sábado, 28 de junho de 2014

A Seleção de Portugal ou o Portugal da Seleção?

Um artigo que também nos põe a pensar. A pensar na Seleção mas, sobretudo, para além dela.

Já agora, a afirmação de Paulo Bento: "Tivemos o que merecemos". Lembram-se?

Oh, my God!





A comunicação social quase não falou no assunto, mas a selecção portuguesa de futebol foi eliminada do mundial do Brasil. E é uma tragédia nacional.

Pessoalmente, ainda estou que nem posso. Não me conformo com a ideia de deixar de ver directos nos telejornais sobre a chegada do autocarro da selecção ao hotel. Acompanhava com enorme comoção patriótica o destino daquelas litradas de azeite e daqueles quintais de bacalhau que nunca mais vou saber como terminarão. Vou ter que começar a conviver com a imprevisibilidade de mudar de canal sem saber o que me espera e tanta incerteza prejudica a minha estabilidade emocional. Ao menos que algum daqueles especialistas em tudo e mais alguma coisa, os tais que agora dizem de si próprios serem intelectuais de direita sem medo, se atrevesse a propor para os jogadores e equipa técnica da selecção a sua receita infalível para fazer aumentar a produtividade do país.

Não que defenda reduções de salários como estratégia para se conseguir mais do que desequilibrar contas públicas que são função de uma estrutura fiscal salário-dependente, rebentar com o consumo que sustenta a grande maioria das nossas empresas, concentrar ainda mais a riqueza e eternizar o atraso estrutural do país.

Ninguém trabalha melhor ou produz mais por receber menos, pelo contrário, e os jogadores de futebol não são excepção. Mas podia ser que, se algum destes génios tivesse coragem para tanto, a manada que se entusiasma com o espectáculo de um autocarro a chegar a um hotel e com os penteados do Cristiano Ronaldo se desse conta dos disparates debitados por esta tropa de elite.


Não digo que se revoltassem, o 12º jogador comprovadamente é gado manso. Mas podia ser que, confrontados com o que estão a permitir acontecer no país que deixarão a filhos e netos, se lembrassem deles na próxima vez que gritassem “viva Portugal”.

“Viva Portugal” não é aquilo. Viva Portugal é o país que poderíamos ser se não nos contentássemos com sonhos pequeninos como a conquista de uma porcaria de um mundial de futebol.  Ainda por cima um mundial feito com milhões roubados à Saúde, à Educação, à Habitação do país sonhado por tantos brasileiros que se organizaram para dizer ao mundo o significado do “viva o Brasil” que querem que viva, e que não é o Brasil do futebol.

Soubéssemos nós reaprender com eles a sonhar em vez de andarmos sempre a dizer adeus ao sonho. Teria sido o nosso melhor mundial de todos os tempos. "Não há-de ser nada". Fica para uma próxima. Fica sempre.


Filipe Tourais in http://opaisdoburro.blogspot.pt/

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