sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Campo Pequeno - CAMPO DA AGONIA

Este ano, 96 seres indefesos e inocentes, barbaramente assassinados no Campo Pequeno!



Dói muito, ver esta foto!
96 seres indefesos e inocentes...
 estar lá, como já estive, enquanto decorre a tortura e a
morte lenta dos pobres animais? Nem imaginam!


AS PESSOAS TÊM QUE SE ESFORÇAR POR ALINHAR MAIS

VEZES COM AS ASSOCIAÇÕES DE DEFESA DOS ANIMAIS NAS

ACÇÕES DE RUA, QUER A FAVOR DE LEGISLAÇÃO QUE OS

 DEFENDA DO BICHO HOMEM QUER PARA ACABAR COM AS

TOURADAS OU OUTRAS DESUMANIDADES SOBRE OS

NOSSOS AMIGOS!

Um abraço aos que continuam a lutar para que acabe tudo

isto. A lutar e a acreditar.



YES, WE CAN!


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O direito à indignação

*

Uma coisa é certa! São sempre os do costume a pagar as crises financeiras, consequência mais do que óbvia de más políticas, maus políticos e dos roubos e saques institucionalizados e legislados por quem se tem apoderado do poder e subrepticiamente se tem servido dele para proveito pessoal e ascensão social.


Já não se aguenta tanto compadrio, tanta corrupção, tanta falsidade e tantas injustiças sociais! Caminhamos para um beco sem saída mas, quem fica sempre encurralado é quem não pode nunca defender-se porque não teve nunca como defender-se.

Só a união fará a força. Só a união permitirá a mudança e a sua consolidação em torno de um compromisso geral onde cada um se constituirá peça-chave para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, ao serviço de todos e não de alguns.

Ao longo da História as mudanças profundas e os momentos de ruptura fizeram-se porque as pessoas, tomando consciência da sua força, da humilhação constante e da exploração de que eram alvo, das injustiças e das cada vez maiores e mais gritantes desigualdades sociais, indignaram-se!

Sim, indignaram-se.

Exerceram o seu direito à indignação tantas vezes amordaçado, escamoteado e vilipendiado pelos que temem o poder do povo e os combates travados na rua, quando esse povo sentiu que a sua vida em morte se tornava se o pouco que fizesse em luta não redundasse.

Isto não pode continuar:

miséria e fome, consumismo e esbanjamento, exploração desenfreada dos recursos naturais, desertificação dos solos, endividamento contínuo para satisfação dos caprichos político-partidários da mediocridade reinante, um novo-riquismo cada vez mais arrogante, ignorante e ardiloso, falta e quebra de valores como a solidariedade, justiça social, humanidade, seriedade, trabalho e esforço pessoal, endeusamento de figuras públicas ignorantes e completamente ocas nas ideias e na acção, promoção das pessoas não pelo trabalho que fazem e pela forma como o fazem, mas pelos cargos que ocupam, pelos sinais de riqueza que apresentam, pelas cunhas que daí possam advir, pela teia de influências que permitem, pelas cadeiras onde se sentam, seja nas empresas públicas ou privadas, Assembleia da República, escolas, hospitais, jornais, televisões…

Vivemos num país (num mundo) onde já não está a contar ou quase não conta quem vive e faz as coisas com seriedade e brio profissional, sentido de justiça e abnegação, mas, quem faz de conta que tudo faz nada fazendo, tal o artificialismo e visibilidade mediática que hipocritamente encomendam para se fazer notar, seja onde for, com quem for, desde que a sua imagem ganhe contornos de popularidade mesmo duvidosa.

Querem simplesmente dar nas vistas, rodeando-se, se possível, de um séquito de bajuladores que os promovem a figuras "nacionais" e "superiores”, abutres que são e atentos que estão à espera de um qualquer favor ou de um qualquer sinal para se sentarem, também a seu lado, na mesa do poder. Dos pequenos poderes de pequena gente que pulveriza os nossos gabinetes, as nossas empresas, servindo despudoradamente uma ética política e moral pública completamente pervertida e arredada dos mais elementares princípios que qualquer um deveria aplicar-se, empenhado que estivesse na qualidade da democracia e no funcionamento correcto das suas instituições.

Prevalece a importância dos cargos e dos títulos, dos certificados e diplomas académicos que muitos e muitos acumulam "à pressão", dos mestrados, doutoramentos, sem que isso signifique mais cultura, mais nível e mais conhecimento.

De facto, onde está o nível de tanta desta gente? Onde está que não se vê ou nunca se viu? De que modo o seu desempenho melhorou as instituições ou funções que desempenhavam e desempenham? Em que se tem diferenciado esse desempenho, na prática, a não ser nas subidas de carreira e nos “bónus salariais”?

Pensa-se na profissão e não no trabalho, na forma de tratamento, na vaidade que isso traz, mais nos ganhos que permitirá do que pô-la ao serviço dos outros, do país, do desenvolvimento e da harmonia social.

Muita desta gente, destas autoridades e destas hierarquias, nada faz nem ousa fazer se daí não resultar, de algum modo, proveito pessoal, enriquecimento rápido e ostentação material.

Nunca tanta gente mandou em tanta gente ou pensa e quer mandar em tanta gente!

Somos um país carregado de chefes, de administradores, de gestores, de directores, de coordenadores, de presidentes disto e daquilo, de mestres e doutores. E de trabalhadores?

Prevalece, ainda, o nome e apelido sonante e não o currículo académico e a excelência do percurso.

Prevalece a cunha e não o mérito. Prevalece a mentira e a ignomínia.

Continua a caminhar-se para o abismo político, social, económico, psicológico e ecológico.

Embriagados pela tecnologia e pelo consumismo, também nos temos esquecido de valorizar as coisas simples da Natureza e de as amar, ponto de partida fundamental para a construção de uma sociedade de gente feliz, sem lágrimas, onde todos possam viver dignamente e em harmonia com todos os seres, com seriedade e sem demagogia.

Vivemos tempos de mudança.

Temos de a fazer, sim, mas não a qualquer preço nem de qualquer maneira.

Olhemos para a História.

Olhar para a História é olhar para a Vida e dela retirar força e ensinamentos.



“Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" (Amyr Klink)



Nazaré Oliveira



* Quadro de Goya "3 de Maio"

Vozes pela liberdade

Dos trabalhos mais fantásticos e mais belos que vi!
Que mensagem!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Viva a Catalunha!

Que alegria!
A Catalunha acabou com as touradas no dia 25 de Setembro deste ano!
Brindemos mas não esqueçamos: a luta continua!
Parabéns, amigos!

 (Foto: Albert Gea / Reuters) 
Activistas festejam o fim das touradas em Barcelona

VEJAM O EXEMPLO MAGNÍFICO DESTA GENTE:

domingo, 25 de setembro de 2011

A Cegueira da Governação


Príncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ruína dos vossos Reinos, vedes as aflições e misérias dos vossos vassalos, vedes as violências, vedes as opressões, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assolação de tudo? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Príncipes, Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destroços da Fé, vedes o descaimento da Religião, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados públicos, vedes os escândalos, vedes as simonias, vedes os sacrilégios, vedes a falta da doutrina sã, vedes a condenação e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou não o vedes. Se o vedes, como não o remediais, e se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obrigações que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustças, vedes os roubos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes as potências dos grandes e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores e gemidos de todos? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos.

Padre ANTÓNIO VIEIRA (1608-1697)

in http://www.citador.pt/

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vozes no centro do Mundo


Em "Vozes no Centro do Mundo", o correspondente Henrique Cymerman relata o conflito árabe-israelense por meio de entrevistas com os principais líderes de ambos os lados.

"Vozes no Centro do Mundo" visa proporcionar ao leitor ferramentas para que aprofunde a sua compreensão e conhecimento deste conflito e das suas origens, como também, para familiarizá-lo com os processos que se desenrolam à medida que se busca uma solução articulada pelos seus heróis conhecidos e desconhecidos.

"Reuni aqui entrevistas que conduzi ao longo da última década com as figuras mais proeminentes deste drama, tanto do lado israelita quanto do palestino”. Acrescentei declarações de líderes fundamentalistas islâmicos e comentários de especialistas internacionais sobre um dos fenómenos mais apavorantes da nossa época, a ameaça terrorista" - conta o autor.

A obra apresenta a última entrevista de Yitzhak Rabin (ex-primeiro-ministro de Israel), concedida algumas horas antes dele ser assassinado por um ultradireitista israelense; uma noite na companhia de Yasser Arafat, em seu quartel-general parcialmente destruído na Mukata, em Ramallah; o ponto de vista fundamentalista de dois líderes do Hamas, Ahmad Yassin e Abd Al-Aziz Al-Rantisi, mortos durante ataque israelense; as entrevistas entrecruzadas com Avi Ohayon, que ouviu pelo celular sua ex-esposa e dois filhos serem executados no Kibutz Metzer e, por outro lado, com o líder da Brigada dos Mártires de Al-Aqsa que planejou a infiltração. Na entrevista com este último, Cymerman relata que a esposa dele chorou quando ficou sabendo da morte das crianças israelenses, entre quatro e cinco anos, a mesma idade que os filhos deles. A vida da mãe e da cunhada de Wafa Idris, a primeira mulher-bomba da palestina; os relatos do psiquiatra palestino Eyad El-Sarraj, diretor dos serviços de saúde mental em Gaza que revela os traumas das crianças e jovens palestinos que ambicionam a honra de se tornarem homens-bomba; Omar Osama Bin Laden, que revela que recebeu proposta de proteção por parte do ex-presidente norte-americano George W. Bush, em troca do paradeiro do líder terrorista. O livro ainda apresenta entrevistas com Shimon Peres (presidente do Estado de Israel), Abu Mazen (presidente da autoridade Palestina), Ariel Sharon (ex-primeiro-ministro de Israel), Benjamin Netanyahu (primeiro-ministro de Israel), entre outros.

Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que prefacia a obra, o lançamento de Vozes no centro do mundo coincide com um novo despertar no mundo islâmico e árabe. "Ainda não estão claros os desdobramentos da sacudida político-tecnológica ocorrida na Tunísia, no Egito, no Iêmen, no Bahrein e até na Líbia, e quem sabe na Arábia Saudita.

Mas um sopro de algo mais do que ditadura e fundamentalismo, um quê de democracia, ou pelo menos de participação popular e de liberdade, parece que se está esboçando".

Segundo Cymerman, os jovens do Facebook acenderam a chama dos protestos contra a ditadura, a corrupção e a falta de horizonte econômico. "Há quem fale da primavera árabe, mas no fundo seria mais adequado falar das Quatro Estações de Vivaldi para classificar a situação de cada Estado. O que está claro é que a dimensão do tsunami político é tal, que um país pode mudar de estação num abrir e fechar de olhos (...) As pessoas no centro do mundo foram agraciadas com coragem, uma criatividade impressionante, um senso de justiça bem-desenvolvido e um grande desejo de paz. Dessa forma, o mais importante é encontrar uma saída dessa situação impossível, a qual fez com que tantos pais chorassem pelos filhos" - finaliza o autor.

Henrique Cymerman nasceu em 1959, no Porto, Portugal. O pai é de origem polaca e a mãe nasceu em Málaga.
Henrique é o mais novo de três irmãos. O irmão é jornalista e a irmã, tradutora. Fez licenciatura e mestrado na Universidadede Tel Aviv em Ciências Sociais, especializando-se em Sociologia e Ciências Políticas, tendo lecionado essas matérias por dois anos. Em 1982 começou a trabalhar como jornalista para o diário Maariv, de Tel Aviv, e para o semanário londrino The Jewish Chronicle. Posteriormente, tornou-se correspondente do jornal de Barcelona, El Periódico de Catalunya, da emissora de televisão madrilenha Antena 3 e da SIC, desde a fundação da empresa, em 1992.
Além de fazer comentários regulares para a BBC e diversos canais de televisão de Israel, Henrique Cymerman é correspondente do diário La Vanguardia, de Barcelona. Entre vários prêmios recebidos ao longo da carreira, em 1998 foi premiado jornalista do ano pela Associação de Jornalistas da Espanha; em 2003, pelo Festival de Cinema de Nova Iorque, na categoria de melhor documentário de notícias com a reportagem "Um suicida no quarto das crianças", e em 2010 recebeu o prêmio da Unesco "Repórteres sem fronteiras". Henrique Cymerman e Esther, especializada em terapia pela arte e escritora de histórias infantis, são casados há 24 anos e têm duas filhas e um filho. Residem em Herzliya, a norte de Tel Aviv.

Recém-lançado pela editora Almedina, o volume traz, entre outros entrevistados:

Shimon Peres, Mahmoud Abbas, Yitzhak Rabin, Ariel Sharon e Omar Osama Bin Laden, filho de Bin Laden, além de conversas com líderes islâmicos fundamentalistas, especialistas em terrorismo e colaboradores (considerados traidores pela população).

"O título do livro corresponde ao que ele é: uma história do conflito e das suas consequências na vida das pessoas contada pelos seus protagonistas. E o que distingue este livro - na verdade, uma série de entrevistas feitas por um repórter íntegro, conhecedor da matéria e capaz de redigir de forma a prender o leitor - é o que ele mostra, para além das posições políticas já conhecidas dos homens de governo e de partido, como pensam e agem os líderes religiosos (que muitos qualificam de fundamentalistas) e, sobretudo, as pessoas simples, vítimas ou menos autoras das violências praticadas pelos contendores", escreve o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no prefácio do exemplar.

Trecho da entrevista com o filho de Bin Laden:


O que pensa da violência e do terrorismo?


Como qualquer ser humano e, especificamente um ser humano na minha posição, não apoio a violência, os combates, os ataques e esse tipo de coisas. Apenas se ocorrerem por uma boa razão e com o consentimento dos grandes governos, e se estes estiverem buscando justiça, como ocorre na Líbia. Por exemplo, a ONU possui tropas e as usa em situações específicas para alcançar a paz. Em casos como esse, nesse tipo de circunstância, estou disposto a envolver-me.


Como se sentiu depois do 11 de setembro, depois do atentado aos Estados Unidos, onde você estava e como você se sentiu nesse dia?


Não quero falar muito sobre esse dia. Mas faz 10 anos e eu já disse que ninguém pode estar de acordo com isso. Eu não sei quem está por trás desses ataques e pronto. Isso é tudo o que eu posso dizer sobre o assunto. É um assunto doloroso e não gosto de falar muito sobre ele.


Você disse que não sabe quem levou a cabo o ataque de 11 de setembro; você realmente não sabe?


O importante não é se eu sei ou não. Não quero me pronunciar sobre isso pois é um assunto antigo e não irá beneficiar falar dele. O relevante é que não estou de acordo com o que foi feito.


Você disse que quer bem a seu pai, embora não esteja de acordo com ele. Pode explicar melhor?


Sim, as pessoas de cultura oriental têm, de vez em quando, opiniões divergentes. Eu deixei o esconderijo de meu pai quando tinha 20 ou 21 anos. Decidi ir em busca da minha vida independente. Não tem nada a ver com eles, eu queria voltar para casa, viver em paz, não me meter na vida de outros povos.


Quando há ataques terroristas em diferentes lugares do planeta, atentados onde morrem cidadãos inocentes, o que você sente?


Morrem inocentes em todos os lugares do mundo, é um facto. Sinto o mesmo por todos os inocentes que morrem pelo mundo: judeus, palestinianos, americanos, afegãos, iraquianos... são seres humanos e não importa qual a cidadania nem a que se dedica o governo de seu país; eu importo-me com as pessoas, são civis.

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/972377-leia-trecho-de-entrevista-com-filho-de-bin-laden.shtml
https://www.livrarialoyola.com.br/detalhes.asp?secao=livros&CodId=1&ProductId=301474&Menu=1