sexta-feira, 16 de maio de 2014

Recuso-me







Recuso-me

 
Recuso-me a ficar amolecido
Tragicamente cilindrado
E muito antes de lutar - vencido
E muito antes de morrer - violado.

Recuso-me ao silêncio e à mordaça
Serei independente, livre e exacto
A verdade é uma força que ultrapassa
A própria dimensão em que combato.

Recuso-me a servir a violência
Embora a minha voz de nada valha
Mas que me fique ao menos a consciência
De que tentei romper esta muralha.

Recuso-me a ter medo e a estiolar
Na concha dos poetas sem mensagem
Que me levem o corpo e a coragem
Mas que me fique esta voz para cantar.

Poema de João Apolinário
Música e canto de Luis Cilia 



 "Recuso-me" - Canção inserida no seu disco "La poesie Portugaise de nos jours et de toujours",  vol 1, de 1967.

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