sábado, 8 de outubro de 2011

Só o conhecimento libertará

Os pró-touradas, os aficionados, sempre com os mesmos argumentos ao longo de séculos e séculos, seja cá ou noutro país, completamente alheados dos estudos e da investigação séria que tem sido feita nestes últimos anos, insistem na recusa de serem esclarecidos ou até de dialogarem seriamente sobre esta matéria.

Aliás, nem seria preciso, já que a barbaridade, tortura e sofrimento, quando e porque existem, são desde logo motivo e condição sine qua non para acabar com esse espectáculo degradante e inqualificável.

Que extraordinárias as intervenções de Pilar Rahola no vídeo que anexo!

É muito importante trocar informações e, obviamente, esclarecer, dar a conhecer, sendo esta a perspectiva em que me coloco sempre, como pessoa que defende a dignidade para animais humanos e não humanos, e que considera que o esclarecimento honesto será a única forma das pessoas tomarem posição e decidirem sobre o fim desse espectáculo macabro – a tourada – entre outros.

Mas as pessoas têm que querer conhecer a outra parte. Ouvir os depoimentos até ao fim, ler os artigos até ao fim, ver os documentários até ao fim por muito que lhes custe, tal o horror que sempre esconde quem torturado está a ser ou quem numa agonia e morte lenta se esvai em sangue ou procura, a todo o custo, um olhar de compaixão ou misericórdia.

Sei que é difícil para certas pessoas aceitarem estes esclarecimentos humanamente e cientificamente comprovados. Indesmentíveis. No entanto, é condição fundamental para uma partilha de opiniões sensata e desejável não nos tornarmos inamovíveis nas nossas crenças, quando achamos que nada mais há a não ser nós próprios. Desse modo, garantidamente, enquistaremos, daí resultando, com toda a certeza, a conflitualidade interior que os afficionados vêm demonstrando.

Alguns deles têm-me dito “ De facto às vezes pergunto como é possível eu adorar animais e gostar de touradas?", e isto, sem falar da velha e gasta resposta que é dizerem que as touradas devem existir porque é tradição! Como se o facto de ser tradição fosse, por si só, justificação para desumanidades, barbaridades, condenação ao sofrimento e à morte.

Isto vem, de alguma forma provar a sua insegurança quanto à questão fulcral, isto é, sabem que o touro sofre, reconhecem que sofre, mas, em nome da "arte", da “tradição”, da satisfação dos “seus prazeres”, aceitam as touradas, ali, e nem querem saber ou questionar, nem o antes nem o depois. Só o “agora”.

Arte? Porquê Arte?

Que concepção têm de Arte? Será que querem dizer Arte de Matar?

Um homicida, um assassino que mata "com requintes de malvadez" (e vocês sabem que muitos planeiam a morte lenta de alguém, tal como fazem com o touro) criando estratégias para esse fim, sedentas de sangue, cenários de horror, psicopatas, ditadores que planearam e planeiam genocídios, o holocausto, enfim, pessoas para quem torturar é e foi diversão e até excitação, exorcizando desse modo recalcamentos do foro sexual, gente que, com toda a certeza, transporta em si inadaptações várias, desajustamentos de toda a ordem e patologias e comportamentos desviantes que a psiquiatria tão bem sinaliza e a própria Psicologia vem demonstrando.

Em pessoas que conheço, que conheço muito bem, e mesmo nos comentários que tenho lido nos jornais, redes sociais e até nas afirmações de certas figuras (figurinhas!) na TV, vislumbra-se perfeitamente, até nos gestos e semblante dessas pessoas, sem falar da sua vida pública e dos relacionamentos pessoais, amorosos e familiares que tanto expõem descaradamente, que são pessoas com problemas de natureza afectivo-emocional, de sociabilização, escondendo-se por detrás das profissões que têm, das roupas de marca que usam, das festas “in” aonde vão, dos “amigos” com os quais posam, das revistecas onde saem, dos enquadramentos familiares claramente ensaiados pelo marketing que os consome e deles tudo faz, até gente infeliz, completamente rendidos ao brilho efémero de uma socialité podre e devassa, na qual, mais tarde ou mais cedo, sucumbirão.

Deixam transparecer uma dureza e uma força que não existe para esconder sentimentos de culpa ou uma vida de fingimento, esforçando-se por mostrar aquilo que na realidade não são nem nunca conseguirão ser – gente com ética, gente com humanidade.

Na realidade, vivem sempre de algo e com algo emprestado, copiado, imitado! As suas relações sociais e amistosas são interesseiras e tudo fazem para conseguir favores de outrem, nem que para isso vendam a alma ao Diabo ou ao diabo do lobby tauromáquico, ou mesmo, aos ditos “artistas” toureiros, bem instalados nas suas propriedades ou “maisons” ou rondando as propriedades dos mayorais engordados com o sangue dos inocentes que sádica e insistentemente preparam para o sacrifício final, desde que nascem até ao ferro em brasa que cobarde e cruelmente lhe aplicam, bebendo sofregamente o seu sangue com o mesmo sorriso que fazem para a fotografia quando, grotescamente, se arreganham os dentes e se auto-promovem, pavoneiam e vangloriam por terem sido o pior dos cruéis, os mais ousados na coragem de matar por matar, inebriados com a ideia de uma heroicidade nacional que nunca terão porque de cobardia a História nunca se fará.

Uma certa imprensa vende-os, como tal, num marketing de ocasião que enjoa e enoja.

Todos os meios justificam o fim, e é vê-los a entrar e a fotografar as suas casas, vê-los a abrir as portas das suas casas, bonacheirões, arrogantes, com gestos ensaiados e os sorrisos postiços de quem só de verdadeiro tem a falta de dignidade e sentido de humanidade.

Só o verdadeiro conhecimento das coisas e da realidade fará com que os amantes das touradas passem a condená-las. Os amantes das touradas que compram o bilhete para a ver, que comodamente, nas suas casas, a vêem na TV, porque, os cavaleiros tauromáquicos, os toureiros a pé, os forcados, os ganadeiros e tantos mais, esses, sabem bem o que se esconde e o que que querem que se não saiba.
E a mudança começará aqui: no esclarecimento sobre a realidade total, frontalmente apresentada ao público, sem artimanhas ou meias-verdades.

As redes sociais têm sido fantásticas e continuarão a sê-lo cada vez mais relativamente à informação e esclarecimento que têm dado para que a verdade se saiba e  se combata a ignorância e a repressão. Para a construção do Humanismo, que olhe o outro de igual para igual e o respeite até na diferença, vendo nessa diferença um meio de enriquecimento cultural e cívico e o fortalecimento de uma diálogo civilizacional que não se fique pela teoria nem por acordos ou tratados.

Lamentavelmente, até uma certa Igreja, um certo clero, uns certos cristãos, de forma aviltante, despudorada e cínica, ovacionam a morte lenta do nobre animal na arena com as mesmas mãos que nas suas missas dominicais ou confessionários lhes permitem o mea culpa de uma catarse feita de mentiras e hipocrisias.

Eu já nem sei se alguém apresentará contas a alguém, se há ou não Julgamento Final, se há ou não Juíz, juízes, se passam pelo fundo de uma agulha ou se não passam. O que sei é que o sofrimento é tanto e cada vez maior "aqui na terra", que há impunidades, prepotência, humilhação, morte, que vemos partir os que amamos e que tanta falta nos fazem (a nós e à humanidade) e que temos viva e bem viva esta corja empoleirada a sorrir sarcásticamente com o mal dos outros e a safar-se cada vez mais com esse mal e a dor que nos causa.

Dá-me asco, tudo isto. Sei que nem todos são iguais (na Igreja Católica e não só) mas, não podemos continuar a "aceitar" pacificamente esta justiça do "Pai perdoai-lhe que eles não sabem o que fazem", porque estamos fartíssimos de saber que eles sabem o que fazem, eles, os que ainda cá andam a espalhar a dor e a morte, perfeitamente tranquilos quanto ao tal Julgamento Final, no qual serão, obviamente, amnistiados por Deus, caso mostrem arrependimento depois do lastro de sangue e de terror que construíram durante TODA a sua vida.

Cada vez vejo mais sofrimento e injustiça na vida dos mais desfavorecidos e mais vulneráveis.

Temos que (continuar) a agir e a exigir.Em torno das Associações, na rua, no trabalho, em casa, nas redes sociais. Intervir, alertando a Assembleia da República e outros órgãos institucionais para a urgência de um referendo sobre o fim das touradas e para a urgência de legislação verdadeiramente exemplar que proteja os animais não humanos de algumas bestas humanas.

Fazem de conta que nada disto existe e que a cruel e sanguinária realidade da qual falamos e escrevemos é pura invenção.


Nazaré Oliveira


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O TOURO SOFRE. É INQUESTIONÁVEL.
VER, AQUI, DECLARAÇÕES DE ESPECIALISTA QUE PROVAM/COMPROVAM ESTA TERRÍVEL VERDADE QUE MUITOS SE RECUSAM A ACEITAR.

http://www.youtube.com/watch?v=xnZ2LQlb4Hs&feature=youtu.be


EXCELENTE DEBATE!
AS PALAVRAS DE PILAR RAHONA DIZEM TUDO!

http://www.youtube.com/watch?v=zB8nggDvy7s&feature=related

CUSTA VER MAS, COMO SÓ O CONHECIMENTO NOS LIBERTARÁ DA MENTIRA, AQUI DEIXO ALGUNS EXEMPLOS, VERÍDICOS, DE CRUELDADE SOBRE ANIMAIS:
http://youtu.be/WlkvSFhyEeM
http://youtu.be/xvEiZA1VESQ
http://youtu.be/uQEpIWyeg2w
http://youtu.be/eCNCaFuWRQM
http://youtu.be/l10VSpX-w9s
http://youtu.be/AKCblkTQCFU
http://youtu.be/7dOPnElQqKc
http://youtu.be/Hw0sajf07kA
http://youtu.be/BVirCMQaJQc


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tell your children!


Um filme de Andras Salamon, pequeno mas intenso.
  
Ficção sobre os acontecimentos verídicos ocorridos em Janeiro de 1945, na Hungria, nas margens do Danúbio, e que nos proporciona, também, uma brutal ligação aos dias de hoje.

As redes sociais, actualmente, têm um papel importantíssimo para o esclarecimento, para a mobilização das pessoas contra os ditadores e o poder opressivo, contra a prepotência e a barbárie... A FAVOR DOS DIREITOS DOS HUMANOS E DOS NÃO HUMANOS.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A história de Francisco dos Santos e a República

Que história fantástica esta, a de Francisco dos Santos, que muito poucos devem conhecer! Uma história de vida que também se cruza com a história da 1ª REPÚBLICA!

Francisco dos Santos é o primeiro da direita, sentado na cadeira.
 Pouco depois da implantação da República, abriu-se concurso para o Busto que a simbolizasse.


Francisco dos Santos, que fora jogador de futebol da Casa Pia, do Sport Lisboa e do Sporting e que, durante os seus tempos de estudante em Roma chegara a capitão da Lazio, ganhou-o. Impressionante a história da vida dele!

O pai era um sapateiro pobre em Paiões, vilarejo de Rio de Mouro, Sintra e Francisco dos Santos tinha dois anos quando ele morreu de uma «tísica fulminante», em 1880. Por especiais diligências do pároco da freguesia entrou para a Casa Pia de Lisboa em 1887. Lá, em Belém, seis anos depois, Januário Barreto e Bruno José do Carmo espalham entre os colegas a «novidade do jogo da bola» - e logo ele, franzino, mostrou, desconcertante, o seu jeito no futebol, como já mostrara no desenho, na escultura.

Para que se matriculasse na Escola de Belas Artes, em 1893 a Casa Pia deu-lhe, para despesas, subsídio mensal de sete mil rei, e para que às aulas fosse «vestido e arranjado convenientemente» pagou-lhe «seis camisas de pano cru, seis lenços de algodão de cor, seis pares de meias, três calças de brim, três calças de mescla, três ceroulas de pano cru, três jalecos de baetilha, três jaquetas de riscado, duas jaquetas de mescla, dois pares de sapatos e, ainda, uma unidade dos seguintes objectos - bonnet de pano azul, botins, escova para calçado, escova para dentes, escova para fato, jaqueta de pano azul, pente, saco de estopa e um bosquejo métrico», lê-se em documento de então.

Cinco anos volvidos terminou o curso com «distinção e medalha de prata».

Em 1903 ganhou um concurso de Escultura para pensionista na Escola de Belas Artes de Paris.

Dava para pouco, a bolsa, no Inverno. Faltando-lhe o dinheiro para o combustível do fogão, «embrulhava o corpo em folhas do Le Fígaro e do Le Matin e cobria-o com os fatos roçados que tinha». Era assim que se aquecia, e conta-se que arranjava ele próprio as botas que se esburacavam duravam uma década.

Casou-se com Nadine Dubose, e quando passava por Portugal nunca deixava de jogar oficialmente futebol pelo Sport Lisboa, que antigos colegas da Casa Pia ajudaram a fundar, em Belém.

Através de um subsídio Valmor em 1906 foi estudar para Roma.

Complicadas continuaram as finanças, sobretudo quando foi vítima de atraso no pagamento da bolsa, porque a «prova de assiduidade», obra denominada Crepúsculo, se perdeu num armazém da alfândega. Teve, então, de viver seis meses a crédito do senhorio, dando aulas de francês para pagar a comida. Nasceu-lhe o filho. Iam-lhes valendo os vizinhos que aos Santos davam alimentos.

Na esperança de que isso pudesse compor-lhe o orçamento, ofereceu-se para futebolista da Lazio, e assim se tornou o primeiro português a jogar no estrangeiro. Em 1907, já era capitão de equipa.

Épico foi o desafio que fez em Pisa: mesmo com duas costelas partidas num choque com adversário que fracturou seis e foi de escantilhão para o hospital, Francisco dos Santos continuou em campo. E a crónica do primeiro derby entre a Lazio e a Roma, na Gazetta dello Sport de 20 de Janeiro de 1908, ainda mais lhe afogueou a fama: «Em evidência estiveram o jovem Saraceni e o veterano Dos Santos, que com os seus 55 quilos foi impressionante e dos melhores em campo».

Em 1909, regressou a Portugal «com dezoito vinténs na algibeira».

Ainda jogou pelo Sporting, ajudou a fundar a Associação de Futebol de Lisboa e foi um dos seus primeiros árbitros. A partir daí, o seu prestígio alastrou e ele enriqueceu.

Logo após a revolução de 5 de Outubro, selos, cartazes, bilhetes postais, estampas, faianças, pisa-papéis, lenços de seda, tudo isso serviu, depressa, para propagação da ideia de que felicidade era a República, das imagens dos seus heróis. A moeda deixou de ser em réis, passou a ser em escudos. Dos nomes das ruas, dos teatros e dos clubes se afastou quase tudo o que tivesse a ver com monarquia.

A nova iconografia estendeu-se ao comércio e passaram a vender-se cigarros Presidente Arriaga e vinho do Porto Bernardino Machado, telhas Republicana e cacaus Democrata.

Foi ainda em 1910 que se lançou concurso para criação do Busto da República. Francisco dos Santos venceu-o. Contudo, por essa altura já havia outro. Dois anos depois, quando o Partido Republicano ganhou a Câmara de Lisboa, Braamcamp Freire, o seu presidente, encomendou-o a Simões d'Almeida (sobrinho), e essa foi a imagem que se usou, simbólica, nos funerais de Miguel Bombarda e Cândido dos Reis, e acabou por se sobrepor, em actos oficiais, moedas, brochuras, documentos, é a que está na Academia Nacional de Belas Artes (ANBA).

António Valdemar, o seu presidente, afirmou recentemente: «A peça em barro de Simões d'Almeida (sobrinho) criou a matriz e foi difícil à de Francisco Santos impor-se. Estava numa arrecadação e foi restaurada em 2009 pelo artista João Duarte». Não deixou, contudo, também de reconhecer: «O busto de Francisco dos Santos tem um toque mais de Paris, com uma mulher mais elegante, no de Simões d'Almeida (sobrinho) a mulher é mais portuguesa, com os seios mais fartos», e não muito antes, numa publicação do Grande Oriente Lusitano, lamentava-se: «O busto oficial da República, o de Francisco dos Santos, o mais belo, é capaz de ser o mais esquecido».

Para além da Estátua do Marquês de Pombal, são dele (de Francisco dos Santos) outros importantes monumentos: Marinheiro Ao Leme, no Cais do Sodré, Prometeu, no Jardim Constantino, e o Túmulo de Gomes Leal no Cemitério do Alto de São João. Também foi pintor e deixou o seu percurso marcado pelo nu feminino, de linhas sinuosas e movimentadas, a sensualidade da carne transporta para a pedra. Salomé Dançando, que esculpiu em 1913, é considerada por naipe largo de críticos a sua obra-prima. Fernando Pamplona viu-a assim: «Um belo corpo serpentino e rojo, em que o pecado da luxúria palpita e vibra em toda a sua fascinação terrível e mortal». Sobre a A Esfinge, o poético, o olhar de Aquilino Ribeiro: «Mimosa, duma impressão soberana, um pedaço de mármore onde passa uma pura e alta emoção de arte. Tendo a finura da La Pensée de Rodin, é mostra perfeita da mão nervosa e maleável». Igual deslumbramento pôs em Um Beijo e Nina – e Albino Forjaz Sampaio fez assim a síntese da sua obra: «Prende-nos os sentidos, faz pensar, faz sentir».

Quando Francisco dos Santos morreu, em 1930, com 58 anos, António Couto, arquitecto que fora seu companheiro no futebol da Casa Pia, do Sport Lisboa e do Sporting, traçou-lhe, emocionado, o retrato, e Carlos Enes reproduziu-o assim na biografia que lhe escreveu:

«Foi dos artistas do seu tempo o que mais trabalhou, o que mais modelos expôs, o que mais obras vendeu. A prosperidade material reflectiu-se na pequena barriguinha que lhe foi crescendo. Contudo, manteve-se sempre mexido, jovial e ruidoso, com as mãos atrás das costas e o chapéu às três pancadas, dando um ar de comerciante feliz nos negócios. Apesar de não o parecer, pelo seu feitio despretensioso, era bastante inteligente e culto, um musicólogo apaixonadíssimo, com presença assídua em concertos e, acima de tudo, um grande homem, um grande coração».

fonte cons.: http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=198302

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Campo Pequeno - CAMPO DA AGONIA

Este ano, 96 seres indefesos e inocentes, barbaramente assassinados no Campo Pequeno!



Dói muito, ver esta foto!
96 seres indefesos e inocentes...
 estar lá, como já estive, enquanto decorre a tortura e a
morte lenta dos pobres animais? Nem imaginam!


AS PESSOAS TÊM QUE SE ESFORÇAR POR ALINHAR MAIS

VEZES COM AS ASSOCIAÇÕES DE DEFESA DOS ANIMAIS NAS

ACÇÕES DE RUA, QUER A FAVOR DE LEGISLAÇÃO QUE OS

 DEFENDA DO BICHO HOMEM QUER PARA ACABAR COM AS

TOURADAS OU OUTRAS DESUMANIDADES SOBRE OS

NOSSOS AMIGOS!

Um abraço aos que continuam a lutar para que acabe tudo

isto. A lutar e a acreditar.



YES, WE CAN!


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O direito à indignação

*

Uma coisa é certa! São sempre os do costume a pagar as crises financeiras, consequência mais do que óbvia de más políticas, maus políticos e dos roubos e saques institucionalizados e legislados por quem se tem apoderado do poder e subrepticiamente se tem servido dele para proveito pessoal e ascensão social.


Já não se aguenta tanto compadrio, tanta corrupção, tanta falsidade e tantas injustiças sociais! Caminhamos para um beco sem saída mas, quem fica sempre encurralado é quem não pode nunca defender-se porque não teve nunca como defender-se.

Só a união fará a força. Só a união permitirá a mudança e a sua consolidação em torno de um compromisso geral onde cada um se constituirá peça-chave para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, ao serviço de todos e não de alguns.

Ao longo da História as mudanças profundas e os momentos de ruptura fizeram-se porque as pessoas, tomando consciência da sua força, da humilhação constante e da exploração de que eram alvo, das injustiças e das cada vez maiores e mais gritantes desigualdades sociais, indignaram-se!

Sim, indignaram-se.

Exerceram o seu direito à indignação tantas vezes amordaçado, escamoteado e vilipendiado pelos que temem o poder do povo e os combates travados na rua, quando esse povo sentiu que a sua vida em morte se tornava se o pouco que fizesse em luta não redundasse.

Isto não pode continuar:

miséria e fome, consumismo e esbanjamento, exploração desenfreada dos recursos naturais, desertificação dos solos, endividamento contínuo para satisfação dos caprichos político-partidários da mediocridade reinante, um novo-riquismo cada vez mais arrogante, ignorante e ardiloso, falta e quebra de valores como a solidariedade, justiça social, humanidade, seriedade, trabalho e esforço pessoal, endeusamento de figuras públicas ignorantes e completamente ocas nas ideias e na acção, promoção das pessoas não pelo trabalho que fazem e pela forma como o fazem, mas pelos cargos que ocupam, pelos sinais de riqueza que apresentam, pelas cunhas que daí possam advir, pela teia de influências que permitem, pelas cadeiras onde se sentam, seja nas empresas públicas ou privadas, Assembleia da República, escolas, hospitais, jornais, televisões…

Vivemos num país (num mundo) onde já não está a contar ou quase não conta quem vive e faz as coisas com seriedade e brio profissional, sentido de justiça e abnegação, mas, quem faz de conta que tudo faz nada fazendo, tal o artificialismo e visibilidade mediática que hipocritamente encomendam para se fazer notar, seja onde for, com quem for, desde que a sua imagem ganhe contornos de popularidade mesmo duvidosa.

Querem simplesmente dar nas vistas, rodeando-se, se possível, de um séquito de bajuladores que os promovem a figuras "nacionais" e "superiores”, abutres que são e atentos que estão à espera de um qualquer favor ou de um qualquer sinal para se sentarem, também a seu lado, na mesa do poder. Dos pequenos poderes de pequena gente que pulveriza os nossos gabinetes, as nossas empresas, servindo despudoradamente uma ética política e moral pública completamente pervertida e arredada dos mais elementares princípios que qualquer um deveria aplicar-se, empenhado que estivesse na qualidade da democracia e no funcionamento correcto das suas instituições.

Prevalece a importância dos cargos e dos títulos, dos certificados e diplomas académicos que muitos e muitos acumulam "à pressão", dos mestrados, doutoramentos, sem que isso signifique mais cultura, mais nível e mais conhecimento.

De facto, onde está o nível de tanta desta gente? Onde está que não se vê ou nunca se viu? De que modo o seu desempenho melhorou as instituições ou funções que desempenhavam e desempenham? Em que se tem diferenciado esse desempenho, na prática, a não ser nas subidas de carreira e nos “bónus salariais”?

Pensa-se na profissão e não no trabalho, na forma de tratamento, na vaidade que isso traz, mais nos ganhos que permitirá do que pô-la ao serviço dos outros, do país, do desenvolvimento e da harmonia social.

Muita desta gente, destas autoridades e destas hierarquias, nada faz nem ousa fazer se daí não resultar, de algum modo, proveito pessoal, enriquecimento rápido e ostentação material.

Nunca tanta gente mandou em tanta gente ou pensa e quer mandar em tanta gente!

Somos um país carregado de chefes, de administradores, de gestores, de directores, de coordenadores, de presidentes disto e daquilo, de mestres e doutores. E de trabalhadores?

Prevalece, ainda, o nome e apelido sonante e não o currículo académico e a excelência do percurso.

Prevalece a cunha e não o mérito. Prevalece a mentira e a ignomínia.

Continua a caminhar-se para o abismo político, social, económico, psicológico e ecológico.

Embriagados pela tecnologia e pelo consumismo, também nos temos esquecido de valorizar as coisas simples da Natureza e de as amar, ponto de partida fundamental para a construção de uma sociedade de gente feliz, sem lágrimas, onde todos possam viver dignamente e em harmonia com todos os seres, com seriedade e sem demagogia.

Vivemos tempos de mudança.

Temos de a fazer, sim, mas não a qualquer preço nem de qualquer maneira.

Olhemos para a História.

Olhar para a História é olhar para a Vida e dela retirar força e ensinamentos.



“Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" (Amyr Klink)



Nazaré Oliveira



* Quadro de Goya "3 de Maio"

Vozes pela liberdade

Dos trabalhos mais fantásticos e mais belos que vi!
Que mensagem!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Viva a Catalunha!

Que alegria!
A Catalunha acabou com as touradas no dia 25 de Setembro deste ano!
Brindemos mas não esqueçamos: a luta continua!
Parabéns, amigos!

 (Foto: Albert Gea / Reuters) 
Activistas festejam o fim das touradas em Barcelona

VEJAM O EXEMPLO MAGNÍFICO DESTA GENTE: