domingo, 1 de setembro de 2013

Sobre o fenómeno do recuo do cidadão em relação à vida política


Uma reflexão urgente (frases destacadas por mim).



Existe em Portugal e no resto do dito “mundo desenvolvido” um evidente fenómeno de recuo do cidadão em relação à vida política.

Os cidadãos participam cada vez menos na vida das suas sociedades, quer militando cada vez menos nos partidos, quer participando cada vez menos em associações e movimentos sociais ou culturais. Este recuo sensível da participação cívica está diretamente ligado ao fato de hoje Portugal ser o país mais desigual da OCDE, batendo em 2011, a Bulgária e a Estónia, países que até então ocupavam esse desonroso pódio. Perante o agravamento das condições de vida que se registou com especial agudeza depois de 2008, muitos portugueses apontaram os indicadores – não sem razão – para os grandes partidos representados na Assembleia da República, sobretudo para aqueles dois que têm repartido entre si o poder desde 1975 e aos quais chamamos – invocando o malsano “rotativismo democrático” do século XIX – de “bi-partido”.

Em consequência, assistimos a um recuo da participação nos sufrágios eleitorais e no afluxo de novos militantes aos grandes partidos, que os pudessem renovar e fizessem brotar à superfície novos valores e quadros. A maioria dos português culpou os partidos pela situação atual, pela efetiva bancarrota da República, pelos insustentáveis níveis de desemprego cronico, pela redução inédita (desde 1989) do nível de vida e pelas humilhações e perdas de soberania que representam a presença da Troia e as suas draconianas condições de austeridade orçamental.

Os partidos são responsáveis por esta situação, decerto. Mas os cidadãos que se demitiram de exercerem uma vida política ou cívica mais intensa ou que – pior – se recusaram a votar, eleição após eleição, não podem ser esquecidos.

Se uns governaram mal (por dolo ou incompetência) os outros deixaram que assim sucedesse durante mais de vinte anos, demitindo do dever democrático de participação cívica que obriga moralmente cada cidadão a exercer sobre a República uma vigilância ativa e uma presença constante e amiúde nos sufrágios.

Essa é de facto a grande questão: os partidos estão doentes e fechados dentro de si mesmos, mas os cidadãos não se podem render a essa evidência e deixar a que os partidos (cada vez mais clientelares e dominados por pequenas famílias) entrem em roda vida e se distanciem completamente da sociedade civil. Se queremos mudar alguma coisa numa situação que todos reconhecemos ser impossível, então devemos mudar os partidos e pressioná-los para que introduzam no sistema político formas alternativas (não partidárias) de participação política: iniciativas legislativas de cidadãos menos restritivas, admissão de deputados independentes à Assembleia da República (ou ressuscitação do “Senado” e usando-o para esse fim), efetivação do mecanismo das petições públicas, etc., etc.

Cabe-nos a todos redinamizar esta democracia cada vez mais formal e esvaziada de sentido prático e operacional. Os partidos têm que “ser invadidos” por cidadãos insatisfeitos e dispostos a renovarem os seus quadros, propósitos e objetivos a partir de dentro.

A democracia deve ser reorganizada com novas formas de participação que a abram a novas formas de representatividade da Sociedade Civil. Só assim, a democracia pode deixar de ser uma mera formalidade, cada vez mais entregue a grupos de interesse e pressão, manipuladores dos Media e das Massas, servindo sempre os seus interesses particulares e egoístas e prejudicando severamente o Bem Comum.



in http://movv.org/2012/09/10/sobre-o-fenomeno-do-recuo-do-cidadao-em-relacao-a-vida-politica/



 

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