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domingo, 20 de janeiro de 2013
Orçamento da Assembleia da República para o ano de 2013
Listas Lagarde - a guardar evasores fiscais?
O Parlamento grego decidiu que o
ex-ministro das Finanças Giorgos Papaconstantinou será ouvido para responder às
acusações de ter manipulado a apelidada "lista Lagarde".
Papaconstantinou é suspeito de ter modificado a lista de cerca de 2000 nomes de gregos com depósitos avultados no banco suíço HSBC não declarados ao fisco grego.
A lista, entregue pela então Ministra das Finanças do Governo Sarkozy, "perdeu-se" na altura, entre a gaveta do ministro e os corredores do poder, tendo sido recriada por Evangelos Venizelos, sucessor de Papaconstantinou.
As autoridades gregas, que pediram entretanto a lista original às autoridades francesas, notaram que três nomes na lista original estavam ausentes da oficiosa: o de uma prima de Papaconstantinou, do marido desta, e ainda da mulher de outro primo do então ministro. Tudo em família, portanto.
O Parlamento e as autoridades gregas cedem assim à intensa pressão do povo grego, que compreensivelmente não se conforma com a complacência das autoridades para com os milhares de milhões criminalmente evadidos ao fisco pelas suas elites, enquanto vê o seu nível de vida degradar-se drasticamente e a economia do país arrasada, após anos de austeridade imposta pela Europa e pelo FMI.
E em Portugal?
Poucos parecem preocupar-se em saber se o Governo português recebeu ou não também a sua "lista Lagarde" (eu enviei duas cartas a Christine Lagarde sobre o assunto - vd abaixo).
Mas sabemos que o Ministro Teixeira dos Santos teve acesso à lista de portugueses com contas parqueadas no Liechtenstein.
Em vez de serem tornadas publicas estas listas - tal como pedi na altura a Teixeira dos Santos, e também a Vitor Gaspar (vd abaixo) - continuamos sem saber que diligências tomou o Estado português para recuperar esses activos que tanta falta fazem ao erário público. Se é que tomou alguma.
Sabemos também que, em virtude do acordo de troca de informação fiscal celebrado com a Suíça, Portugal poderia ter acesso às contas de portugueses em bancos naquele país, informação imprescindível para o Ministério Público poder agir com processos-crime.
Mas não: o Governo de Passos Coelho preferiu, com o RERT III, oferecer amnistia fiscal a todos os evasores, garantindo-lhes sigilo no que respeita à sua identidade e origem dos capitais, mediante o pagamento de uma taxa de...7,5%!!! o que muitos fizeram, convenientemente, antes de o Acordo com a Suíça entrar em vigor.
Como aparentemente fez Ricardo Salgado, o CEO do BES, que, segundo o Jornal I de ontem, invoca "esquecimento" para não ter declarado ao fisco a bagatela de 8.5 milhões de capitais próprios...
Segundo o "Sol" de 21.12.12 "Ricardo Salgado foi prestar declarações no processo Monte Branco, esta terça-feira, para esclarecer milhões de euros que colocou no estrangeiro até 2010 e que não declarara ao Fisco. Trata-se de capitais movimentados para fora de Portugal através dos serviços da Akoya Asset Management, fundada em 2009, e do seu líder, o suíço Michel Canals".
A Akoya é considerada a maior rede de fraude fiscal e de branqueamento de capitais que operou em Portugal. Por acaso conta entre os seus accionistas o Sr. Alvaro Sobrinho, da Newshold que quer fazer negócio com o Ministro Miguel Relvas e comprar a RTP (vd D.Economico de 28.12.12) Tudo imaculado, está bem de ver.
Segundo o Jornal I, o esquecido banqueiro Salgado teve de corrigir por diversas vezes a declaração de IRS que fez em 2011 e por isso terá acabado por pagar 4,5 milhoes de euros.
Claro que tudo isto só se sabe porque o MP abriu a investigação "Monte Branco" e topou que o Dr. Salgado e a Akoya tinham relações...
O que continua a não se saber é quanto o Dr. Salgado poupou por ter transferido tudo o que transferiu para o exterior, durante anos, sem nada declarar ao Estado, só corrigindo quando foi apanhado pelo MP e, presume-se, pagando apenas 7,5% de imposto, taxa para proteger os ricos evasores fiscais no esquema engendrado no OE 2012 pelo Governo de Passos/Gaspar/Portas e Paulo Nuncio, o Secretário de Estado do Tesouro - e do CDS/PP - especialista na matéria.
Mas não era elementar, até para a credibilidade e descanso do BES, que o Dr. Salgado explicasse a que montante depositado no exterior corresponde a quantia de 4,5 milhoes que pagou ao fisco, em correcção do seus "esquecimentos"?
E não era elementar que o Governo prestasse contas aos portugueses sobre as quantias que o Estado cobrou e deixou de cobrar, ao deixar corrigir os "esquecimentos" do banqueiro Salgado?
E que montante afinal deixou que ele mantivesse a bom recato em cofres no exterior do país?
E com que justificação, quando sobrecarrega violentamente os contribuintes que nunca se "esqueceram" de pagar impostos e que ganham o que o Dr. Salgado pode gastar em amendoins?
É que quando o Estado impõe os níveis confiscatórios e iníquos de impostos que Gaspar/Coelho/Portas impuseram este ano às classes médias e pobres, era elementar tornar transparentes as doçuras por eles oferecidas ao banqueiro Salgado...
Carta a Teixeira Santos: http://www.anagomes.eu/PublicDocs/5c2d7dc4-0c28-47aa-b7c0-967a30208be6.pdf
Carta a Vitor Gaspar: http://www.anagomes.eu/PublicDocs/8ca362d1-55fb-4ba3-bf9e-fc8a8ec46d27.pdf
Papaconstantinou é suspeito de ter modificado a lista de cerca de 2000 nomes de gregos com depósitos avultados no banco suíço HSBC não declarados ao fisco grego.
A lista, entregue pela então Ministra das Finanças do Governo Sarkozy, "perdeu-se" na altura, entre a gaveta do ministro e os corredores do poder, tendo sido recriada por Evangelos Venizelos, sucessor de Papaconstantinou.
As autoridades gregas, que pediram entretanto a lista original às autoridades francesas, notaram que três nomes na lista original estavam ausentes da oficiosa: o de uma prima de Papaconstantinou, do marido desta, e ainda da mulher de outro primo do então ministro. Tudo em família, portanto.
O Parlamento e as autoridades gregas cedem assim à intensa pressão do povo grego, que compreensivelmente não se conforma com a complacência das autoridades para com os milhares de milhões criminalmente evadidos ao fisco pelas suas elites, enquanto vê o seu nível de vida degradar-se drasticamente e a economia do país arrasada, após anos de austeridade imposta pela Europa e pelo FMI.
E em Portugal?
Poucos parecem preocupar-se em saber se o Governo português recebeu ou não também a sua "lista Lagarde" (eu enviei duas cartas a Christine Lagarde sobre o assunto - vd abaixo).
Mas sabemos que o Ministro Teixeira dos Santos teve acesso à lista de portugueses com contas parqueadas no Liechtenstein.
Em vez de serem tornadas publicas estas listas - tal como pedi na altura a Teixeira dos Santos, e também a Vitor Gaspar (vd abaixo) - continuamos sem saber que diligências tomou o Estado português para recuperar esses activos que tanta falta fazem ao erário público. Se é que tomou alguma.
Sabemos também que, em virtude do acordo de troca de informação fiscal celebrado com a Suíça, Portugal poderia ter acesso às contas de portugueses em bancos naquele país, informação imprescindível para o Ministério Público poder agir com processos-crime.
Mas não: o Governo de Passos Coelho preferiu, com o RERT III, oferecer amnistia fiscal a todos os evasores, garantindo-lhes sigilo no que respeita à sua identidade e origem dos capitais, mediante o pagamento de uma taxa de...7,5%!!! o que muitos fizeram, convenientemente, antes de o Acordo com a Suíça entrar em vigor.
Como aparentemente fez Ricardo Salgado, o CEO do BES, que, segundo o Jornal I de ontem, invoca "esquecimento" para não ter declarado ao fisco a bagatela de 8.5 milhões de capitais próprios...
Segundo o "Sol" de 21.12.12 "Ricardo Salgado foi prestar declarações no processo Monte Branco, esta terça-feira, para esclarecer milhões de euros que colocou no estrangeiro até 2010 e que não declarara ao Fisco. Trata-se de capitais movimentados para fora de Portugal através dos serviços da Akoya Asset Management, fundada em 2009, e do seu líder, o suíço Michel Canals".
A Akoya é considerada a maior rede de fraude fiscal e de branqueamento de capitais que operou em Portugal. Por acaso conta entre os seus accionistas o Sr. Alvaro Sobrinho, da Newshold que quer fazer negócio com o Ministro Miguel Relvas e comprar a RTP (vd D.Economico de 28.12.12) Tudo imaculado, está bem de ver.
Segundo o Jornal I, o esquecido banqueiro Salgado teve de corrigir por diversas vezes a declaração de IRS que fez em 2011 e por isso terá acabado por pagar 4,5 milhoes de euros.
Claro que tudo isto só se sabe porque o MP abriu a investigação "Monte Branco" e topou que o Dr. Salgado e a Akoya tinham relações...
O que continua a não se saber é quanto o Dr. Salgado poupou por ter transferido tudo o que transferiu para o exterior, durante anos, sem nada declarar ao Estado, só corrigindo quando foi apanhado pelo MP e, presume-se, pagando apenas 7,5% de imposto, taxa para proteger os ricos evasores fiscais no esquema engendrado no OE 2012 pelo Governo de Passos/Gaspar/Portas e Paulo Nuncio, o Secretário de Estado do Tesouro - e do CDS/PP - especialista na matéria.
Mas não era elementar, até para a credibilidade e descanso do BES, que o Dr. Salgado explicasse a que montante depositado no exterior corresponde a quantia de 4,5 milhoes que pagou ao fisco, em correcção do seus "esquecimentos"?
E não era elementar que o Governo prestasse contas aos portugueses sobre as quantias que o Estado cobrou e deixou de cobrar, ao deixar corrigir os "esquecimentos" do banqueiro Salgado?
E que montante afinal deixou que ele mantivesse a bom recato em cofres no exterior do país?
E com que justificação, quando sobrecarrega violentamente os contribuintes que nunca se "esqueceram" de pagar impostos e que ganham o que o Dr. Salgado pode gastar em amendoins?
É que quando o Estado impõe os níveis confiscatórios e iníquos de impostos que Gaspar/Coelho/Portas impuseram este ano às classes médias e pobres, era elementar tornar transparentes as doçuras por eles oferecidas ao banqueiro Salgado...
Carta a Teixeira Santos: http://www.anagomes.eu/PublicDocs/5c2d7dc4-0c28-47aa-b7c0-967a30208be6.pdf
Carta a Vitor Gaspar: http://www.anagomes.eu/PublicDocs/8ca362d1-55fb-4ba3-bf9e-fc8a8ec46d27.pdf
sábado, 19 de janeiro de 2013
Contra o tráfico de pessoas
Divulga, esclarece!
São breves minutos que podem fazer toda a diferença!
São breves minutos que podem fazer toda a diferença!
Este país está um nojo
![]() |
| "Retirantes", de Portinari. |
Li esta notícia:
Apesar de nos colocarem a
ferro e fogo, numa austeridade que já está a matar gente à fome e a tornar cada
vez mais próximo o abismo para a democracia portuguesa, vale a pena pôr os
olhos naquele homem – Rafael Correa – um político, um Presidente da República preocupado
verdadeiramente com o seu povo e com a coesão social, sem a qual nenhum país se
desenvolverá, porque interessado sempre se mostrou e parte ativa da mesmo se
tornou, jamais subordinando a soberania aos ditames da Finança Mundial.
Fantástico!
Atuante, sério, numa clara demonstração
de como deve agir quem eleito democraticamente é para prestar um serviço que
todos dele se espera, isento, determinado, cumpridor, Rafael Correa mostra-nos
como fez perante um drama que também viveu mas que nós continuamos a viver,
numa clara tragédia nacional, porque do aniquilamento de um povo se trata.
Clarividente, inteligente, com
sentido de responsabilidade política e sentido de estado, recusou-se a hipotecar
o país e as suas gentes em nome da ditadura financeira e da Economia desumanizante
que se alastra cada vez mais com o apoio de governos como o nosso que, servindo-se
do voto popular, dele fizeram o que muito bem entenderam em nome de um protagonismo
internacional oco, bem visível nos discursos e nos sorrisos com que abraçaram e
abraçam medidas que só aos grandes da Europa têm interessado, mesmo quando alguns
desses grandes nem Moral nem Ética têm tido ao longo da História deste velho
continente, muito pelo contrário.
Com uma subserviência e
obediência cega cada vez mais insuportáveis perante as exigências do FMI, Banco
Central Europeu e Banco Mundial, vivemos em Portugal, isso sim, muito abaixo
das nossas possibilidades de sermos nós próprios senhores do nosso destino.
Desmoralizam-nos. Dececionam-nos.
Infernizam as nossas vidas.
O nosso governo nunca se
mostrou interessado em negociar a dívida mas em cumpri-la. Nunca se mostrou
interessado pelo povo mas em sacrificá-lo.
Vivemos aterrorizados com o presente
porque aterrador se mostra o futuro. Aliás, não vivemos: vamos morrendo
lentamente para que um bando de abutres sobre nós poise e nos sugue cada vez
mais.
Deixaram que de nós fizessem
o que agora já somos: NADA!
Este país está um nojo, um
caos, um autêntico lamaçal onde só se mexe a escumalha que se safa sempre com a
infelicidade dos outros e à custa dos quais sempre enriquece e enriqueceu.
Entregues a gente que se
aproveitou do voto popular para nos representar, estamos prisioneiros de uma
corja que até a soberania vai vendendo para ficar bem na fotografia, salvar a
pele, os amigos, as empresas dos amigos, os gestores amigos, os diretores
amigos, os compadres, os ladrões, os amigos dos ladrões, os advogados desses
ladrões, os criminosos, os defensores desses criminosos, os corruptos, os que
vivem à custa deles, os bancos, os acionistas, os agiotas, os banqueiros, os políticos
sem escrúpulos, os falsos pobres, os falsos justos, os aldrabões e os seus
cúmplices e todos os parasitas que sobrevivem sempre às crises porque delas
proveito sempre tiram e tirarão, nem que para isso vendam a alma e o país ao
Diabo.
Levanta-te, meu povo!
Nazaré Oliveira
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
A Bela Arrábida
Programa
emitido pela SIC no dia 6 de Janeiro de 2013, com realização de Luís Quinta e
Ricardo Guerreiro, produzido pela TRADIVÁRIUS e patrocinado pela AMRS
(Associação de Municípios da Região de Setúbal).
A Bela
Arrábida!
Venha a luta!
"1900", de Bernardo Bertolucci, foi dos filmes que mais me marcaram (e marcam). Uma obra-prima. Uma lição de História
Neste apontamento do mesmo, chega a ser perturbadora a relação que com ele imediatamente estabelecemos com a atualidade! Pela injustiça social, pela forma vil como se trata a pobreza e se desumaniza a vida de quem a custo se levanta para enfrentar a sombra dos dias na esperança da luz que tarda mas sempre se espera.
É preciso enfrentar, sim, com determinação, aquilo que nos roubam sistematicamente e nosso é.
É preciso enfrentar, sim, o autoritarismo fascizante de quem como peças de um jogo perverso nos manipula e gasta, até à exaustão, humilhando e ferindo a dignidade, ora roubada ora violada, de quem da vida dor e sacrifício tirado tem.
Não chega o sonho. Venha a luta.
Venha a determinação de a querer e de nela acreditar.
(Um excerto fantástico deste filme!)
Para quem se interessar, aqui fica a sinopse deste filme e o link da 1ª parte (integral):
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Dispensar 50.000 professores?
Com a devida vénia, aqui publico uma mensagem que recebi da Associação de Professores de História (A:P:H:):
Dispensar 50.000 professores?A Associação de Professores de História manifesta-se frontalmente contra a notícia veiculada acerca da necessidade em dispensar 50.000 professores (ver em http://economico.sapo.pt/noticias/fmi-propoe-dispensa-de-50-mil-professores-e-novo-corte-nas-pensoes_159819.html e enviou para a LUSA o seguinte texto:
Explicita-se que “No relatório é referido que os polícias, os militares e os professores “continuam a ser um grupo privilegiado na sociedade”, que os médicos têm salários excessivamente elevados (principalmente devido ao pagamento de horas extraordinárias) e os magistrados beneficiam de um regime especial que aumenta as pensões dos juízes em linha com os salários”.
Relembramos o último
relatório da OCDE que afirma que os professores portugueses são, na Europa, os
que trabalham mais horas por menos dinheiro.
Em Portugal já
houve momentos em que se discutiu o papel do professor na gestão da mudança
económica, social e cultural. Mas de uma maneira geral e sempre que ocorreram
grandes alterações sociais, instabilidade económica e descrença perante o
futuro, o professor apareceu como responsável direto pelas deficiências na
qualidade da formação, logo na preparação das novas gerações e, assim também,
no seu desemprego e consequente agravamento das condições económicas e sociais
(ver, a propósito, Martin Lawn, que explicita bem este fenómeno a partir do
caso inglês – “Os professores e a fabricação de identidades” in A. Nóvoa, A
difusão mundial da escola, 2000).
Se os
professores são uma das “tecnologias” do sistema educativo (expressão de Martin
Lawn) e, por isso mesmo, fortemente regulamentados pelo Estado, então
atualmente uma das pretensões do Estado pode ser a de incentivar
deliberadamente a destruição da identidade do professor ou, pelo menos, fazer
com que o professor se sinta confuso, afastado do processo para o qual é
chamado a trabalhar, disperso por múltiplos apelos, cada vez mais burocráticos
e distantes da sua formação académica e pedagógica.
Apagar essa
identidade (do professor enquanto profissional) pode ter vários objetivos, de
entre eles talvez substituí-la por outra menos reivindicativa, menos coesa e
confiante. Esta pode ser uma estratégia devidamente refletida e
extraordinariamente eficaz para protelar a situação crítica que se vive nas
escolas e, por conseguinte, no sistema educativo em geral. E, talvez por isso,
se assista ao esquecimento do papel social e cultural que os professores têm
numa sociedade democrática, se aumente a carga horária e o número de alunos por
turma de uma forma cega, esquecendo as consequências.
Uma forma de
manietar os professores é exigir-lhes o que não conseguem por não terem
condições objetivas de alcançar. Se agora se acresce a isto o receio de perder
o emprego, então temos um meio eficiente de manipular os professores, de criar
um professor sem identidade, inseguro e dependente. E contribui-se para
destruir de maneira dura e atroz o sistema educativo, a escola pública e a
preparação das novas gerações. Estas poderão pagar caro este desprezo de uma
política que sobrepõe a contabilidade ao futuro dos mais novos.
09 de janeiro de 2013
A Direção da APH
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Mandar é que interessa
![]() |
| Antony Gormley - Figura / Escultura Tabletes maciços de aço inoxidável soldados sobre estrutura de ferro (Londres Inglaterra UK) |
Começou mais um ano.
Começou mais uma etapa que, espero eu, seja muito melhor do que a do ano
anterior, em todos os aspetos.
Num ano tão difícil como
o que acabou há dias, olho para trás e, revoltada, continuo a questionar-me por que é que,
passados 38 anos da Revolução de Abril, Portugal tanto regrediu em campos
essenciais, caso do social, do político, do económico-financeiro e até ao nível
dos valores e atitudes como Estado e como
Povo.
Já muito pouco sobra
daquilo que nos moveu naquela madrugada que eu esperava e muito pouco já esperamos de governos e afins, espezinhados que têm sido
direitos adquiridos e corrompido que tem sido o estado social e o estado de
direito.
Subverteram-se e
subvertem-se constantemente os ideais de Abril.
Temos mais doutores mas
nem por isso mais progresso e desenvolvimento. Temos mais gente politizada mas
nem por isso melhores políticos. Temos mais experiência democrática mas nem por
isso melhor democracia. Temos mais estradas, mais casas, mais automóveis, mais
infraestruturas, mas nem por isso mais e melhores condições de vida. Temos
maior projeção na comunidade internacional mas nem por isso maior
reconhecimento pela mesma. Temos mais escolas e mais professores mas nem por
isso mais e melhor educação. Temos mais empresários mas nem por isso mais e
melhores investimentos.
Não há um contínuo nas
ações que se tomam, nem coerência na sua adoção, nem rigor nem ética nem vontade
política.
Nada ou quase nada do que se começa acabado é com vista à satisfação dos objetivos traçados e do bem comum. Mudam-se os governos, mudam-se as vontades, mas não se tem mudado esta atitude de querer fazer singrar, a valer, o país e a sua gente.
Nada ou quase nada do que se começa acabado é com vista à satisfação dos objetivos traçados e do bem comum. Mudam-se os governos, mudam-se as vontades, mas não se tem mudado esta atitude de querer fazer singrar, a valer, o país e a sua gente.
Fala-se muito de
empreendedorismo mas verdadeiramente não se apoia o investimento interno nem se
facilita quem decidido está a trabalhar, quer na reindustrialização quer na
empresarialidade.
Na Política e na
Economia, não se ouve quem sabe e quem da experiência ensinamentos colheu. Antes, age-se com a arrogância dos medíocres para quem tudo lhes basta desde
que ameaçados não sejam do cimo do seu pedestal.
Não se dá valor ao
Conhecimento nem à Razão.
Mandar é que interessa,
mesmo sem se saber mandar ou sequer saber o que se manda. Mandar fazer sem nada
fazerem, mandar cumprir sem nada ou muito pouco cumprirem, como se o Estado
nada tivesse a ver com o indivíduo, como se o Estado, em democracia, fosse dissociável
do cidadão, como se o cidadão não existisse ou, a existir, fossem as elites as
beneficiárias das suas boas ações.
Mandar é que interessa e, como disse o atual primeiro ministro do meu país, “que se lixem as eleições".
Ao ponto que isto chegou!
Nazaré oliveira
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
Este seu olhar
João Gilberto:
Para mim, um dos maiores compositores, aqui, num dos trabalhos musicais mais lindos que apareceram!
E que belo poema!
sábado, 29 de dezembro de 2012
Haja compaixão
Excelente e doloroso trabalho do Luís
Padilha, que desde já agradeço.
As pessoas deviam ver integralmente este vídeo. Com coragem mas também com respeito.
Coisas que acontecem, verdadeiramente, de forma terrível e monstruosa!
Tenho esperança que estes vídeos possam
contribuir para ajudar as pessoas a refletir sobre a tortura e crueldade
que exercem sobre os outros, neste caso, os animais não humanos.
Na era da comunicação, com tecnologias
de informação cada vez mais avançadas, mais massificadas e mais fáceis de utilizar,
ninguém devia ignorar isto, melhor dizendo, o sofrimento que existe, em
particular o sofrimento e exploração dos mais vulneráveis e dos indefesos.
Haja compaixão!
Partidos políticos
![]() |
| Assembleia da República Portuguesa |
![]() |
| Parlamento Europeu |
Nenhum de nós deve afastar-se das
suas responsabilidades, até na Política.
O estado a que chegou o nosso país e
a Europa também a nós se deve, pelo que muito que não fizemos e devíamos ter
feito e até pelo muito que ignorámos ou denunciado não foi.
Como cidadãos, mandatámos alguns
deles – os deputados - para uma representação que, naturalmente, aguardávamos
com confiança. Mas nós só mandatámos! E não mandatámos para mandarem em nós,
mas sim, para exercer aquilo que deles sempre se espera: refletirem sobre os problemas que ao país vão surgindo e procurarem soluções justas,
harmoniosas, exequíveis, que nunca dano causem ao povo nem permitam que o mesmo sacrificado
seja em nome de interesses que contrariem a verdadeira essência de um regime
democrático.
Quem faz as listas dos partidos? Quem
entra nas listas dos partidos? Quem leva quem para certas listas de partidos?
Grupos. Pequenos grupos mandantes e tendenciosos que todos os partidos comportam, com gente
“bem falante” mas “mal pensante”, que lá está, sempre esteve e estará, mas para
defender os seus interesses pessoais, profissionais, e que, mercê da sua
posição de pater familias dentro desses partidos ou gente de bolsos cheios que os alimentam, vão liderando irresponsavelmente e manipulando da pior
maneira os jovens políticos das infantilizadas "jotas partidárias".
Politicamente mal nascidos e mal paridos, entram na Política e acham-se políticos. Pequena gente que o poder agarra ferozmente, com a voracidade de quem sabe não haver tempo a perder neste saque político-partidário rotativista em que a nossa governação se tornou!
Falam de Política mas mal sabem de Política ou sequer de Democracia, Estado Social ou Soberania Nacional, ofuscados que estão com as luzes de uma União Europeia cada vez mais afastada dos cidadãos e dos valores que a geraram.
Deslumbram-se com as fotografias de grupo e as relações internacionais de puro servilismo que os promoverá além-fronteiras!
Esquecem-se de nós, estes pequenos políticos de vistas curtas, quer no governo quer na oposição, afetados por gestos ridículos de ridícula pompa, vertidos numa oratória medíocre que deixa transparecer uma grave e lamentável falta de cultura e ética política.
Esquecem-se que fomos nós - o povo - que os mandatou para cumprirem o que prometeram cumprir com honra e lealdade e intervêm publicamente com um semblante de estranha indignação como se fôssemos nós, o povão, o culpado desta situação miserável a que chegámos!
Em momentos de clara gravidade para o país ou de evidente má gestão política, muita desta gente dos partidos políticos não intervem séria nem oportunamente para não criar conflitos no seu seio ou até para não perder padrinhos e afilhados, empregos e outros favorecimentos, propositadamente alheados dos valores nacionais e da democracia, que subalternizam face aos seus interesses corporativos sistematicamente negados quando deles se lhes pergunta, mas que mais tarde emergem e se revelam abrutamente quer sob a forma de escândalos financeiros, compra de favores, compra de cargos, compra de testemunhas, manipulação de concursos públicos, destruição de provas, fuga de capitais, sem falar do horror que é a corrupção – passiva e ativa – e o fazer de conta que dela nada se sabe ou sobre ela algo se faz!
Politicamente mal nascidos e mal paridos, entram na Política e acham-se políticos. Pequena gente que o poder agarra ferozmente, com a voracidade de quem sabe não haver tempo a perder neste saque político-partidário rotativista em que a nossa governação se tornou!
Falam de Política mas mal sabem de Política ou sequer de Democracia, Estado Social ou Soberania Nacional, ofuscados que estão com as luzes de uma União Europeia cada vez mais afastada dos cidadãos e dos valores que a geraram.
Deslumbram-se com as fotografias de grupo e as relações internacionais de puro servilismo que os promoverá além-fronteiras!
Esquecem-se de nós, estes pequenos políticos de vistas curtas, quer no governo quer na oposição, afetados por gestos ridículos de ridícula pompa, vertidos numa oratória medíocre que deixa transparecer uma grave e lamentável falta de cultura e ética política.
Esquecem-se que fomos nós - o povo - que os mandatou para cumprirem o que prometeram cumprir com honra e lealdade e intervêm publicamente com um semblante de estranha indignação como se fôssemos nós, o povão, o culpado desta situação miserável a que chegámos!
Em momentos de clara gravidade para o país ou de evidente má gestão política, muita desta gente dos partidos políticos não intervem séria nem oportunamente para não criar conflitos no seu seio ou até para não perder padrinhos e afilhados, empregos e outros favorecimentos, propositadamente alheados dos valores nacionais e da democracia, que subalternizam face aos seus interesses corporativos sistematicamente negados quando deles se lhes pergunta, mas que mais tarde emergem e se revelam abrutamente quer sob a forma de escândalos financeiros, compra de favores, compra de cargos, compra de testemunhas, manipulação de concursos públicos, destruição de provas, fuga de capitais, sem falar do horror que é a corrupção – passiva e ativa – e o fazer de conta que dela nada se sabe ou sobre ela algo se faz!
Fazer de conta!
Fazer de conta que esses mandatários
nos estão verdadeiramente a representar? Não.
Não é possível fazer de conta que isso está a acontecer quando olhamos para o que está a acontecer e quando todos sabemos que esses mesmos mandatários remunerados são para tal e com o dinheiro de todos nós.
Fazer de conta que não sabemos que
esses mesmos partidos funcionam como meio de ascensão social e profissional,
descurando a importância da intervenção política séria e inteligente dos seus
membros na Assembleia da República? Não é possível fazer de conta que isso está a acontecer quando olhamos para o que está a acontecer e quando todos sabemos que esses mesmos mandatários remunerados são para tal e com o dinheiro de todos nós.
Mesmo os antigos Presidentes da
República, militantes, como todos sabemos , de partidos políticos, por que razão não foram (mais) atuantes, críticos, oportunos, relativamente aos erros de governação que entretanto se avolumaram irremediavelmente? Qual o seu papel? O seu dever?
No entanto, continuam a usufruir de mordomias que uma ofensa são para quem disse e diz ter feito um trabalho e serviço ao país. Um trabalho e um serviço que remunerado foi e que agora sentido não faz que continue a acontecer da forma que tem vindo a acontecer pois proveito não deveria ter quem funções daquele nível há muito cessou. Afinal, onde estão os mais altos interesses da Pátria que também declaram constantemente?
O que faz todo o sentido é, isso sim, apresentarem-se ao país completamente despojados dessas mordomias que nunca sentido fizeram nem farão num estado que pretende a equidade e justiça socia que os seus próprios partidos apregoam.
Afinal, o que justifica a manutenção dessas
mordomias? Num momento de tamanha gravidade económico-financeira e de
endividamento do país, por que não se tem “a coragem” de apresentar um
projeto-lei que acabe com elas, do mesmo modo que outras, claro?
O que impede o legislador de o fazer, neste e noutros aspetos de clara injustiça e provocação que cada vez mais revolta os cidadãos?
Os interesses político-partidários, claro!
Os interesses corporativos que asfixiam descaradamente os interesses nacionais e relegam para último plano os interesses dos que neles confiança depositaram para seus mandatários servirem.
Os partidos com assento na AR têm
feito o que querem e é revoltante sabermos que cada vez são menos permeáveis às
críticas dos cidadãos ou até mesmo às críticas que emanam do interior deles próprios.
Um exemplo? A disciplina de voto, a mesma “cartilha”, o mesmo “abanar da cabeça”,
os mesmos risos, as mesmas graçolas no hemiciclo.O que impede o legislador de o fazer, neste e noutros aspetos de clara injustiça e provocação que cada vez mais revolta os cidadãos?
Os interesses político-partidários, claro!
Os interesses corporativos que asfixiam descaradamente os interesses nacionais e relegam para último plano os interesses dos que neles confiança depositaram para seus mandatários servirem.
Por estas e por outras razões, os
cidadãos sentem-se cada vez mais afastados da Política e enojados com os
políticos. Sentem que enganados foram
por quem se lhes apresentou jurando promessas e soluções sérias que jamais
pusessem em risco direitos e conquistas que arduamente conquistadas foram por
quem da vida só trabalho viu e dificuldades só sente.
São os partidos a mandarem no país e
não o povo. Os partidos e os bancos. Os bancos e os ricos. É o povo a afastar-se cada vez mais dos partidos, uma espécie de clubes privados, desmotivando e dificultando constantemente a entrada de quem da Política tarefa e missão nobre ainda lhe reconhece.
E isto é perigoso, muito perigoso, porque
levou e levará à descredibilização dos mesmos e da Política, logo, constitui ameaça à paz social e à democracia, ameaça que já estamos a sentir.
É por isso que todos temos de intervir.
Com responsabilidade.
Fernando Savater refere numa das suas obras que os partidos não deviam passar de um instrumento destinado a facilitar um certo grau de participação de todos nós nas tarefas da governação mas que acabam por se converter em fins em si próprios e por decidirem do bem e do mal (tudo o que se faz em favor do partido é bom, tudo o que prejudica o partido é mau).
É verdade, sim, mas para isso é importante a tomada de posição do povo
face a este estado de coisas, criticando e exigindo a mudança, quer através da
imprensa, redes sociais, assembleias de escola, de empresa, mas, sobretudo, na rua, manifestando o seu descontentamento e exigindo a criminalização de certos
atos políticos e a prisão de certos políticos que à miséria nos guiaram e que
impunemente da nossa miséria vão vivendo “à grande e à francesa” sem nada ou
ninguém contas ainda lhes ter exigido ou responsabilidades assacado.
É preciso acabar com os privilegiados
e criar formas de luta que tirem do poder os falsos democratas e retirem poder
aos falsos e paternalistas defensores do país e da nossa democracia.
É preciso relativizar o poder dos partidos políticos obrigando-os a respeitar O PODER DA RUA e a largar de vez o autoritarismo e a indiferença com que a olham e acabar com a tendência para a resignação que temos mostrado.
É preciso relativizar o poder dos partidos políticos obrigando-os a respeitar O PODER DA RUA e a largar de vez o autoritarismo e a indiferença com que a olham e acabar com a tendência para a resignação que temos mostrado.
É preciso dignificar a Democracia e expurgá-la dos males que lhe causaram.
Fascismo, nunca mais!
Nazaré Oliveira
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