quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Wind of Change


"Wind of Change" - um dos (muitos) trabalhos fantásticos dos SCORPIONS!
Um poema e um vídeo feito de História, Coragem e Esperança!


I follow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change
An August summer night
Soldiers passing by
Listening to the wind of change

The world is closing in
Did you ever think
That we could be so close, like brothers
The future's in the air
I can feel it everywhere
Blowing with the wind of change

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change

Walking down the street
Distant memories
Are buried in the past forever
I follow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow share their dreams
With you and me
Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change

The wind of change
Blows straight into the face of time
Like a stormwind that will ring the freedom bell
For peace of mind
Let your balalaika sing
What my guitar wants to say

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow share their dreams
With you and me
Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change

2011 - Retrospectiva feita pela O.N.U.


Em 2011 o mundo chegou a 7 biliões de habitantes, o que lhe impõe uma série de desafios.

Embora produza alimentos suficientes, milhares de pessoas ainda passam fome e  as mudanças climáticas afectaram todo o planeta, que sofreu com severas secas e implacáveis tempestades desencadeando doenças, desruição e morte.

A insegurança alimentar deu provas de ser um risco para a paz mundial, também dependente do desenvolvimento sustentável, alcançável apenas com a participação de todos.

A união é possível. Foi assim que assistimos à queda de governos ditatoriais no Médio Oriente e na África. O povo clamou por liberdade e democracia. Vimos não só as ruas tomadas por manifestantes em diversos países, como também testemunhamos os que compareceram nas urnas para fazer valer as suas vontades após anos de conflito.

A ONU esteve presente em todos os momentos, socorrendo os mais vulneráveis, apoiando processos eleitorais, prevenindo violações de direitos humanos e agindo onde elas ocorreram. Trabalhadores humanitários arriscaram as suas vidas para garantir acesso aos direitos mais básicos. Dezenas deles morreram, mas deixaram plantadas as sementes da esperança, que não morrerá.

O apoio técnico também foi levado pelos nossos especialistas para ajudar os governos nas respostas a crises, como no Japão, evitando uma catástrofe nuclear depois do terraqmoto e do tsunami.

A comunidade internacional deu  as  boas-vindas a um novo país, o Sudão do Sul, e neste caminho da democracia, do direito à igualdade, também progride para receber a Palestina, hoje Estado-Membro da UNESCO.

Estes e outros momentos memoráveis estão na “Retrospectiva das Nações Unidas 2011”, aqui

Fonte de inf.: wordpress.com/

sábado, 17 de dezembro de 2011

Doce Novembro

Um filme marcante e um dos belíssimos temas musicais do mesmo (Only Time) cantado pela Enya.

Cinema Paraíso

Banda sonora de um dos filmes mais belos que já vi: Cinema Paraíso.

 

O capitalismo chegou ao fim da linha

A crise actual não é de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Resta saber o que vai suceder-lhe, diz Immanuel Wallerstein nesta entrevista ao programa Interview na emissora de televisão russa RT.
Sophie Shevardnadze, Esquerda.net, 18 de outubro de 2011

A entrevista durou pouco mais de onze minutos, mas alimentará horas de debates em todo o mundo e certamente ajudará a observar melhor o período tormentoso em que vivemos. Aos 81 anos, o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein acredita que o capitalismo chegou ao fim da linha: já não pode mais sobreviver como sistema. Mas – e aqui começam as provocações – o que surgirá no seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia.

Estamos, pensa este professor da Universidade de Yale e personagem assíduo dos Fóruns Sociais Mundiais, no meio de uma bifurcação, um momento histórico único nos últimos 500 anos. Ao contrário do que pensava Karl Marx, o sistema não sucumbirá num acto heróico. Desabará sobre suas próprias contradições. Mas atenção: diferente de certos críticos do filósofo alemão, Wallerstein não sugere que as acções humanas são irrelevantes.

Ao contrário: para ele, vivemos o momento preciso em que as acções colectivas, e mesmo individuais, podem causar impactos decisivos sobre o destino comum da humanidade e do planeta. Ou seja, as nossas escolhas realmente importam. “Quando o sistema está estável, é relativamente determinista. Mas, quando passa por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante.”

É no emblemático 1968, referência e inspiração de tantas iniciativas contemporâneas, que Wallerstein situa o início da bifurcação. Lá se teria quebrado “a ilusão liberal que governava o sistema-mundo”. Abertura de um período em que o sistema hegemónico começa a declinar e o futuro se abre a rumos muito distintos, as revoltas daquele ano seriam, na opinião do sociólogo, o facto mais potente do século passado – superiores, por exemplo, à revolução soviética de 1917 ou a 1945, quando os EUA emergiram com grande poder mundial.

As declarações foram colhidas no dia 4 de Outubro pela jornalista Sophie Shevardnadze, que conduz o programa Interview na emissora de televisão russa RT (abaixo). A transcrição e a tradução para o português são iniciativas de Outras Palavras.

Há exatamente dois anos, disse ao RT que o colapso real da economia ainda demoraria alguns anos. Esse colapso está a acontecer agora?

Não, ainda vai demorar um ano ou dois, mas está claro que essa quebra está a chegar.

Quem está em maiores dificuldades: os Estados Unidos, a União Europeia ou o mundo todo?

Na verdade, o mundo todo vive problemas. Os Estados Unidos e União Europeia, claramente. Mas também acredito que os chamados países emergentes, ou em desenvolvimento – Brasil, Índia, China – também vão enfrentar dificuldades. Não vejo ninguém em situação tranquila.

Está a dizer que o sistema financeiro está claramente falido. O que há de errado com o capitalismo contemporâneo?

Essa é uma história muito longa. Na minha visão, o capitalismo chegou ao fim da linha e já não pode sobreviver como sistema. A crise estrutural que atravessamos começou há bastante tempo. No meu ponto de vista, por volta dos anos 1970 – e ainda vai durar mais uns vinte, trinta ou quarenta anos. Não é uma crise de um ano, ou de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Estamos num momento de transição. Na verdade, na luta política que acontece no mundo — que a maioria das pessoas se recusa a reconhecer — não está em questão se o capitalismo sobreviverá ou não, mas o que vai suceder-lhe. E é claro: podem existir dois pontos de vista extremamente diferentes sobre o que deve tomar o lugar do capitalismo.

Qual é a sua visão?

Eu gostaria de um sistema relativamente mais democrático, mais relativamente igualitário e moral. Essa é uma visão, nós nunca tivemos isso na história do mundo – mas é possível. A outra visão é de um sistema desigual, polarizado e explorador. O capitalismo já é assim, mas pode advir um sistema muito pior que ele. É como vejo a luta política que vivemos. Tecnicamente, significa a bifurcação de um sistema.

Então, a bifurcação do sistema capitalista está directamente ligada aos caos económico?

Sim, as raízes da crise são, de muitas maneiras, a incapacidade de reproduzir o princípio básico do capitalismo, que é a acumulação sistemática de capital. Esse é o ponto central do capitalismo como sistema, e funcionou perfeitamente bem por 500 anos. Foi um sistema muito bem sucedido no que se propõe a fazer. Mas desfez-se, como acontece com todos os sistemas.

Esses tremores económicos, políticos e sociais são perigosos? Quais são os prós e contras?

Se pergunta se os tremores são perigosos para você e para mim, então a resposta é sim, são extremamente perigosos para nós. Na verdade, num dos livros que escrevi, chamei-os de “inferno na terra”. É um período no qual quase tudo é relativamente imprevisível a curto prazo – e as pessoas não podem conviver com o imprevisível a curto prazo. Podemos ajustar-nos ao imprevisível no longo prazo, mas não com a incerteza sobre o que vai acontecer no dia seguinte ou no ano seguinte. Não se sabe o que fazer, e é basicamente o que estamos a ver no mundo da economia hoje. É uma paralisia, pois ninguém está a investir, já que ninguém sabe se daqui a um ano ou dois vai ter esse dinheiro de volta. Quem não tem certeza de que em três anos vai receber o seu dinheiro, não investe – mas não investir torna a situação ainda pior. As pessoas não sentem que têm muitas opções, e têm razão, as opções são escassas.

Então, estamos nesse processo de abalos, e não existem prós ou contras, não temos opção, a não ser estar nesse processo. Vê uma saída?

Sim! O que acontece numa bifurcação é que, nalgum momento, pendemos para um dos lados, e voltamos a uma situação relativamente estável. Quando a crise acabar, estaremos num novo sistema, que não sabemos qual será. É uma situação muito optimista no sentido de que, na situação em que nos encontramos, o que eu e você fizermos realmente importa. Isso não acontece quando vivemos num sistema que funciona perfeitamente bem. Nesse caso, investimos uma quantidade imensa de energia e, no fim, tudo volta a ser o que era antes.

Um pequeno exemplo. Estamos na Rússia. Aqui aconteceu uma coisa chamada Revolução Russa, em 1917. Foi um enorme esforço social, um número incrível de pessoas colocou muita energia nisso. Fizeram coisas incríveis, mas no final, onde está a Rússia, em relação ao lugar que ocupava em 1917? Em muitos aspectos, está de volta ao mesmo lugar, ou mudou muito pouco. A mesma coisa poderia ser dita sobre a Revolução Francesa.

O que isso diz sobre a importância das escolhas pessoais?

A situação muda quando se está numa crise estrutural. Se, normalmente, muito esforço se traduz em pouca mudança, nessas situações raras um pequeno esforço traz um conjunto enorme de mudanças – porque o sistema, agora, está muito instável e volátil. Qualquer esforço leva a uma ou outra direcção. Às vezes, digo que essa é a “historização” da velha distinção filosófica entre determinismo e livre-arbítrio. Quando o sistema está relativamente estável, é relativamente determinista, com pouco espaço para o livre-arbítrio. Mas, quando está instável, passando por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante. As acções de cada um realmente importam, de uma maneira que não se viu nos últimos 500 anos. Este é o meu argumento básico.

Sempre apontou Karl Marx como uma de suas maiores influências. Acredita que ele ainda seja tão relevante no século XXI?

Bem, Karl Marx foi um grande pensador no século XIX. Ele teve todas as virtudes, com as suas ideias e percepções, e todas as limitações, por ser um homem do século XIX. Uma das suas grandes limitações é que ele era um economista clássico demais, e era determinista demais. Viu que os sistemas tinham um fim, mas achou que esse fim se dava como resultado de um processo de revolução. Eu estou a sugerir que o fim é reflexo de contradições internas. Todos somos prisioneiros de nosso tempo, disso não há dúvidas. Marx foi um prisioneiro do facto de ter sido um pensador do século XIX; eu sou prisioneiro do facto de ser um pensador do século XX.

Do século 21, agora.

É, mas eu nasci em 1930, eu vivi 70 anos no século XX, sinto que sou um produto do século XX. Isso provavelmente revela-se como limitação no meu próprio pensamento.

Quanto – e de que maneiras – esses dois séculos diferem? São realmente tão diferentes?

acredito que sim. Acredito que o ponto de viragem deu-se por volta de 1970. Primeiro, pela revolução mundial de 1968, que não foi um evento sem importância. Na verdade, considero-o o evento mais significantes do século XX. Mais importante que a Revolução Russa e mais importante que os Estados Unidos terem-se tornado o poder hegemónico, em 1945. Porque 1968 quebrou a ilusão liberal que governava o sistema mundial e anunciou a bifurcação que viria. Vivemos, desde então, na esteira de 1968, em todo o mundo.

Disse que vivemos a retomada de 68 desde que a revolução aconteceu. As pessoas às vezes dizem que o mundo ficou mais valente nas últimas duas décadas. O mundo ficou mais violento?

Eu acho que as pessoas sentem um desconforto, embora ele talvez não corresponda à realidade. Não há dúvidas de que as pessoas estavam relativamente tranquilas quanto à violência em 1950 ou 1960. Hoje têm medo e, em muitos sentidos, têm o direito de sentir medo.

Acredita que, com todo o progresso tecnológico, e com o facto de gostarmos de pensar que somos mais civilizados, não haverá mais guerras? O que isso diz sobre a natureza humana?

Significa que as pessoas estão prontas para serem violentas em muitas circunstâncias. Somos mais civilizados? Não sei. Esse é um conceito dúbio, primeiro porque o civilizado causa mais problemas que o não civilizado; os civilizados tentam destruir os bárbaros, não são os bárbaros que tentam destruir os civilizados. Os civilizados definem os bárbaros: os outros são bárbaros; nós, os civilizados.

É isso que vemos hoje? O Ocidente a tentar ensinar os bárbaros de todo o mundo?

É o que vemos há 500 anos.

Tradução: Daniela Frabasile, publicada em Outras Palavras
Um artigo de 18 de Outubro de 2011outrapoliticaemsampa (versão original)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

MacDonalds - a crueldade escondida


Carregado por mercyforanimals em 17/11/2011

A new Mercy For Animals undercover investigation into a McDonald's egg supplier exposes the fast-food giant's secret ingredient: shocking cruelty to animals.

Hidden-camera footage taken at Sparboe Egg Farm facilities in Iowa, Minnesota and Colorado reveals:

* Hens crammed into filthy wire cages with less space for each bird than a standard-sized sheet of paper to live her entire miserable life, unable to fully stretch her wings or engage in most other natural behaviors

* Workers burning off the beaks of young chicks without any painkillers and callously throwing them into cages, some missing the cage doors and hitting the floor

* Rotted hens, decomposed beyond recognition as birds, left in cages with hens still laying eggs for human consumption

* A worker tormenting a bird by swinging her around in the air while her legs were caught in a grabbing device - violence described as "torture" by another worker

* Chicks trapped and mangled in cage wire - others suffering from open wounds and torn beaks

* Live chicks thrown into plastic bags to be suffocated

Common sense tells us that animals should be given at a minimum the freedom to walk, stretch their limbs, turn around and engage in natural behaviors. Yet, this McDonald's supplier deprives hens of even
these most basic freedoms.

Barren battery cages are so cruel that the entire European Union and the states of California and Michigan have banned their use. Additionally, leading food retailers, such as Whole Foods, Hellmann's, and Wolfgang Puck, and hundreds of colleges and universities refuse to use or sell eggs from hens subjected to the inherent abuses of battery cages.

MFA is calling on McDonald's Corporation to end its use of eggs from hens confined in battery cages in the United States, as it has already in the European Union.

Sadly, not a single federal law currently provides any protection to birds at the hatchery, on the factory farm, or during slaughter. Further, most states - including those in which this investigation was conducted - have sweeping exemptions for farmed animals, which allow for abuses to run rampant without prosecution.

While McDonald's has the moral obligation and purchasing power to lessen the cruelty suffered by the millions of hens who are abused and exploited to produce eggs for its restaurants, consumers also hold enormous power of their own in preventing animal abuse by adopting a compassionate vegan diet.

http://www.MercyForAnimals.org
http://www.McDonaldsCruelty.com

Discurso de Hitler (Dezembro de 1941)

Há setenta anos e três dias - a 11 de dezembro de 1941 - Adolf Hitler fez um discurso perante o Reichstag para declarar guerra aos Estados Unidos da América. Um discurso impressionante a vários títulos, permanentemente mudando de estilo e de sentido, quase como se fosse da autoria de alguém com divisão de personalidade.
É sempre perturbante pensar ou escrever ou falar sobre Hitler, e perturbante também lê-lo, por aquilo que esperamos e por aquilo que não esperamos.Há setenta anos e três dias - a 11 de dezembro de 1941 - Adolf Hitler fez um discurso perante o Reichstag para declarar guerra aos Estados Unidos da América. Um discurso impressionante a vários títulos, permanentemente mudando de estilo e de sentido, quase como se fosse da autoria de alguém com divisão de personalidade.
É sempre perturbante pensar ou escrever ou falar sobre Hitler, e perturbante também lê-lo, por aquilo que esperamos e por aquilo que não esperamos. O discurso de há setenta anos e três dias tem, por exemplo, várias invocações à "Divina Providência", à "vontade de Deus", agradecimentos ao "Senhor do Universo" que surpreenderão quem tiver ouvido dizer (por exemplo ao atual Papa) que Hitler era uma espécie de descrente. Não era nada disso, como sabe quem se informou, mas mesmo assim a recorrência da retórica religiosa no seu discurso é notória.
Impressionam mais ainda, porém, as passagens em que Hitler tenta fazer passar a imagem de um homem razoável, inclinado a negociar, desejoso de paz, citando agora um tratado assinado, um pouco depois um discurso de um político estrangeiro. Parece quase um político normal, este homem, articulando os seus artifícios, escondendo as suas reais intenções, recorrendo à dupla linguagem, como fazem ainda hoje muitos políticos.
A sonolência dessas passagens não nos prepara para os momentos em que Hitler verdadeiramente perde (aos nossos olhos) a tramontana. Quando se dirige aos homens do Reichstag e lhes pergunta "o que é a Europa, meus deputados"? Aí, lança-se numa longa e rebarbativa passagem que é o Hitler que esperaríamos que ele fosse: um homem obcecado por questões de raça e de sangue, completamente levado por um torvelinho de teorias marteladas sucessivamente sobre judeus e negróides, persas e helénicos, normandos e anglo-saxões, de que fala com tanta verve que é como se os seus fantasmas estivessem ali com ele.
(Em vez disso, com ele estavam homens assombrados pelos mesmos fantasmas. Dois dias depois, Goebbels decidiu explicar que as palavras do seu Führer "não eram palavras vãs" e que implicavam "a destruição dos judeus", que iriam "pagar com as suas próprias vidas". E disse-o em público. Sabendo das consequências, é impossível pensar nisso sem sentir um frio na espinha.)
Uma parte do seu discurso de que eu nunca tinha ouvido falar é uma narrativa paralela em que Hitler compara a sua vida com a do presidente Roosevelt (Franklin Delano), a partir da coincidência de terem chegado ao poder no mesmo ano. Hitler rebaixa-se, faz questão de dizer que era um zé-ninguém, um soldado raso, um morto de fome, quando comparado com Roosevelt, que tinha nascido no meio da riqueza, estudado nas melhores universidades, sido beneficiado com os melhores empregos.
Tudo isso é apenas preparação para um ataque às políticas económicas de Roosevelt. Aí aparece um Hitler anti-keynesiano. Ambos os países, a Alemanha e os EUA, tinham milhões de desempregados e as finanças públicas em desordem em 1933, alega Hitler, que se gaba de ter resolvido ambos os problemas. Quanto a Roosevelt, acusa ele, "aumentou enormemente a dívida do seu país, desvalorizou o dólar, perturbou a economia... o New Deal deste homem foi o maior erro jamais cometido por alguém... num país europeu a carreira deste homem teria terminado num tribunal por desperdiçar o tesouro público, e dificilmente evitaria uma pena por gestão criminosa e incompetente".
Já na altura os EUA tiveram bastante sorte em ter um Roosevelt em vez de um Hitler. E ainda bem que ninguém se lembrou (então) de proibir o keynesianismo, nem de levar políticos a tribunal por políticas de expansão da economia.

Rui Tavares in PÚBLICO de 14.12.11