quinta-feira, 26 de julho de 2012

Vampiros


Notícia, revoltante! (clicar)

A crise continua a pagar-se, não com o dinheiro dos ricos, que abunda (e de que maneira!), mas com os cortes naquilo que deveria ser sempre salvaguardado: os salários dos pobres, melhor dizendo, os pobres dos salários.
Numa sociedade que se diz democrática e humanista, num estado de Direito tão apregoado, cada vez mais o capitalismo selvagem invade tudo e todos, como um polvo gigante de gigantes tentáculos.
Não é preciso ser-se grande iluminado na área da Economia ou Gestão para concluir do descalabro que a Política portuguesa está a ser, servindo-se dos mais pobres para engorda dos mais ricos.
Numa situação de crise como a que estamos a viver, deveriam ser intocáveis os salários dos mais pobres e os direitos dos mesmos face às investidas cada vez mais agressivas e monstruosas de quem detém o capital e dele mão não abre.
Notícias como esta, de uma realidade por nós cada vez mais conhecida, levam-nos a pensar que, tal como Salazar, o primeiro-ministro coloca as elites acima do Povo e as enaltece, seja a que preço for, colocando o Estado acima dos Cidadãos. Subvertendo completa e descaradamente aquelas que foram as grandes conquistas de Abril consignadas na nossa Constituição.
Em discursos vergonhosos de vergonhosa terminologia, só lhe falta publicamente pedir o fim das eleições, a existência de partido único, a censura e o reforço do estado policial.
Onde é que vamos parar?
Quem é esta gente que nos governa, petulante, arrogante, armada em "salvadores da pátria", completamente subordinada à bancocracia e a homens como estes - os 25 homens mais ricos de Portugal em 2012 - que, coitadinhos, perderam 17,5% da sua fortuna, avaliada agora em 14,4 mil milhões de euros?
E nós? O povão?
O jornal PÚBLICO naquela notícia de 25 deste mês publicava a lista dos dez mais ricos neste ano:

1. Alexandre Soares dos Santos: 2070 milhões de euros
2. Américo Amorim: 1955,9 milhões de euros
3. Família Guimarães de Mello, 700,1 milhões de euros
4. Belmiro de Azevedo: 680,9 milhões de euros
5. Família Alves Ribeiro: 650,8 milhões de euros
6. Rita Celeste Violas e Sá, Manuel Violas: 609,3 milhões de euros

7. Família Cunha José de Mello: 560 milhões de euros

8. Fernando Figueiredo dos Santos: 542,3 milhões de euros
9. Maria Isabel dos Santos: 542,3 milhões de euros
10. Luís Silva e Maria Perpétua Bordalo Silva: 521 milhões de euros
Incrível o que isto significa e em mim provoca!
Afinal, tal como sempre tenho dito, dinheiro há, seguramente, para pagar e sair da crise, só que, estão a ir buscá-lo a quem não devem: aos pobres.
Isto é admissível? Aceitável? E a troika? Que diz disto essa troika?
Enriquecem com o dinheiro que roubam e com a exploração que continuam a fazer dos mais vulneráveis. Mas, o mais grave, é que enriquecem com o beneplácito do governo, da Assembleia da república e da Presidência da República.
"Ó glória de mandar ó vã cobiça"!





Vampiros! Vampiros habituais e de longa data (veja-se, já agora, o quadro dos salários anuais auferidos em 2010 e 2011 pelos presidentes das empresas do PSI-20/ oito exemplos):



Manuel Faria de Oliveira, Galp
2010: 1.337.000 / 2011: 1.642.600 / Média: 1.489.800 milhões
José Honório, Portucel
2010: 1.532.491 / 2011: 1.425.895 / Média: 1.479.193 milhões
Zeinal Bava, PT
2010: 1.416.959 / 2011: 1.355.943 /Média: 1.386.451 milhões
Pedro Queiroz Pereira, Semapa
2010: 983.000 / 2011: 1.386.888 / Média: 1.184.944 milhões
Paulo Azevedo, Sonae
2010: 1.122.871 / 2011: 1.143.020 / Média: 1.132.945 milhões
António Mexia, EDP
2010: 1.043.541 / 2011: 1.034.840 / Média: 1.039.190 milhões
Ângelo Paupério, Sonaecom [Público]
2010: 1.004.800 / 2011: 1.027.100 / Média: 1.015.950 milhões
Ricardo Salgado, BES
2010: 1.222.000 / 2011: 801.000 / Média: 1.011.500 milhões

Não há dinheiro em Portugal? Por favor, não brinquem comigo!
Nazaré Oliveira

Se somos assim tão superiores, porque não usamos essa superioridade para melhorar os nossos valores?

Absolutamente de acordo com André Silva*: Para uns trata-se de um divertimento. Para outros, um combate em iguais termos. Cultura, tr...