sexta-feira, 10 de julho de 2015

A SORTE DE VARAS - O testemunho de um médico veterinário




 


A Sorte de varas*
Mais um exemplo de terror e de horror sobre os pobres touros.

Mais um testemunho de quem sabe que assim é, neste caso, o médico veterinário José Enrique Zaldivar Laguia, clínico e presidente da Associação de Veterinários Abolicionistas da Tauromaquia e do Mau Trato Animal (AVATMA), que descreve, assim, a chamada ‘Sorte de Varas’:


 “Durante a tourada (e durante um período de, aproximadamente, 15 minutos), o touro é submetido à sorte de varas.
Assim que ele entra na arena, é atraído através de uma série de passes com a capa e é submetido à sorte de varas – o 'ato' da lança. Nesta parte, o picador (lanceiro) utiliza a ponta de lança, 'puya', garrocha, que é um instrumento pontiagudo, com cerca de 9 centímetros de comprimento, dividido em duas secções: uma ponta em forma de cone, de cerca de 3 centímetros, e uma outra de aço, em forma de corda, de 6 centímetros de comprimento. Este instrumento destina-se a ferir certos músculos e ligamentos do cachaço, parte superior do pescoço do touro. O objetivo deste ato é facilitar o trabalho do toureiro pois, uma vez que estas estruturas anatómicas foram feridas, o touro não vai ser capaz de levantar a cabeça.
'Infelizmente', não é só isso que acontece. É sabido que 90% das estocadas, com a lança, são feitas muito mais para trás, onde as vértebras estão muito menos protegidas. Além disso, como resultado de golpes ilegais (proibidos) dos picadores, tais como 'furar' (torcendo a lança no pescoço do touro como um saca-rolhas) ou o 'entra e sai' (aprofundar e aflorar a lança várias vezes, o que impede o touro de fugir quando sente a dor), as feridas são muitas vezes terríveis.
A hemorragia causada por estes métodos faz com que a perda de sangue possa ser de até 18%, enquanto a quantidade ‘desejável’ (?) é de 10%. Devido a esses movimentos, uma lança pode produzir feridas com mais de 20 centímetros de profundidade, e entrar no corpo em até cinco sentidos diferentes, ferindo muitas estruturas, inclusive quebrando estruturas ósseas.
Os taurinos argumentam que o uso da 'puya' serve para “aliviar” (?) o touro da sua bravura e excitação na lide. No entanto, o que acontece com a tortura da 'puya' não é um descongestionamento simples, porque o touro assim perde 10 litros de sangue, visto que ao aprofundar-se e aflorar-se sucessivamente a 'puya', chega a provocar uma ferida muito profunda.
Outra estatística é que apenas 4,7% do cravar da 'puya' conseguiu cortar os músculos do pescoço e deixar o resto da anatomia local intacta. O que geralmente se corta com má pontaria da 'puya' são músculos dos membros anteriores e do tronco. Por isso, os touros tropeçam e caiem.
O touro tem cerca de 36 litros de sangue. Com a sorte de varas, o animal perde cerca de um terço de sangue, a sua força vital. São manobras ilegais do picador (o cravar e tirar, a ação de saca-rolhas e a de perfuração), que fizeram a 'puya' penetrar mais do que esses 7,6-8,9 centímetros, sendo que em 70% dos casos, as lanças são cravadas por detrás do andiron e da cruz e aí, sendo menos protegidas pelos grandes músculos do pescoço, podem atingir e ferir estruturas ósseas”.





Para quem ainda tenha dúvidas:

“As ‘sortes de varas’ são actos tauromáquicos extremamente violentos típicos das touradas em Espanha, estando em crescendo o número de vozes e de movimentos que a contestam.
Nas ‘sortes de varas’, os touros estão com os cornos inteiros e investem desesperadamente contra um cavalo – que tem uma imensa e muito pesada armadura a toda a sua volta e que tem os olhos tapados para não ter ainda mais medo do que aquele que já sente, enquanto, do alto do cavalo, o “picador” espeta uma longa lança – a vara –, com um ferro muito comprido e afiado na extremidade, no dorso do touro.
Quanto mais o touro faz força para se soltar e tentar defender, mais o ferro comprido o perfura, rasgando-o e provocando-lhe um ferimento de gravidade extrema.”

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