domingo, 1 de abril de 2012

Faculdades para todos, mas quem paga?


AFP

A violenta manifestação estudantil de Londres, a 10 de novembro, nada tem de anódino, escreve o Dagens Nyheter. Porque a polémica sobre o aumento das propinas levanta a questão do financiamento da universidade para as massas.

As manifestações estudantis que rebentaram em Londres, a 10 de novembro, não tiveram a amplitude dos movimentos e dos protestos contra a guerra do Vietname, nos anos de 1960, nem a dos tumultos contra a “poll tax” do Governo de Thatcher, em 1990. Mas o facto de cerca de 50 mil pessoas terem descido à rua para protestarem contra o aumento das propinas do ensino universitário testemunha uma oposição crescente ao Governo liberal-conservador.

Infelizmente, as manifestações degeneraram quando um grupo de indivíduos recorreu à violência. Mas depois do regresso à calma, continua a existir um grande descontentamento contra o projeto de corte de fundos públicos destinados ao ensino superior e a compensação desta perca com um aumento drástico do preço das propinas pagas pelos estudantes.

A crise económica está diretamente relacionada com esta diminuição de fundos. Mas, de uma maneira mais geral, o conflito leva-nos a uma questão estrutural que atinge toda a Europa: quem deverá pagar o aumento da subida de nível dos estudos dos jovens?

Perto de metade dos jovens lança-se nos estudos superiores

Durante muito tempo, as “economias do bem-estar” contentavam-se com um número limitado de diplomados do ensino superior. A Suécia que, nos anos de 1950, era um dos países mais ricos do planeta, tinha um número relativamente baixo de licenciados e oferecia formações universitárias curtas.

Atualmente, em muitos países europeus, entre um terço e metade dos jovens lança-se nos estudos superiores. Primeiro, porque um número crescente de profissões exige diplomas universitários, depois, porque a democratização do acesso ao ensino superior é um objetivo desejável. O facto deste grande aumento de número de alunos nas universidades ter de ser pago pelo Estado também é julgado natural em muitos países europeus. Ora, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, onde a tendência para a universidade de massas começou no pós-guerra, estes países não encararam a possibilidade de transferirem o total ou parte dos custos dos estudos para os estudantes ou as suas famílias.

Assim, preservar a qualidade de um sistema em constante expansão custa muito caro. Em França, por exemplo, isto teve como resultado o seguinte fracionamento: o Estado sustenta generosamente um grupo de grandes escolas enquanto as universidades clássicas se degradam. O projeto de David Cameron tenta impor tem como objetivo reaproximar o sistema às leis do mercado. Enquanto os estudantes mais pobres têm direito a ajudas, os das classes médias têm a possibilidade de contrair um empréstimo cujo montante será proporcional ao seu rendimento futuro. Mas as propinas são dissuasoras e empurram as universidades para uma concorrência encarniçada para seduzir os estudantes.

A peste ou a cólera


Escolher entre o ensino superior financiado pelo Estado mas regressivo e um sistema baseado nas leis do mercado com propinas astronómicas é o mesmo que pedir a alguém que escolha entre a peste e a cólera. Neste sentido, o sistema sueco apresenta-se como um compromisso justo. O ensino superior é financiado pelo Estado, mas os recursos públicos recebidos pelas universidades dependem da sua capacidade de atrair os estudantes e – nos próximos anos – da obediência a certas exigências de qualidade. O inconveniente é que o sistema sueco sofre, ao mesmo tempo, das desvantagens da má gestão pública e da gestão baseada nas leis do mercado.

A caça aos estudantes é um risco que pode conduzir as universidades a proporem uma oferta de cursos sem saída, enquanto a gestão de qualidade feita pelo Estado abre a porta a um aumento do controlo político. Não existe uma solução fácil. Mas é importante manter o ideal de universidade como local de procura do saber, de liberdade de pensamento e de integridade intelectual. A verdadeira questão não é saber como utilizar melhor o ensino superior para reduzir o défice orçamental, mas como criar um mecanismo de financiamento sólido, capaz de garantir a independência da universidade.


Muito interessante este artigo que li aqui e, já agora, mais este


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