segunda-feira, 13 de agosto de 2018
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
O (mau) exemplo que vem de Espanha
Segundo uma notícia da ANDA, de 1 do corrente mês, só neste Verão serão vítimas de tortura e assassinato em festivais espanhóis mais de 60.000 mil animais.
“Não podem comemorar sem maltratar nenhum
animal?”. Esta é a pergunta lançada pela organização Equo Animals,
que usa as redes sociais para denunciar as atrocidades a que milhares de
animais são submetidos na Espanha”.
“Com a chegada desta estação, explodem
festas tradicionais que consistem em práticas bárbaras e incompreensíveis de
maustratos a animais, como o touro enamorado, o touro de fogo e as ‘batalhas
rats puing’ nas quais ratos mortos são lançados contra as pessoas”.
Gente abjeta! Desumana
gente que isto promove, que a isto assiste e que isto aplaude.
Se as pessoas quisessem,
boicotavam este e outros países, esta terra e outras terras, não comprando os
seus produtos*, não os visitando enquanto estas tradições se mantivessem, como
as touradas, todas elas ligadas ao sofrimento e à crueldade que se inflige,
sádica e continuamente sobre estes seres indefesos.
Rápido se esquecem que
estes crimes horrendos estão a ser cometidos aqui, na Europa. Na Europa
Comunitária que esquece os pilares em que assentou e assenta a sua
formação e que continua a pavonear-se e a
autosuperiorizar-se com o seu mais do que bafiento europocentrismo e
a sua civilizacional arrogância.
Na Europa que critica
mas que não dá o exemplo. Na Europa que foi a semente do diabo em 1914, em
1939. Na Europa que explorou e escravizou e que também cometeu genocídio.
A propósito, algum (a)
de vocês escreveu a um dos noss@s eurodeputad@s sobre isto (e não só)? Se el@s
não cumprem o seu dever, cumpramos nós o nosso.
Mais do que um dever
cívico, a cidadania é um imperativo moral.
Nazaré Oliveira
*Como
faço em Portugal, por exemplo, com Barrancos.
sábado, 4 de agosto de 2018
Campanha contra o abandono dos animais
A campanha da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) para sensibilizar a população portuguesa para a detenção responsável de animais de companhia e para o não abandono de animais começa esta semana.
De acordo com a DGAV, “todos somos responsáveis e todos podemos ter um papel ativo nesta questão do abandono dos animais de companhia”. Assim, a organização quer alertar os donos de animais de companhia para importância de “assegurar os cuidados básicos (abrigo, alimentação, cuidados de higiene, assistência veterinária, espaço para exercício), bem como o cumprimento de todas as obrigações legais próprias da espécie, nomeadamente, identificação eletrónica, registo e licença”.
No que diz respeito ao abandono de animais de companhia, a DGAV diz estarem em causa “o respetivo bem-estar, por falta de alimentação e de cuidados de saúde, os animais podem sofrer e provocar acidentes. Acrescem ainda riscos para a saúde humana e animal face à possibilidade de transmissão de doenças e de agressões a pessoas e a outros animais.”
Quando são abandonados, os animais são recolhidos e alojados por serviços municipais nos Centros de Recolha Oficial das autarquias (CRO) onde aguardam até 15 dias para que o respetivo detentor os reclame. Quando não são reclamados, podem ser adotados, após esterilização, por pessoas individuais ou associações de proteção animal devidamente legalizadas e que tenham condições adequadas para o seu alojamento.
Esta campanha de sensibilização marcará presença em vários meios de comunicação social e prevê a distribuição de folhetos quer à população como junto de médicos veterinários.
Veja, acima, o spot publicitário da DGAV.
artigo in http://www.veterinaria-atual.pt/na-clinica/campanha-da-dgav-abandono-animais-ja-esta-marcha/
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Relatório da Fundação Bertelsmann - um número crescente de democracias está a cortar direitos civis e a prejudicar o Estado de Direito
As
restrições a liberdades democráticas nos últimos anos fizeram não só com
que o número de autocracias no mundo aumentasse mas, mais preocupante, que
um número crescente de democracias esteja também a cortar direitos civis e
prejudicar o Estado de Direito – esta é uma das conclusões de um estudo da Fundação
Bertelsmann.
Este relatório, publicado nesta
quinta-feira, traça um retrato sobretudo de deterioração – da qualidade da democracia, da economia, e da capacidade
ou vontade de controlo de tensões internas através de diálogo pelos Governos de
dezenas de países.
No chamado “Índice de Transformação” da
Fundação, que desde 2006 analisa os
desenvolvimentos políticos e económicos em 129 países “em desenvolvimento e
transformação”, nota-se que cada
vez há mais pessoas a viver em ambientes mais desiguais: nos últimos dez anos,
a proporção de países que conseguiram um nível bom ou moderado de inclusão
social diminuiu de um terço para um quarto.
Ao
mesmo tempo, também há mais pessoas a
viver sob regimes repressivos: da população mundial total, 3,3 mil milhões
de pessoas vivem em autocracias, contra 4,2 mil milhões em democracias – o
maior número de pessoas a viver em regimes autocráticos desde que o estudo
começou, há 12 anos.
Mas
a fundação com sede em Gütersloh, na Alemanha, diz que “mais problemático é o facto de os direitos civis estarem a ser
diminuídos e o Estado de Direito enfraquecido num número cada vez maior de
democracias”, incluindo “antigos faróis da democratização como o Brasil, Polónia e Turquia,
que estão entre os que mais caíram no Índice de Transformação”.
Falta de diálogo
Entre
os países com deterioração significativa da situação política estão cinco que
“já não cumprem critérios mínimos de democracia”: Moçambique,
Bangladesh, Líbano, Nicarágua e Uganda.
O relatório aponta para uma “deterioração gradual na qualidade da democracia
durante vários anos”, mas também diz que “muitas vezes, falhas na qualidade das
eleições foram o suficiente” para uma alteração substancial.
Uma das razões que mais contribuiu para a degradação
política é a incapacidade ou falta de vontade dos Governos lidarem com conflitos
sociais através do diálogo, diz o relatório. Este foi o indicador que mais
desceu nos últimos 12 anos, com um decréscimo em 57 Estados, e uma queda notória na
Turquia e no Burundi. Pior, alguns exploram deliberadamente
os conflitos sociais – é o caso da maioria dos governos de países árabes como o
Bahrein ou a Líbia.
A
relação entre a situação económica e política também é referida no relatório.
Apesar de um exemplo de bom desempenho de uma autocracia, a China –
cuja economia foi a que mais aumentou em relação à economia global – é uma excepção,
sublinham os autores. Outros países como a Rússia, Tailândia e Venezuela
contribuem para o mau resultado das autocracias como um todo.
“O
BTI [Índice de Transformação da Bertelsmann] mostra claramente que os sistemas
anti-democráticos não são mais estáveis nem mais eficientes”, diz Aart de Geus,
o presidente da Fundação, comentando os resultados num comunicado de imprensa.
O estudo vê ainda o fraco desenvolvimento sócio-económico como um dos
maiores obstáculos a um desenvolvimento em direcção à democracia e sustentabilidade
económica.
A performance económica
global piorou significativamente nos últimos dez anos, diz o relatório:
indicadores macroeconómicos caíram em 71 países e aumentaram em apenas 17.
Várias ditaduras com economias de mercado enfrentaram dificuldades,
da Malásia ao Qatar, de Singapura aos Emirados Árabes Unidos, e várias
democracias também, em especial o Brasil, Hungria, México, Nigéria, África do Sul, e Turquia. “Também se dá o
caso”, notam os autores, “de [estes] serem todos países objecto de muito má gestão e erosão da qualidade da
democracia”.
MARIA JOÃO GUIMARÃES, 22 de Março de 2018, jornal PÚBLICO https://www.publico.pt/2018/03/22/mundo/noticia/cada-vez-mais-democracias-estao-a-cortar-liberdades-1807567
terça-feira, 31 de julho de 2018
Campanha em Marrocos: "Sê um homem e cobre as tuas mulheres"
Logo
pela manhã, esta notícia no DN dava conta de mais uma situação abominável à luz
dos Direitos Humanos e da Igualdade de Género que sempre defenderei:
Em Marrocos, obcecados sexuais
pertencentes a várias organizações conservadoras, incluindo a "consciência
marroquina", a hashtag #konrajoulan ("sê um homem"), lançaram no
facebook a campanha 'Sê um homem e cobre as tuas mulheres', acompanhada
da imagem de uma figura de negro da cabeça aos pés, sobre fundo amarelo, e os
dizeres "sê um homem e não deixes as tuas mulheres
e filhas saírem vestidas de modo pornográfico".
Num dos posts, o primeiro comentário
diz: "Sim, não queremos as nossas mulheres
vestidas de puta.”
A
dura realidade para milhares de mulheres, a dura luta que continua a ser
travada contra culturas e mentalidades que estagnaram ao serviço do homem-macho
e cada vez mais embrutecido pelo poder que julga ter por possuir um pénis e no qual fundamenta a legitimidade das suas monstruosas convicções sobre a relação homem-mulher.
Vangloriando-se e autopromovendo uma virilidade "assente na cobrição" e numa sexualidade claramente amputada de valores e princípios onde não há lugar ao diálogo nem ao prazer mas ao poder e ao autoritarismo assentes no pressuposto de que ser homem e ter um pénis é o bastante para ser superior à mulher, subjuga-a, escraviza-a e esvazia-a completamente da dignidade e do respeito que sistematicamente lhe rouba através da violação, do assédio e obscenidades verbais proferidas e da menoridade cívica e intelectual com que é olhada e tratada.
Vangloriando-se e autopromovendo uma virilidade "assente na cobrição" e numa sexualidade claramente amputada de valores e princípios onde não há lugar ao diálogo nem ao prazer mas ao poder e ao autoritarismo assentes no pressuposto de que ser homem e ter um pénis é o bastante para ser superior à mulher, subjuga-a, escraviza-a e esvazia-a completamente da dignidade e do respeito que sistematicamente lhe rouba através da violação, do assédio e obscenidades verbais proferidas e da menoridade cívica e intelectual com que é olhada e tratada.
Felizmente que há organizações e gente corajosa e
determinada, caso de Betty Lachgar, incansável nas petições e declarações enviadas ao Governo para que findem estas agressões consentidas e institucionalizadas.
E tudo isto num país que continua a ser um dos destinos preferidos dos portugueses mas não o meu.
Um país sobre o qual um inquérito da Unicef em 2014 revelou que mais de 63% das mulheres consideram que "por vezes se justifica" sofrerem algum tipo de violência física por parte dos cônjuges.
E tudo isto num país que continua a ser um dos destinos preferidos dos portugueses mas não o meu.
Um país sobre o qual um inquérito da Unicef em 2014 revelou que mais de 63% das mulheres consideram que "por vezes se justifica" sofrerem algum tipo de violência física por parte dos cônjuges.
Um país no qual um programa da TV estatal mostrou, em 2016, como "disfarçar" com
maquilhagem as marcas dessa violência, um país onde apalpões e piadas obscenas
ditos por homens a desconhecidas na rua são de tal forma "normais"
que os guias de viagem aconselham as turistas a nunca andar sós, a nunca entrar
em cafés (considerados reino masculino) e a ter muito cuidado na praia...
Marrocos, um país aqui
tão perto!
Segundo o PÚBLICO de ontem, esta campanha foi lançada no início de Julho para impedir as marroquinas
de usarem biquíni ou fatos de banho e está a agitar as redes sociais.
'Sê um homem e cobre as tuas
mulheres'?
Majda Avrani, mulher marroquina citada pelo DN, já lhes respondeu:
'Sê um homem e rala-te com o teu cu'.
Nazaré Oliveira
PS:
Não deixem de ler
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/29/internacional/1532873887_330458.html
PS:
Não deixem de ler
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/29/internacional/1532873887_330458.html
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Ricardo Robles
Raquel Varela (facebook)
27 de Julho 2018 às 11:54
Rebentou o escândalo Robles, vereador
da capital do Bloco de Esquerda. Comprou por 400 mil, fez 1 milhão de obras
financiadas (fez questão de dizer com a CGD) e quer vender por 5,7 milhões.
Explicou que é tudo legal. E é. Como é legal viver de juros da dívida pública
ou colocar dinheiro em off shores e depois reinvesti-lo aqui na forma de
empréstimos bancários para fazer,por exemplo, obras em casas a ser vendidas -
será o próximo passo empreendedor do vereador do BE? É um escândalo mesmo, e é
indiferente se foi a direita que o colocou cá fora e com que intenções porque
os factos existem, independentemente do mensageiro.
Se a esquerda gastasse 5% do tempo a
estudar a teoria do valor de Marx em vez de dedicar-se a ser uma espécie de
braço da ONU, especializada em palavras bonitas e boas intenções, ninguém tinha
dúvidas porque estamos perante um escândalo. Que no mínimo exigiria a demissão
imediata do vereador eleito. Especulação imobiliária não é vender uma casa e
comprar uma melhor, não é ir a um bom restaurante, não é fazer obras na casa de
férias - tudo isso é fruto de rendimento do trabalho, do nosso trabalho, que
varia consoante a formação e outros factores, e não do trabalho alheio.
Especulação imobiliária é rentismo parasitário. Vou ser didáctica. O valor é
distribuído a partir da produção real em renda, juro e lucro. Mas todo o valor
tem origem no trabalho produtivo real. Se eu ficar a olhar para 6 milhões de
notas e cuidar delas como o Zé das Medalhas, dar-lhes beijinhos e festinhas,
cantar-lhes ao ouvido, 24 horas depois ou 24 anos depois eu tenho 6 milhões de
notas. Nada mais. Dinheiro não faz dinheiro. Esse capital só se amplia se
passar pela produção real. Para gerar uma mais valia de 4 milhões de euros é
preciso esmifrar até ao tutano milhares de trabalhadores produtivos,
industriais e outros, aqui ou na China - dinheiro que aqui chega para pagar
estes especuladores Lisboetas ou Parisienses via Bancos. Na verdade Lisboa
torna-se uma cidade insuportável mas o custo maior da especulação é a
intensificação da exploração do trabalho produtivo que tem que pagar estes
super-lucros - esse problema é tão ou mais grave do que a descaracterização da
cidade e mesmo a falta de casas para quem trabalha. É levar os trabalhadores do
mundo industrial - à escala mundial - à exaustão para fazer com que de 1 milhão
se passe para 5 milhões. Robles propõe-se na verdade viver como António Mexia
ou qualquer accionista de um Banco, à custa de (muito) trabalho alheio.
E não, a esquerda não é monástica. Não
faz votos de pobreza. Viver bem do trabalho, com qualidade de vida, é urgente,
precisamos de bem-estar e qualidade de vida sim. Mas viver de especulação é uma
imoralidade. Legal, pois claro. Mas Robles tentou lavar a alma, explicando que
as obras tiveram empréstimo de um banco público - a CGD, falida, recapitalizada
com o dinheiro do SNS e da educação, assim é mais bonitinho o negócio. E, por
fim, fez um acto de caridade, aluga uma das casas por 170 euros a uma pobre
família, quem sabe se a uma família de um trabalhador produtivo?...Oh Dear,
muito obrigada Senhor! Bem hajas pelo teu acto! Nós vos agradecemos. Do
socialismo na gaveta ao socialismo no caixão.
Escusado será dizer que a direita tem
pouco a queixar-se - criaram o monstro de que tudo é vendável, incluindo o
direito à habitação e à cidade, inventaram a laboração contínua nas fábricas
explicando que «tem que ser» porque «o país precisa», ou seja, as casas que se
vendem por magia por 5 vezes mais de um dia para o outro são a tortura da linha
de montagem de tipos que trabalham de sábado a sábado. O que é impressionante é
que alguém de esquerda ouse desconhecer isto e ainda se arrisque a justificar o
injustificável.
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