sábado, 22 de outubro de 2011

Balada para a velha ilha

Ilha de Moçambique

Horas mortas, quando o luar passeia,

As brancas tranças desfeitas, pela areia,

Há sombras do passado a deslizar

Por entre os muros, no cimo dos portais,

Nas rochas e nas pedras carcomidas,

Contando histórias velhas, já perdidas

Na distância e na bruma do não-mais.

Tinem ferros, há vozes e canções,

Soluços e murmúrios de orações

(Há quem afirme e teime que é o mar... )

Subindo em espirais feitas de mistério

Ao encontro dos passos de quem passa.



Ecos dispersos de um longínquo império,

roçar de sedas nos salões desertos

dos seculares palácios sem vivalma.

E dizem que de túmulos abertos

Surgem guerreiros, bispos e donzelas



Que vão depois seguindo, à luz da lua,

Tacteando as paredes, rua em rua,

Até que a aurora venha e se debruce

Em rubores de menina, pelas janelas.



E dizem mais... e contam... e afirmam...

(Bem sei que é lenda. É lenda e fantasia

— Mas que seria a vida sem o sonho

E que seria duma velha ilha

Sem o perfume, a estranha maravilha,

Da lenda a envolvê-la em poesia?... )



Guilherme de Melo

*Ilha de Moçambique

Foto in http://olhares.aeiou.pt/noite_de_luar_na_ilha_de_mocambique_foto2119476.html?nav1

Toureiros & afins

Grande verdade!