo que estas formulações abrem a porta às teses construtivistas de sempre, sob todas as suas formas e modas; ao debate estéril baseado em coisa nenhuma. O pensamento crítico sobre questões complexas pressupõe conhecimentos sólidos, o mesmo podendo dizer-se da capacidade de resolução de problemas.

A recusa da abstracção, e da leitura de uma realidade outra que não a mais imediata no espaço e no tempo, são uma forma de anti-intelectualismo que é, evidentemente, anti-civilização. A valorização de ensaios medíocres, em nome da auto-estima de crianças que vêem esforços praticamente nulos serem premiados como se de grandes coisas se tratassem, são uma ajuda paradoxal, infelizmente, à anulação de qualquer capacidade crítica.

Por outras palavras: a conjugação do 75/2010 com a prática de muitas escolas está, na realidade, a produzir uma inesperada mas real autonomia do ensino aí praticado. Sem sequer negociar com o Ministério qualquer contrato de autonomia (para isso, ver outro decreto-lei, sobre o novo modelo de gestão: o n.º 75/2008 de 22 de Abril).

O conselho pedagógico produz um documento fundamental chamado «projecto educativo»; submetido à direcção, esta leva-o ao conselho geral; este, aprova; a escola faz, a partir daí, o que bem entende em matéria de pedagogia, o que pode envolver o melhor mas, igualmente, os mais redondos disparates científicos.

Resta saber se o professor que detecta o disparate, face a um programa que o obriga, e que é nacional, deve vergar-se à moda do estabelecimento… Porque o 75/2010 deixa a dúvida a pairar, embora o bom senso e a prática da Lei recomendem a opção pelo mais geral.

Mas não só: esse professor é responsável, perante o estado, pelo cumprimento do currículo nacional, e do programa da disciplina. O contrato é com o estado português, não é com esta ou aquela escola. Não é, em definitivo, com um conselho pedagógico… feito de não-pedagogos à mistura com pedagogos como ele — mas no conjunto, de facto, maioritariamente alheios à sua disciplina.

Nos momentos de avaliação (no fim do ano; nas épocas de exame), o professor deve ser responsabilizado pelos resultados que os seus alunos obtiveram. Como é que se responsabiliza um docente que não foi deixado livre na escolha da pedagogia?

E que possibilidade tem o cidadão — que está a pagar esta escola — de verificar se o que se lá faz é bom para a República? Por enquanto, pouca: os exames nacionais, e o cotejo dos resultados das provas dos internos com as classificações internas da frequência. Actualmente, há pautas inteiras de alunos que vão a exame com 14 a 19 e saem de lá com 4 a 9; parece haver uma docência defensiva: no balanço, passam, embora não possam usar a negativa como disciplina específica de acesso à faculdade. Mas, que diabo!, acabam o Secundário…

É magro, mas é importante. Podemos inclusivamente aceitar que as escolas continuem a fazer o que bem entendem, se forem aferidas pela qualidade e consistência dos resultados (mais do que pela quantidade de passagens não certificadas pelos exames); serão, eventualmente, sujeitas a actos de inspecção, quer como escolas, quer dirigidos a docentes individuais. Esses actos de inspecção só podem ser de dois tipos: os programas nacionais estão a ser convenientemente ministrados? E a escola dispõe de todas as condições para apoiar os profissionais que os ministram?

E, sobretudo, isso situa o debate onde ele deve estar. Se queremos cidadãos intelectualmente activos, empreendedores, críticos, tolerantes, solidários, bons participantes na República — é bom que tenhamos jovens instruídos e educados, para começar.

À escola pública compete, sobretudo, a instrução: a transmissão de conteúdos, por pessoal treinado e competente. Cabe à escola ministrar factos de civilização e cultura com os comentários respectivos na História, ou ferramentas de pensamento em Filosofia ou em Geometria. Cabe aos encarregados de educação o enquadramento dos meninos na vida. E ao próprio aluno o trabalho, a meditação a síntese. E a boa prestação de provas.

A educação não é da exclusiva responsabilidade dos professores, nem deve ser a primeira das suas aptidões: não foram treinados para tal. Vem por acréscimo, mas não deixa de ser uma parte integrante daquilo que, sobretudo, compete aos encarregados de educação.

O professor é o principal encarregado de instrução.

Então, de preferência a entreter-se com a questão (interessante, e secundária) da avaliação de professores, onde deve o cidadão manter o olhar assestado?: ora, na qualidade do currículo geral e dos programas (com conteúdos integrados, de degrau em degrau da progressão escolar), e na qualidade dos exames que verificam a qualidade da aprendizagem! São estas, de resto, as funções nobres do ministério da Educação que, se sobretudo tratar de tais assuntos, bem pode ser drasticamente reduzido — optimizado — com benefícios para os cidadãos. É isto que garante a inclusão dos mais pobres: o «elevador social».

De que grande reforma — essa sim — carece a República? Da do programa nacional de estudos — do ensino obrigatório público.

Está logo atrás da árvore...

Professor António Mouzinho

domingo, 30 de outubro de 2011

Julho 2011 - Nuno Crato

Recordar a primeira entrevista do Professor Nuno Crato - actual Ministro da Educação.
Um bom exercício... de reflexão!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Debate sobre tauromaquia

... NA TVI - 31 DE OUTUBRO


Para começar gostaria de lembrar o que disse Charles Darwin, o homem que mais conviveu com animais não humanos:


«Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais. Tanto os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento».

Na próxima Segunda-feira, dia 31 de Outubro, no programa «Você na TV», na TVi, realizar-se-á um debate sobre Tauromaquia.

Pela luta anti-tourada estarão presentes o Comendador Tomé de Barros Queiroz, presidente da Sociedade Protectora dos Animais, o Dr. Vasco Reis, médico veterinário, e o Professor Paulo Borges, da Universidade de Lisboa, grande defensor da causa animal, e presidente do PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza).

Do lado pró-tourada estão confirmados os administradores do site TouroeOuro.com, o Secretário-Geral da PróToiro, Dr. Diogo Costa Monteiro e o Prof. Doutor Joaquim Grave.

Deste debate espera-se que se esclareça, de uma vez por todas, algumas das questões mais pertinentes relacionadas com este espectáculo que não dignifica o ser humano, nem o povo português, nem Portugal, nem o ser não humano que é sacrificado, num ritual obscuro e primitivo – o Touro.

As principais questões poderão ser as seguintes:

*** O MASSACRE DE TOUROS onde a tortura, a crueldade, o sadismo e a impiedade imperam será:


ARTE?

FESTA?

PATRIMÓNIO?

CULTURA?



*** Será um espectáculo que imprime DIGNIDADE ao ser dito humano, que nele participa, ou ao Touro, um mamífero superior, cujas entranhas são de todo semelhantes à do homem, e portanto sofrerá horrores às mãos dos seus carrascos?

*** Que se diga se um Touro, tal como TODOS os outros animais vertebrados e com sistema nervoso central não sente DOR, quando é bárbara e covardemente torturado.

*** Que se diga se o Touro não sente MEDO, FOME, SEDE, tal como qualquer animal humano.

Os pró-tourada baseiam-se em três argumentos que caem pela sua fragilidade:


TRADIÇÃO (que não é argumento) porque uma tradição só sobrevive se acompanhar a evolução de mentalidades;


CULTURA (algo demasiado sangrento para ser cultura);


E ARTE (a arte da tortura, do fazer sangrar, da crueldade e da morte).

Também se espera, que nesta questão sejam envolvidas as seguintes entidades que, neste momento, além de serem CÚMPLICES do MASSACRE DE TOUROS em Portugal, são SUBMISSAS ao lobby tauromáquico, o que não deixa de ser um acto indigno de subserviência, que poderá ficar para a História.


O GOVERNO PORTUGUÊS (que não cumpre o seu papel).


OS DEPUTADOS DA NAÇÃO (que têm medo de se pronunciarem).


O PRESIDENTE DA REPÚBLICA (que se remete ao silêncio, quando devia interferir)


A IGREJA CATÓLICA (que “abençoa” os Massacres, não cumprindo com as suas funções cristãs)


A ORDEM DOS MÉDICOS VETERINÁRIOS (que despreza a Ética que os levaram a abraçar esta profissão)


A COMISSÃO NACIONAL DA UNESCO (que ainda não tomou uma posição pública definitiva, apenas fez uma Declaração em 1980)


OS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL (que dão cobertura à violência e à tortura de um ser vivo)


DOM DUARTE PIO DE BRAGANÇA (que ainda promove as Touradas Reais, muito tempo depois do Marquês de Pombal as ter proibido)


E TODOS OS QUE DIRECTA OU INDIRECTAMENTE SE ENVOLVEM NESTES MASSACRES: CLUBES, MARCAS E ASSOCIAÇÕES DE SOLIDARIEDADE.



Victor Hugo dizia que a proteção dos animais faz parte da moral e da cultura dos povos.


Se estas entidades nada fizerem no sentido da ABOLIÇÃO DO MASSACRE DE TOUROS EM PORTUGAL, os seus nomes e as suas caras ficarão para sempre ligadas a esta barbárie, como gente que não soube proteger a Moral e a Cultura do seu povo.

Isabel A. Ferreira

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Alterações Climáticas - Somos Todos Responsáveis


No dia em que mais uma tragédia aconteceu, desta vez na Turquia, vale a pena reflectir sobre as alterações climáticas e sobre todos os horrores que as mesmas têm provocado e provocarão, enquanto não se tomar consciência da gravidade deste problema e da importância de uma tomada de posição a nível mundial que passe pela adopção de uma Política - Política de Ambiente - verdadeiramente séria para o planeta, a cumprir, na prática, por todos os intervenientes, particularmente os países mais poluidores e com maior capacidade de intervenção a este nível, e que não se fique meramente pelos acordos de ocasião ou tratados, que, na prática, não cumprem ou fingem cumprir. 
São cada vez mais frequentes e cada vez mais graves os desastres ambientais que acontecem pelo mundo fora, com consequências terríveis a todos os níveis, sobretudo, as perdas humanas que têm ceifado com os sismos, inundações, seca, tsunamis, furacões, entre outros, e com as fomes e desastres humanitários daí resultantes.

As mudanças climáticas são a maior ameaça ambiental do século XXI, com consequências profundas e transversais a várias áreas da sociedade: económica, social e ambiental. Todos nós, sem excepção, estamos a ser afectados por esta questão: cidadãos comuns, empresas, governos, economias e, mais importante de todos, a natureza.

Sempre foram registadas ao longo dos milhares de anos que o planeta Terra tem. O problema prende-se com o facto de, no último século, o ritmo entre estas variações climáticas ter sofrido uma forte aceleração e a tendência é que tome proporções ainda mais caóticas se não forem tomadas medidas.

A ocorrência de ondas de calor e secas são fenómenos cada vez mais frequentes, e as consequentes perdas agrícolas representam uma ameaça real para as economias mundiais.

No cerne destas mudanças estão os chamados gases de efeito estufa, cujas emissões têm sofrido um aumento acentuado. O CO2 (dióxido de carbono) é o principal gás negativo desses designados de efeito estufa, e são consequência directa do uso/queima de combustíveis fósseis como o carbono, o petróleo e o gás com fins de produção energética.


É, por isso, imprescindível reduzir as emissões deste tipo de gases. Como? Eliminando, progressivamente, o uso massivo dos combustíveis fósseis, substituindo-os pelas energias renováveis, fomentando a poupança de energia e eficiência energética.

A actividade humana foi apontada, em 2007, por cientistas especializados nesta área e reunidos sob o Painel Intergovernamental de Alterações Climáticas, como sendo a principal causa destas mudanças do clima.


Ao mantermos uma atitude inerte e apática perante esta questão, corremos o risco de sermos expostos a eventos climáticos extremos e imprevisíveis (como os que têm vindo a ser noticiados nos últimos tempos) e com efeitos nefastos para todo o mundo!

A temperatura, no século passado, registou um acréscimo de 0,76ºC. A previsão é que no presente suba entre 1,1 a 6,4ºC, dependendo das medidas mitigadoras que sejam encetadas.

Este incremento da temperatura média tida como normal em mais 2ºC pode induzir respostas céleres, imprevistas e não-lineares que podem desencadear danos irreversíveis nos ecossistemas terrestres.




O EFEITO DE ESTUFA